Lula promete ampliar crédito e seguro rural em novo mandato; veja o plano para o agro

Programa de governo prevê mais recursos para o Plano Safra, proteção contra perdas climáticas, irrigação, recuperação de pastagens e abertura de mercados. O documento, porém, não fixa valores nem prazos para a maior parte das propostas.

O crédito rural e o risco de perder a safra estão no centro das propostas de Luiz Inácio Lula da Silva para o agro. Em seu programa de governo para a eleição de 2026, o presidente promete ampliar os recursos do Plano Safra, buscar juros compatíveis com a rentabilidade das atividades e fortalecer o seguro rural. Também propõe discutir com o setor produtivo um instrumento para enfrentar perdas generalizadas causadas por catástrofes.

Para o produtor, a questão decisiva será a execução: quanto crédito chegará às propriedades, a que custo e com que proteção quando houver quebra severa de safra? O plano apresenta direções para um novo mandato, mas não estabelece uma meta financeira para o futuro Plano Safra nem define o formato, o orçamento ou o prazo do instrumento contra catástrofes.

Crédito rural é a principal aposta

O programa afirma que o agronegócio é fundamental para a balança comercial e para o PIB. Para a produção empresarial, Lula promete ampliar o Plano Safra e priorizar financiamentos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias que elevem a produtividade. O texto também defende ampliar o uso do mercado de capitais e dos títulos do agronegócio, além de simplificar o acesso ao crédito.

Há uma diferença entre a promessa para o próximo mandato e os recursos anunciados para a safra atual. No Plano Safra 2026/27, estão programados R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial. Esse valor representa crédito previsto para o ciclo, não dinheiro já contratado por todos os produtores. O programa eleitoral fala em nova ampliação, mas não informa de quanto seria esse aumento.

Na agricultura familiar, a proposta é expandir o Plano Safra com juros adequados ao perfil do agricultor e prioridade para alimentos da cesta básica. O documento prevê linhas para inovação, máquinas adaptadas, produção orgânica e agroecologia, além de condições diferenciadas para jovens, mulheres e cooperativas. Para 2026/27, o governo anunciou R$ 85,2 bilhões previstos para operações do Pronaf; esse é o ponto de partida da política atual, não uma nova cifra prometida para o próximo governo.

Seguro rural e catástrofes entram no plano

Lula promete fortalecer a política de seguro rural e abrir diálogo com representantes da produção para viabilizar um mecanismo capaz de mitigar perdas sistêmicas em quebras severas de safra. O programa também propõe integrar o seguro a instrumentos de comercialização e proteção financeira. Para a agricultura familiar, prevê ampliar o acesso ao seguro e fortalecer o Garantia-Safra.

O instrumento para catástrofes ainda é uma proposta a ser desenhada. O texto não detalha quem financiaria a cobertura, quais eventos dariam direito ao apoio ou como o produtor seria atendido. Essas definições serão essenciais para medir o alcance real da promessa.

Irrigação, clima e recuperação de pastagens

O programa propõe criar uma iniciativa nacional de resiliência climática no campo. Entre as medidas citadas estão ampliar áreas irrigadas, conservar solos, incentivar agricultura de precisão e plantio direto e melhorar a previsão meteorológica e os alertas aos produtores. Também prevê apoio a sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta.

Na pecuária, Lula defende continuar a recuperação de pastagens degradadas, apoiar o melhoramento genético e a nutrição de precisão e auxiliar produtores na implantação da rastreabilidade individual do rebanho. O plano relaciona a rastreabilidade às exigências dos mercados internacionais, mas não especifica o custo para as propriedades nem como se dará o apoio prometido.

Agricultura familiar, terra e comercialização

O programa prevê ampliar compras públicas de alimentos da agricultura familiar, assistência técnica e mecanização adequada às pequenas propriedades. Na questão fundiária, defende dar continuidade à reforma agrária, estruturar assentamentos, ampliar o crédito fundiário e avançar na regularização de imóveis rurais, especialmente na região Norte. Também prevê acelerar a titulação de territórios quilombolas e a regularização de áreas de comunidades tradicionais.

Para o agro exportador, a proposta é reforçar a diplomacia comercial, a atuação dos adidos agrícolas e as missões para abertura de mercados. O programa ainda prevê fortalecer a Embrapa, expandir a conectividade rural, apoiar biocombustíveis e acelerar a produção nacional de fertilizantes.

O que o produtor precisa acompanhar

O plano de Lula reúne compromissos para diferentes perfis de produção, da agricultura familiar ao agro exportador. Crédito mais acessível, seguro que funcione diante de grandes perdas e regras claras para investimento são os pontos que permitirão avaliar o resultado no campo. Por enquanto, o documento indica prioridades; as condições financeiras e os mecanismos de execução de várias delas ainda dependem de definição.

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