Após as eleições, presidente da FPA defende diálogo com o governo, mantém oposição a medidas consideradas prejudiciais ao campo e coloca o endividamento rural entre as prioridades da bancada.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pretende apoiar propostas do governo Lula que atendam aos interesses dos produtores rurais e enfrentar iniciativas que considere prejudiciais ao setor. A posição foi apresentada pelo presidente da bancada, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), na primeira reunião-almoço da frente após as eleições de 2026, realizada na terça-feira (27).
A declaração estabelece o tom da relação que a representação parlamentar do agro pretende manter com o Executivo após a disputa presidencial: negociação em torno de propostas concretas, com preservação da autonomia política. O endividamento rural aparece entre as prioridades dessa agenda, segundo publicação da própria FPA.
“Passou a eleição, então, nós precisamos virar a página. Tudo que for convergente com a gente, vamos estar juntos, vamos apoiar, vamos trabalhar junto e tudo aquilo que for frontalmente contrário ao nosso setor, nós vamos enfrentar com toda a força que nós temos”, afirmou Lupion.
O posicionamento ocorre depois de a bancada ter apoiado Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. Como mostrou o Compre Rural, Lupion havia associado o apoio ao candidato às cobranças do campo por crédito e soluções para o endividamento.
Apoio dependerá do impacto das propostas sobre o produtor
Ao explicar como a bancada deverá atuar, Lupion afirmou que pretende manter a postura adotada nos últimos anos: aproximação nas propostas consideradas positivas para a agropecuária e reação às medidas que, na avaliação da frente, dificultem a atividade.
“Vamos ser proativos e estar próximos nas pautas convergentes e ser críticos e reativos nas pautas que atrapalham diretamente o produtor.”
A sinalização indica que o apoio será construído por pauta. Para o produtor, o ponto central será acompanhar como essa disposição ao diálogo se traduzirá em decisões sobre financiamento, tributação e condições para manter a atividade.
Lupion reforçou que a representação dos interesses do campo deve orientar as negociações:
“A Frente Parlamentar da Agropecuária não existe para atender governo nenhum. A Frente Parlamentar da Agropecuária existe para atender os interesses dos produtores rurais.”
Lupion relembra acordos e embates com o governo
Para sustentar a disposição de negociar, o deputado citou episódios em que houve colaboração entre a FPA e o Executivo, mencionando a PEC da Transição, o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.
Também recordou divergências envolvendo a tributação de títulos de investimento ligados ao financiamento da agropecuária e a Medida Provisória 1.227/2024, chamada por críticos do setor de “MP do fim do mundo”.
Os exemplos foram apresentados pelo parlamentar para defender a continuidade de uma atuação que combine negociação e oposição, conforme o conteúdo das propostas. Essa leitura não significa concordância integral da bancada com as políticas do governo, mas disposição para buscar acordos em temas específicos.
Endividamento rural ocupa o centro das cobranças
Além do balanço político, a reunião tratou das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores. A FPA informou que busca mudanças na tramitação da MP 1.376/2026, voltada à renegociação de dívidas rurais, por considerar que as condições discutidas ainda precisam de ajustes para atender ao setor.
A cobrança dá uma dimensão prática à aproximação defendida por Lupion. Para quem precisa renegociar compromissos e financiar uma nova safra, o resultado das articulações dependerá das condições efetivamente disponíveis nas instituições financeiras.
Bancada projeta força para negociar na próxima legislatura
No balanço eleitoral, a FPA apresentou uma projeção de aproximadamente 330 deputados e 49 senadores na próxima legislatura. Os números representam uma estimativa da própria frente sobre sua composição futura.
Ao comentar a relação com o governo após o pleito, Lupion defendeu a ampliação das conversas e a busca de pontos de entendimento.
“Acho que o governo tem um entendimento claro de que precisa conversar mais com a sociedade, precisa ampliar o diálogo com o Brasil”, declarou.
A agenda anunciada coloca a negociação com o Executivo como caminho para encaminhar demandas do campo. O primeiro teste dessa disposição será transformar a convergência política em propostas capazes de responder às dificuldades dos produtores, especialmente no acesso à renegociação de dívidas.
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