Maior projeto de piscicultura do Brasil revela: o segredo do peixe sustentável está na mata ciliar

Com um salto de 80% na capacidade produtiva e um sistema inédito de remoção de sedimentos, a Fider Pescados prova que o futuro da tilapicultura está na preservação da mata ciliar

Em meio às paisagens da Represa de Jaguara, em Rifaina (SP), divisa de São Paulo e Minas Gerais, é possível encontrar um visitante ilustre que chama a atenção por onde passa: o tamanduá-bandeira, uma das 133 espécies de animais catalogadas na propriedade da Fider Pescados. O retorno de mamíferos, aves e anfíbios a essa área de preservação não é por acaso. Ele traduz a essência de um modelo de produção que transformou a natureza na principal aliada da produtividade e segurança na piscicultura.

A Fider Pescados não é uma empresa qualquer. Líder em produção e processamento de tilápia no Estado de São Paulo e a terceira maior do Brasil , a empresa tem planos ambiciosos. Atualmente com uma capacidade de produção de 9,6 mil toneladas anuais , a Fider está expandindo suas operações com uma nova fazenda de engorda no reservatório de Estreito. O projeto representa um salto de 83% na capacidade produtiva, adicionando 8 mil toneladas por ano e totalizando uma estrutura capaz de processar 20 mil toneladas anuais em seu frigorífico automatizado .

Com um faturamento projetado de R$ 200 milhões para 2025 , a empresa já investiu mais de R$ 200 milhões em seu complexo nos últimos 13 anos e é uma das maiores exportadoras de filé fresco de tilápia para os Estados Unidos . Mas o que torna esse crescimento sustentável é justamente a estratégia adotada dentro e fora da água.

A Mata Nativa como Solução Baseada na Natureza

Juliano Kubitza, diretor da Fider Pescados, explica que, para a empresa, a mata ciliar é muito mais do que uma exigência legal, é uma forma de garantir os altos padrões da tilápia que comercializa. “Utilizamos a vegetação nativa como uma Solução Baseada na Natureza (Nature-based Solution). Ela funciona como uma barreira e um filtro biológico que impede que a terra e os nutrientes das chuvas cheguem com força ao lago, mantendo a água limpa e cristalina. Quando chegam os meses de chuva, o ecossistema é posto à prova, e a mata retém os sedimentos, garantindo que o habitat continue equilibrado.”

Dados e impacto positivo na bacia hidrográfica

Para demonstrar na prática a eficácia do modelo regenerativo, a empresa expandiu de 3 para 13 os pontos de monitoramento da qualidade da água na represa e em seus afluentes. Após acumular quatro anos de dados alinhados às diretrizes da Embrapa, a operação desenvolveu uma tecnologia inédita no setor: um sistema próprio de sucção de sedimentos no fundo do reservatório. A inovação retira do ecossistema mais fósforo do que a atividade é capaz de gerar e já removeu mais de 800 toneladas de sedimentos do Rio Grande (na represa de Jaguara), 100% destinados à compostagem.

Com isso, mesmo atuando em estrita conformidade com as normas da Agência Nacional de Águas (ANA), a produção passa a entregar um impacto positivo superior para o meio ambiente. Um feito ainda mais impressionante considerando que os tanques-rede da empresa ocupam menos de 1% da área total do reservatório .

Biodiversidade como indicador de sucesso

A Fider ainda expandiu sua Área de Preservação Permanente (APP) em 6 mil metros quadrados e plantou mais de mil mudas de árvores nativas da região . O resultado desse esforço regenerativo é medido diariamente pelos biólogos da empresa. Ao proteger as margens, a fazenda tornou-se um cinturão ecológico seguro para espécies vulneráveis, integrando a produção de proteína animal a um ecossistema vivo e biodiverso.

“Em um cenário global onde investidores e consumidores exigem rastreabilidade e responsabilidade socioambiental do campo ao prato, a experiência na Represa de Jaguara demonstra que a preservação da biodiversidade e a eficiência econômica não são caminhos opostos: são a única forma sustentável de alimentar o futuro”, completa Juliano Kubitza.

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