Korin produz frangos sem antibióticos e mantém uma tradição que surpreende até hoje

Referência na produção de frangos naturais, a Korin combina bem-estar animal, alimentação livre de transgênicos, ausência de antibióticos e uma filosofia japonesa que influencia toda a cadeia produtiva.

Produzir carne de frango sem recorrer ao uso de antibióticos, alimentar as aves com ração livre de ingredientes transgênicos e oferecer mais espaço para que expressem comportamentos naturais parecia uma proposta distante quando a Korin iniciou suas atividades, em 1994. Três décadas depois, a empresa se consolidou como uma das principais referências brasileiras em alimentos naturais e orgânicos, atendendo grandes redes de supermercados e consumidores que buscam produtos diferenciados.

O que torna a companhia diferente, porém, vai muito além da forma de criar frangos. Seu modelo produtivo está diretamente ligado à Agricultura Natural, filosofia criada pelo pensador japonês Mokiti Okada (1882–1955), que defende o equilíbrio entre solo, plantas, animais e seres humanos. Essa visão influencia desde o manejo nas granjas até práticas simbólicas, como uma cerimônia anual de agradecimento aos animais criados pela empresa.

Embora seja reconhecida principalmente pelas linhas de frango natural, frango orgânico e ovos, a Korin expandiu significativamente sua atuação ao longo dos anos.

Hoje, seu portfólio inclui:

  • ovos orgânicos;
  • hortaliças;
  • carnes bovinas;
  • peixes;
  • mel;
  • arroz e cereais;
  • cafés;
  • fertilizantes biológicos;
  • bioinsumos;
  • desinfetantes naturais produzidos por fermentação de materiais orgânicos.

Essa diversificação acompanha uma tendência crescente do mercado de alimentos sustentáveis, em que o consumidor procura cada vez mais produtos com rastreabilidade, menor uso de insumos químicos e padrões elevados de bem-estar animal.

A criação dos frangos segue um protocolo bastante diferente da avicultura convencional.

Entre os principais diferenciais estão:

  • ausência de antibióticos, inclusive como promotores de crescimento;
  • ração produzida sem grãos geneticamente modificados (transgênicos);
  • maior espaço para movimentação das aves;
  • manejo voltado à redução do estresse;
  • acompanhamento rigoroso das condições sanitárias para prevenir doenças por meio da gestão do ambiente e não do uso rotineiro de medicamentos.

Esse modelo exige maior controle técnico e custos produtivos mais elevados, mas permite atender um nicho de mercado disposto a pagar mais por alimentos com características específicas de produção.

Um dos aspectos mais curiosos da Korin é uma tradição pouco conhecida do público.

Todos os anos, a empresa realiza uma cerimônia em homenagem aos animais utilizados na produção de alimentos.

Inspirada na filosofia de Mokiti Okada, a prática busca reconhecer simbolicamente a importância das aves e reforçar uma relação de respeito com os animais criados para alimentação humana.

Embora incomum dentro do agronegócio, esse ritual representa um dos pilares culturais da organização e ajuda a explicar por que a empresa costuma ser citada como um dos exemplos mais singulares da agropecuária brasileira.

A história da Korin está profundamente ligada ao legado de Mokiti Okada, filósofo japonês que desenvolveu o conceito de Agricultura Natural após observar os impactos do uso intensivo de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas no período pós-guerra.

Sua proposta defendia que o solo deveria ser tratado como um organismo vivo, preservando sua fertilidade natural e reduzindo ao máximo a dependência de insumos sintéticos.

No Brasil, essas ideias chegaram por meio do empresário japonês Tetsuo Watanabe, fundador da Korin, que adaptou os princípios da Agricultura Natural à realidade da produção agropecuária nacional e estruturou um modelo voltado tanto para agricultores familiares quanto para sistemas integrados de produção.

Além da produção própria, a empresa trabalha em sistema de integração com mais de 40 produtores familiares, fornecendo assistência técnica e transferência de tecnologia para adoção dos métodos da Agricultura Natural.

Esse formato permite ampliar a oferta de alimentos diferenciados ao mesmo tempo em que cria oportunidades de geração de renda no campo, especialmente para pequenas propriedades rurais.

A experiência da Korin mostra que há espaço para diferentes modelos produtivos dentro da agropecuária nacional.

Enquanto o Brasil permanece entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne de frango, sistemas especializados como o da empresa ocupam um segmento de maior valor agregado, impulsionado por consumidores interessados em sustentabilidade, bem-estar animal, rastreabilidade e alimentos produzidos com menor interferência química.

Especialistas avaliam que essa demanda tende a crescer nos próximos anos, impulsionando investimentos em certificações, bioinsumos e tecnologias voltadas para uma produção mais sustentável, sem substituir a avicultura convencional, mas ampliando as opções disponíveis para diferentes perfis de mercado.

Ao longo de mais de 30 anos, a Korin transformou uma filosofia de origem japonesa em um modelo empresarial reconhecido nacionalmente. O resultado é uma operação que vai além da produção de frangos e ovos, reunindo alimentos, bioinsumos e tecnologias sustentáveis em torno de um conceito que busca equilibrar produtividade, saúde, preservação ambiental e valorização do produtor rural.

Em um cenário em que consumidores exigem cada vez mais transparência sobre a origem dos alimentos, experiências como essa mostram como inovação, diferenciação e propósito também podem se tornar ativos estratégicos dentro do agronegócio brasileiro.

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