Lavoura e pecuária integradas reduzem riscos e abrem novas fontes de receita

Segundo a SIA, sistema exige planejamento de solo, forragem, rebanho e gestão para aumentar eficiência e distribuir melhor os resultados ao longo do ano.

A integração lavoura-pecuária (ILP) vem ganhando espaço nas propriedades rurais como uma estratégia que vai além da diversificação da produção. No Rio Grande do Sul, onde a produção de grãos está sujeita a desafios climáticos e sazonais, além das oscilações de mercado, a presença da pecuária dentro dos sistemas agrícolas pode contribuir para aumentar a resiliência das propriedades.

Para a coordenadora Regional de Projetos do Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA), Ana Paula Zazycki, o sistema deve ser encarado como um modelo de negócio capaz de aumentar a eficiência produtiva, distribuir riscos e criar novas oportunidades de rentabilidade ao longo do ano. “Falar de integração lavoura-pecuária é muito mais do que falar de um modelo produtivo, é falar de um modelo de negócio”, afirma. Segundo a Coordenadora Regional de Projetos, a combinação planejada entre diferentes atividades agropecuárias permite aproveitar melhor os recursos naturais e construir sistemas mais adaptáveis às mudanças enfrentadas pelo setor.

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A diversificação também permite que as atividades trabalhem de forma complementar, reduzindo a exposição do produtor aos riscos concentrados em uma única fonte de receita. “Quando a gente fala de integração, onde o elemento bovino vem para dentro desses sistemas produtivos, vemos sistemas com maior resiliência, que entregam muito mais financeiramente e dão condições de se trabalhar tanto dentro de riscos climáticos quanto de riscos de mercado”, explica.

Ana ressalta, porém, que a implantação da ILP exige planejamento e organização. A entrada do gado em uma propriedade voltada à produção de grãos não deve ocorrer de forma isolada, mas dentro de um sistema que considere tanto a atividade agrícola quanto a pecuária. “Antes de a gente falar do boi dentro desse sistema, ele tem que estar pensado, organizado, planejado. Tudo tem que ser encarado dentro do conceito de lavoura, assim como nós temos a produção de grãos, mas também temos que ter a produção de carne de forma organizada”, destaca.

Entre os pontos que precisam ser considerados estão o planejamento forrageiro e agrícola, o manejo do solo, o dimensionamento do rebanho, a organização das equipes, os materiais e estruturas necessários e a gestão econômica da propriedade. O acompanhamento de indicadores de desempenho também é apontado como importante para avaliar os resultados e corrigir a estratégia ao longo do processo.

Nesse contexto, a consultoria técnica tem papel relevante para transformar o potencial da integração em resultados concretos. Para a coordenadora, o sucesso do modelo depende da integração entre conhecimento, planejamento e gestão. “A integração é um sistema que entrega muito, é um sistema que corre menos riscos, mas logicamente também é um sistema que tem suas complexidades. São complexidades de equipes, de planejamento e dos arranjos de materiais a serem utilizados”, conclui Ana.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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