Reprodutor da seleção Nelore Vera Cruz produziu 262.329 doses de sêmen e deixa descendentes associados à habilidade maternal, longevidade e qualidade de carcaça
Grandes reprodutores ajudam a construir a pecuária de uma geração inteira. Por meio da inseminação artificial, suas características chegam a fazendas distantes e permanecem nos filhos, nas matrizes e nos rebanhos que vêm depois. É por isso que a morte de um touro como Cifrão FVC representa uma perda para além do criatório onde nasceu.
A CRV Lagoa anunciou a morte do reprodutor Nelore, criado pela Fazenda Vera Cruz, e prestou uma homenagem ao animal. Segundo a central, Cifrão produziu 262.329 doses de sêmen, levando sua genética a rebanhos de todo o Brasil. A divulgação não informou a causa da morte.
Nascido em 27 de outubro de 2015, Cifrão FVC tinha registro FVC10971. Filho de Campeão da MN em uma matriz da linhagem Playboy da Matinha, reunia sangue das linhagens Mundo Novo e IZ. A CRV o descrevia como um touro indicado para a formação de boas vacas, com habilidade maternal e longevidade produtiva, além de reunir precocidade, acabamento e rendimento de carcaça.

O touro tinha registro PO/CEIP pelo Programa Qualitas e se destacava pelas DEPs e pelo equilíbrio nas medidas de ultrassonografia de carcaça. Seus descendentes também chamavam atenção pela uniformidade e pelo biotipo precoce, características que reforçaram sua importância na seleção do Nelore.
Esse equilíbrio ajudou a tornar Cifrão uma referência para criadores que buscavam tanto fêmeas de reposição quanto animais voltados à produção de carne. Em 2022, a própria CRV já o apresentava como líder de vendas em sua bateria de reprodutores.
A trajetória do touro também teve reconhecimento no mercado. Em 2021, durante o Leilão Elite Provada, 51% de suas cotas foram negociadas por R$ 940 mil, em uma operação que o avaliou, à época, em aproximadamente R$ 1,87 milhão. A cobertura publicada pelo CompreRural já destacava sua importância para projetos pecuários de cria e sua carcaça precoce.
Cifrão FVC foi um dos nomes da seleção Nelore Vera Cruz, fundada em 1990 em Barra do Garças, Mato Grosso, pelos irmãos Eduardo Zago Machado e Jairo Machado Carneiro Filho. O criatório seleciona animais Nelore PO com foco em eficiência produtiva e utiliza avaliações genéticas, provas de desempenho e ultrassonografia de carcaça para orientar seus acasalamentos. Seus reprodutores estão presentes em diferentes centrais de inseminação do país.
Na despedida, a CRV Lagoa lembrou que a contribuição de Cifrão permanece nos rebanhos formados por sua genética. É ali que a história do reprodutor continuará: nas filhas que se tornam matrizes, nos filhos que chegam às fazendas e nas próximas gerações do Nelore brasileiro.
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