Liminar interrompe procedimento sanitário no Rio Grande do Sul após centenas de aves já terem sido sacrificadas; investigação policial segue em andamento
Uma decisão judicial interrompeu nesta quarta-feira (5) o abate de galos em Gramado, na Serra Gaúcha, envolvendo aves recolhidas de um criatório investigado pelas autoridades. A medida foi concedida depois que parte significativa do plantel já havia sido sacrificada em uma ação conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi).
Segundo informações divulgadas pelo órgão estadual, aproximadamente 500 das cerca de 600 aves envolvidas no procedimento já haviam sido abatidas antes da concessão da liminar. A ordem judicial foi obtida pela defesa do empresário Alexandre Bertoluci Júnior, citado em uma investigação da Polícia Civil que apura a possível utilização de galos em rinhas.
Justiça suspende abate de galos em Gramado
Com a liminar, a Seapi informou que cessou imediatamente o procedimento envolvendo os animais que ainda estavam vivos.
A determinação também prevê que as aves remanescentes retornem à propriedade, onde deverão permanecer enquanto o Judiciário analisa o mérito da disputa.
A defesa argumenta que o criatório mantinha acompanhamento veterinário, alimentação adequada e manejo especializado. Esses elementos passaram a integrar a discussão judicial sobre a necessidade e a proporcionalidade da medida adotada pelo Estado.
As aves pertencem à raça Mura e, conforme informações levantadas durante a investigação, alguns exemplares podem alcançar valores entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
Falta de rastreabilidade motivou medida sanitária
A decisão de destinar os animais ao abate havia sido tomada pela Seapi após a constatação de irregularidades relacionadas à documentação do criatório.
De acordo com a secretaria, não foi apresentada comprovação suficiente sobre a procedência das aves e o estabelecimento também não possuía registro regular no Sistema de Defesa Agropecuária do Estado.
A falta dessas informações impede que o serviço veterinário reconstrua o histórico sanitário do plantel e identifique eventuais contatos com focos de doenças.
Entre as principais preocupações está a influenza aviária, enfermidade que exige vigilância constante devido ao risco de disseminação entre criações.
Polícia apura possível uso das aves em rinhas
Paralelamente à questão sanitária, a Polícia Civil conduz um inquérito para esclarecer qual era a finalidade dos animais mantidos nas propriedades investigadas.
As autoridades analisam materiais recolhidos durante as diligências, além de publicações em redes sociais, mensagens e outros elementos que podem indicar participação em rinhas de galos ou comercialização de aves destinadas a esse tipo de prática.
O delegado responsável pelo caso ainda pretende ouvir investigados e testemunhas, enquanto perícias seguem sendo realizadas.
Até o momento, não há conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos, e o procedimento policial continua aberto.
Operação encontrou cerca de 1,5 mil galos
O caso teve início após uma operação realizada em julho em propriedades localizadas em Gramado e Igrejinha, no Rio Grande do Sul.
Ao todo, aproximadamente 1,5 mil aves foram encontradas pelas autoridades durante as diligências. Parte delas ficou sob responsabilidade dos órgãos de defesa agropecuária para avaliação sanitária e definição de destino.
No criatório de Gramado, centenas de galos foram colocados à disposição da Seapi, dando origem posteriormente ao procedimento interrompido pela Justiça.
A situação das aves encontradas em outras propriedades ainda depende de avaliações administrativas específicas.
Destino dos animais dependerá de nova decisão
A liminar muda apenas o destino imediato das aves sobreviventes. A discussão sobre a legalidade da medida sanitária continuará no Judiciário, enquanto a Polícia Civil mantém a investigação sobre as suspeitas envolvendo o criatório.
Dessa forma, o abate de galos em Gramado permanece suspenso, mas tanto a situação dos animais quanto a eventual responsabilização dos investigados ainda dependem do avanço dos processos administrativo, judicial e policial.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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