Jalles Machado tem prejuízo de R$ 74 milhões no 1º tri da safra 2026/27

A receita líquida caiu 32,6%, para R$ 340,4 milhões, pressionada pelo menor volume comercializado e pelo ambiente de preços mais baixos para açúcar e etanol.

A Jalles Machado registrou prejuízo líquido de R$ 74,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2026/27, alta de 429,3% ante a perda de R$ 14,0 milhões em igual período da safra anterior. A receita líquida caiu 32,6%, para R$ 340,4 milhões, pressionada pelo menor volume comercializado e pelo ambiente de preços mais baixos para açúcar e etanol.

O Ebitda ajustado recuou 41,7%, para R$ 157,2 milhões. Com a inclusão dos efeitos da liquidação de hedge de açúcar e câmbio, o indicador ficou em R$ 269,4 milhões, queda de 2,8%.

El Niño exige planejamento e manejo antecipado para reduzir perdas e preservar o potencial produtivo das lavouras 

A receita operacional bruta somou R$ 397,1 milhões, queda de 30,9%. No mercado externo, a receita recuou 72,0%, para R$ 38,4 milhões, enquanto no mercado interno caiu 18,0%, para R$ 358,7 milhões. Segundo a companhia, além dos preços menores, a retração refletiu o menor volume comercializado e a estratégia de formação de estoques, principalmente de etanol, para buscar melhores oportunidades de venda ao longo da safra e na entressafra.

A administração afirmou que a política de hedge foi relevante para a proteção das margens diante do ambiente de preços mais pressionados. A liquidação de instrumentos financeiros de açúcar e câmbio somou R$ 112,2 milhões no trimestre, e as posições fixadas antes do início da safra estavam em preço médio de R$ 2.489 por tonelada, patamar “significativamente superior aos preços atuais de mercado”.

Para a companhia, a safra 2026/27 combina recuperação dos indicadores operacionais com um cenário ainda desafiador para os preços. “A alocação eficiente de capital, a disciplina comercial, a flexibilidade produtiva e a efetividade da política de hedge seguem como pilares fundamentais para a preservação de margens e a maximização da geração de valor sustentável”, afirmou a administração.

A dívida líquida encerrou junho em R$ 1,892 bilhão, alta de 2,3% em 12 meses. O caixa e aplicações somaram R$ 1,640 bilhão, alta de 8,8%, montante equivalente a 9,8 vezes a dívida de curto prazo e suficiente, segundo a companhia, para cobrir amortizações até a safra 2029/30. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, subiu de 1,3 vez para 1,6 vez. Segundo a Jalles, a alta da dívida líquida refletiu principalmente o menor fluxo de caixa operacional, em razão da maior estocagem de etanol para comercialização ao longo da safra 2026/27.

Cresce moagem de cana

A Jalles Machado moeu 3,129 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2026/27, alta de 10,1% ante igual período do ciclo anterior. A produtividade agrícola subiu 7,4%, para 89,6 toneladas por hectare, 6,1 t/ha acima da média do Centro-Sul, de 83,5 t/ha. A companhia atribuiu a recuperação às condições climáticas mais favoráveis, após uma safra marcada por eventos adversos em Goiás e Minas Gerais, e à consistência das práticas agronômicas.

“A melhor distribuição de chuvas ao longo da entressafra favoreceu o desenvolvimento dos canaviais”, afirmou a administração. Na Jalles, a produtividade média de 89,6 t/ha ficou acima da média do Centro-Sul, enquanto as unidades Jalles Machado e Santa Vitória registraram avanços de 14,8% e 6,8%, respectivamente. A produção total de ATR cresceu 11,5%, para 372,7 mil toneladas.

Segundo a companhia, o ritmo de moagem no início da safra também reduz a exposição a eventuais adversidades climáticas. “O ritmo consistente de moagem no início da safra reforça a capacidade de execução da Companhia e reduz sua exposição a eventuais adversidades climáticas, como o fenômeno El Niño”, afirmou. A estratégia permite realizar a colheita dentro da janela operacional mais adequada, preservando produtividade e eficiência.

A Jalles direcionou 67,7% do mix produtivo para etanol no trimestre, ante 52,3% um ano antes, enquanto a participação do açúcar caiu de 47,7% para 32,3%. A mudança considerou preços relativos, distância aos portos e incentivos fiscais. A produção de etanol cresceu 44,5%, para 148,8 milhões de litros, enquanto a de açúcar caiu 24,5%, para 114,8 mil toneladas.

Diante do patamar de preços do biocombustível, a companhia decidiu reter parte da produção. “Optamos por reter parte da produção para comercialização ao longo da safra, buscando capturar melhores condições de mercado”, afirmou. Os estoques de etanol chegaram a 81,2 milhões de litros no fim do trimestre, alta de 86,0% em relação a um ano antes.

No açúcar orgânico, a Jalles afirmou que as tarifas adicionais dos Estados Unidos sobre o produto brasileiro trouxeram “um novo elemento de incerteza ao ambiente comercial”. A companhia ponderou, porém, que parte das medidas também atingiu concorrentes como Argentina e Colômbia e disse que continuará acompanhando o cenário antes das negociações da safra, mantendo uma estratégia baseada em “disciplina de preços” e “preservação da rentabilidade”.

Nos investimentos, a companhia afirmou estar entrando em uma nova fase após a conclusão dos principais projetos estruturantes realizados nos últimos anos. A estratégia passa a priorizar a captura de retorno sobre o capital já investido, com foco em produtividade, eficiência operacional e preenchimento da capacidade das unidades. O capex de expansão somou R$ 2,5 milhões no trimestre, queda de 85,7% na comparação anual.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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