O Grupo Wagron, formado pelo casal Agnaldo Mendes e Karla Torres Mendes, atua na produção de grãos e comercialização de insumos agrícolas, enfrentando dificuldades financeiras nos últimos anos, teve a recuperação judicial aprovada.
A Justiça concedeu a recuperação judicial (RJ) do Grupo Wagron, conglomerado agropecuário sediado em Primavera do Leste (MT), com um passivo declarado de R$ 41 milhões. A decisão foi proferida pelo juiz da 4ª Vara Cível de Rondonópolis, Renan Carlos Leão Pereira do Nascimento, que acatou o pedido do grupo nesta segunda-feira (13), garantindo a suspensão de todas as ações e execuções contra os requerentes pelo prazo de 180 dias.
O Grupo Wagron, formado pelo casal Agnaldo Mendes e Karla Torres Mendes, atua na produção de grãos e comercialização de insumos agrícolas, enfrentando dificuldades financeiras nos últimos anos.
A crise foi desencadeada por diversos fatores, como:
- Quebra de safra, com perdas significativas desde 2018 devido à seca prolongada.
- Intempéries climáticas, afetando a produção de grãos.
- Impactos da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia, que elevaram os custos de insumos agrícolas.
- Aumento da inadimplência de produtores rurais, comprometendo o fluxo de caixa do grupo.
O histórico mostra que, em 2018, uma seca severa reduziu pela metade a produtividade de uma área de 1,1 mil hectares, enquanto a safra de milho de 2020/2021 teve uma média de apenas 40 sacas por hectare, quando o esperado era 120 sacas.
Decisão judicial e próximos passos da recuperação judicial
O magistrado considerou que o grupo preenche os requisitos legais para a recuperação judicial, com perícia prévia comprovando a integração das empresas em um mesmo grupo econômico. A decisão determina que o casal apresente o plano de recuperação judicial em 60 dias e nomeia a empresa MPB Administração Judicial para gerir o processo.
Declarações do advogado
Segundo Allison Giuliano Franco e Sousa, advogado do Grupo ERS, responsável pelo caso, a recuperação judicial é a melhor alternativa para negociação do passivo e reestruturação financeira. Ele enfatizou que esse mecanismo permite reduzir juros abusivos, garantir a continuidade das atividades e manter os empregos existentes, dado que o grupo tem viabilidade econômica.
Sousa também alertou para uma possível alta nos pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário em 2025, impulsionada pelo aumento do dólar e a consequente elevação dos custos de produção, sem um acompahamento adequado nos preços das commodities.
“Esse descompasso entre o custo de produção e a venda dos produtos deve ampliar o endividamento dos produtores”, alertou.
Impacto da decisão para o setor agropecuário
A decisão da Justiça representa mais um caso de proteção judicial para produtores rurais em dificuldade, como é o caso do Grupo Wagron, reforçando a busca de soluções legais para manter a atividade agropecuária frente aos desafios econômicos e climáticos.
Especialistas apontam que a recuperação judicial tem sido um instrumento cada vez mais utilizado para garantir a sobrevivência do setor, permitindo a renegociação das dívidas e a reestruturação operacional das empresas afetadas.
O setor aguarda agora o desdobramento do plano de recuperação, que deverá contemplar estratégias de renegociação com credores, a adoção de medidas de controle de custos e a busca por maior eficiência na produção.
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