
Os frigoríficos paralisados temporariamente não têm habilitações para a China, o mercado mais rentável. Férias coletivas são um instrumento corriqueiro para regular a oferta e demanda regional.
A JBS, maior indústria de carne do mundo, deu férias coletivas para os funcionários de sete frigoríficos de bovinos no Brasil, paralisando temporariamente os abates em unidades que vendem mais para o mercado interno.
As férias coletivas atingiram os abatedouros de Nova Andradina (MS), Pontes e Lacerda (MT), Colíder (MT), Alta Floresta (MT), Redenção (PA) é Tucumã (PA).
Em comum, os frigoríficos paralisados temporariamente não têm habilitações para a China, o mercado mais rentável. “O mercado interno não suporta os preços chineses”, avaliou uma fonte a par da decisão.
Analistas dizem que, além da concentração de vendas no mercado interno, as regiões onde estão os seis frigoríficos da JBS não têm grande oferta de gado de confinamento. No atual momento de entressafra, isso acaba reduzindo a oferta de boi, na margem.
Estruturalmente, porém, a disponibilidade de gado é positiva para os frigoríficos graças à inversão do ciclo da pecuária. Os bons resultados do Frigol no segundo trimestre, por exemplo, já mostraram isso.
Na indústria de carne bovina, as férias coletivas são um instrumento corriqueiro para regular a oferta e demanda regional, o que não significa que os pecuaristas aceitem sem reclamar.
Pecuaristas criticam
Em nota, a Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat) criticou a decisão de grandes frigorífico de paralisar a produção. A entidade de classe não menciona empresas específicas no comunicado.
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“Essa situação tem promovido transtornos e prejuízos incalculáveis aos produtores, principalmente os registrados nos últimos dias quando, coincidentemente, os frigoríficos promoveram quase que simultaneamente a extensão de suas escalas, baixando os valores da arroba do boi”, criticou a associação.
Procurada, a JBS não respondeu até a publicação desta reportagem.