Nova JBS Viva terá participação igualitária entre os dois grupos e reunirá operações de produção, processamento e comercialização de couros; companhia terá capacidade para processar mais de 20 milhões de peças por ano, em uma operação que amplia a escala global de um dos principais coprodutos da pecuária bovina
A cadeia global do couro caminha para ganhar um novo gigante. A JBS e a Viva Holding assinaram, na terça-feira (15), o acordo definitivo para combinar parte de seus negócios de produção, processamento e comercialização de couros na JBS Viva, companhia que terá 50% de participação de cada grupo.
A estrutura prevista coloca a nova empresa em posição de liderança mundial no segmento. A JBS já havia informado, quando anunciou a operação originalmente, em novembro de 2025, que a JBS Viva teria capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano, reunindo 31 fábricas e mais de 11 mil colaboradores.
É justamente essa dimensão que aparece como destaque no material usado como referência, que apresenta a operação como a criação da “maior processadora de couro do mundo”.
O acordo assinado agora representa um avanço em relação ao anúncio realizado no ano passado, mas a operação ainda não está concluída. O fechamento depende do cumprimento das condições previstas entre as empresas e das aprovações necessárias, sem uma data definitiva anunciada.
JBS e Viva dividirão o controle
A estrutura societária foi desenhada para que nenhum dos grupos tenha sozinho o controle da companhia. JBS e Viva Holding terão, cada uma, 50% da JBS Viva, enquanto o Conselho de Administração poderá contar com até seis integrantes, divididos igualmente entre as duas partes.
Antes do fechamento, também serão realizadas reorganizações societárias para concentrar os ativos que efetivamente integrarão a companhia.
Do lado da JBS, os ativos de couro envolvidos na transação serão transferidos para a JBS Couros, que posteriormente será incorporada à JBS Viva. A Viva, por sua vez, deverá separar os negócios e ativos que permanecerão fora da nova sociedade.
O modelo mantém, portanto, uma governança compartilhada. Na estrutura anunciada anteriormente, a JBS ficou responsável pela indicação do presidente do Conselho e do diretor financeiro, enquanto os acionistas da Viva indicariam o CEO e o diretor de operações.
O que entra na nova gigante do couro
A JBS Viva reunirá ativos da JBS ligados à produção de couros no Brasil e em determinadas operações internacionais, além dos negócios da Viva voltados à produção de couro.
A combinação vai além dos curtumes. Também entram no negócio atividades da Viva relacionadas à fabricação e comercialização de produtos químicos utilizados no processamento do couro, ampliando a integração industrial da nova companhia.
Quando apresentou a operação ao mercado, a JBS afirmou que a companhia seria capaz de processar mais de 20 milhões de couros anualmente. A escala anunciada contempla 31 fábricas e mais de 11 mil trabalhadores.
A dimensão é particularmente relevante porque transforma um coproduto do abate bovino em matéria-prima de uma cadeia industrial que abastece setores como calçados, bolsas, móveis e revestimentos automotivos.
Segundo a própria JBS, o couro é um coproduto natural da cadeia de proteína bovina e sua transformação permite ampliar o valor obtido a partir do animal abatido.
Nem todos os negócios da JBS entrarão na operação
Apesar da escala, o acordo estabelece limites claros para os ativos que serão transferidos.
Os negócios de colágeno e gelatina das duas companhias permanecerão fora da JBS Viva. Também não integrarão a transação a operação de couros da JBS em Cactus, no Texas, nem determinados ativos da companhia localizados na Alemanha, Uruguai e México.
Essa separação é importante porque mantém sob estruturas distintas atividades que utilizam matérias-primas provenientes do próprio processamento bovino.
E haverá uma ligação comercial direta entre elas.
Couro cru sai da JBS e coprodutos retornam para gelatina e colágeno
O acordo prevê contratos de fornecimento entre as empresas. A JBS fornecerá à JBS Viva o couro cru originado em seus frigoríficos brasileiros, garantindo matéria-prima para o processamento da nova companhia.
No sentido contrário, a JBS Viva fornecerá à JBS aparas e raspas produzidas durante o beneficiamento das peles. Esse material será utilizado na fabricação de gelatina, colágeno e produtos relacionados — atividades que continuarão fora da joint venture.
Na prática, cria-se uma relação industrial entre a operação frigorífica, a nova empresa de couros e os demais negócios de aproveitamento dos coprodutos bovinos.
Couro ganha ainda mais peso na estratégia de agregação de valor
Para a pecuária, a dimensão da operação chama atenção por um motivo adicional: o couro está diretamente ligado ao aproveitamento econômico do animal além da carne.
Embora a remuneração do pecuarista não dependa exclusivamente do valor da pele, o desempenho dos coprodutos influencia a capacidade da indústria frigorífica de extrair valor de cada bovino processado. Couro, sebo, ossos, sangue e outros materiais integram uma extensa cadeia industrial paralela à carne.
Ao anunciar originalmente a JBS Viva, a companhia destacou justamente que a cadeia do couro permanece estratégica dentro de sua visão de geração de valor e sustentabilidade.
Com a assinatura do acordo definitivo, JBS e Viva avançam mais uma etapa para concentrar em uma única estrutura uma operação de escala global, conectando a oferta de peles originadas principalmente na indústria frigorífica a mercados como moda, calçados, mobiliário e indústria automotiva.
A conclusão da operação, porém, ainda depende das etapas regulatórias e societárias previstas. Até lá, as companhias permanecem operando separadamente.
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