Dados da Agrifatto mostram o sexto mês consecutivo de queda no abate de vacas e novilhas, sinalizando desaceleração da liquidação de fêmeas e possíveis impactos na oferta de gado e nos preços da arroba.
A intensificação do abate de fêmeas, que marcou os últimos ciclos da pecuária brasileira, segue dando sinais claros de desaceleração. Dados preliminares do Ministério da Agricultura, analisados pela consultoria Agrifatto, mostram que junho registrou o sexto mês consecutivo de queda anual no número de vacas e novilhas enviadas aos frigoríficos, movimento que pode influenciar a oferta de animais terminados nos próximos meses.
Segundo a Agrifatto, foram abatidas 944,81 mil fêmeas em unidades sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) em junho, volume 5,2% menor que o registrado em maio e 12,32% inferior ao de junho de 2025. Apesar da retração, o patamar ainda permanece acima da média histórica para o período, indicando que a oferta continua elevada, embora em ritmo cada vez menor.
Ao mesmo tempo, o abate de machos apresentou comportamento oposto. Foram 1,51 milhão de cabeças, avanço de 2,81% sobre maio e crescimento de 7,91% na comparação anual, levando o total de bovinos abatidos em plantas com SIF a 2,46 milhões de animais no mês.
Participação das fêmeas segue em queda
Outro indicador acompanhado pelo mercado é a participação das fêmeas no total de abates. Em junho, esse percentual caiu para 38,43%, redução de 1,94 ponto percentual frente ao mês anterior e de 5,01 pontos percentuais na comparação com o mesmo período de 2025.
Na avaliação da Agrifatto, o principal sinal não está apenas no volume abatido, mas na velocidade da desaceleração. A consultoria destaca que, embora os números ainda estejam acima da média dos últimos cinco anos, o diferencial vem diminuindo de forma consistente, indicando perda de intensidade na liquidação de matrizes.
Primeiro semestre confirma mudança no ciclo pecuário
No acumulado de janeiro a junho, os frigoríficos com inspeção federal abateram 14,35 milhões de bovinos, queda de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Desse total, os machos somaram 8,39 milhões de cabeças, crescimento anual de 3,36%, enquanto o envio de fêmeas recuou 7,62%, totalizando 5,96 milhões de animais. Para analistas, esse comportamento reforça a percepção de que o ciclo de descarte de matrizes está perdendo intensidade, fator que tende a reduzir a disponibilidade de animais para abate no médio prazo.
Julho pode trazer maior pressão sobre a arroba
Apesar desse cenário estrutural, a Agrifatto avalia que julho pode registrar aumento momentâneo da oferta de animais, influenciado pela desaceleração dos embarques de carne bovina para a China. Esse movimento pode exercer pressão sobre as cotações da arroba no curto prazo.
A consultoria observa que a parcial do indicador Cepea em julho já apontava a arroba em R$ 329,28, queda de 5,27% em relação ao fechamento de junho, quando o indicador encerrou em R$ 347,59/@.
Embora o mercado enfrente ajustes de curto prazo, a redução contínua do abate de fêmeas permanece como um dos principais fatores acompanhados pelos pecuaristas e analistas, já que tende a limitar a oferta futura de bovinos terminados e pode sustentar um cenário mais favorável para os preços da arroba nos próximos ciclos.
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