Nova ferramenta da upCampo permite consultar custos, produtividade, chuvas e estoques, registrar operações e criar relatórios personalizados; tecnologia também conecta os dados da propriedade ao ChatGPT e ao Claude
A gestão de uma fazenda envolve custos, estoques, produtividade, máquinas, ordens de serviço e uma grande quantidade de informações atualizadas diariamente. Agora, a inteligência artificial promete reunir esses dados em um ambiente já conhecido pelo produtor rural: o WhatsApp.
A upCampo lançou a UPí, ferramenta que transforma o aplicativo de mensagens em uma interface para a gestão da propriedade. Por meio de perguntas em linguagem natural, produtores, gestores e funcionários podem consultar informações, registrar operações e receber análises sem navegar por telas, formulários ou planilhas.
Perguntas como “Quanto já investimos em fertilizantes nesta safra?”, “Quais talhões ainda aguardam aplicação?” ou “Qual foi a produtividade histórica desta área?” podem ser respondidas em segundos, com base nos dados registrados na plataforma.
Na prática, a proposta é fazer com que a fazenda “responda” ao produtor.
WhatsApp vira ferramenta de gestão
A UPí permite consultar custos, chuvas, estoques, produtividade, ordens de serviço, frota e monitoramento de pragas diretamente pelo celular.

Também é possível registrar operações por mensagens. Em vez de preencher formulários, o funcionário informa o que foi realizado durante a conversa, facilitando a atualização dos dados por quem acompanha o trabalho no campo.
“Durante muitos anos, os sistemas de gestão exigiram que o usuário aprendesse onde estava cada informação e como executá-la no sistema. A UPí inverte essa lógica. Agora basta conversar com a fazenda”, afirma Jonas Rotilli, CEO da upCampo.
IA aponta o que merece atenção
O diferencial da UPí está na capacidade de cruzar dados agrícolas, operacionais e financeiros. A ferramenta não se limita a localizar uma informação dentro do sistema.
Ao perguntar sobre a produtividade histórica de um talhão, por exemplo, o produtor pode receber a série das safras anteriores, o melhor resultado já alcançado e uma comparação com fatores como variedade plantada e volume de chuva.
Custos acima do esperado, quedas de produtividade, atrasos nas operações e indicadores fora da média também podem aparecer destacados, mesmo que o usuário não tenha solicitado diretamente essa análise.
Assim, a inteligência artificial deixa de funcionar apenas como ferramenta de consulta e passa a ajudar na interpretação dos dados da propriedade.

Relatórios personalizados em poucos minutos
Além de responder perguntas, a IA pode organizar as informações da fazenda em relatórios e painéis personalizados. O produtor descreve o que deseja acompanhar, e a ferramenta monta tabelas, gráficos, indicadores e comparações.
É possível criar relatórios sobre:
- custos por fazenda, safra, cultura ou talhão;
- produtividade histórica e comparação entre áreas;
- chuvas acumuladas por período;
- monitoramento de pragas;
- estoques e insumos abaixo do nível mínimo;
- abastecimento, consumo e despesas das máquinas;
- ordens de serviço e operações pendentes;
- contratos, notas fiscais e movimentações financeiras;
- produção, armazenamento e pós-colheita.
A inteligência artificial também pode cruzar informações para mostrar como as chuvas afetaram o plantio, quais máquinas concentraram as maiores despesas ou quais áreas apresentaram custos acima da média.

O produtor ainda pode solicitar alterações por conversa: incluir filtros, comparar períodos, separar os resultados por fazenda ou transformar os números em gráficos. Conforme novos dados são registrados, os painéis podem ser atualizados, reduzindo o tempo gasto com planilhas.
Apesar da facilidade, as análises devem ser conferidas antes de orientar lançamentos financeiros ou decisões importantes.
Fazenda também chega ao ChatGPT e ao Claude
Depois do lançamento no WhatsApp, a upCampo criou um conector que liga os dados da propriedade diretamente ao ChatGPT e ao Claude.
A ideia nasceu de um hábito observado entre os clientes, que exportavam relatórios, inseriam os arquivos em ferramentas de inteligência artificial e solicitavam análises. Com a integração, não é mais necessário copiar dados ou enviar planilhas manualmente.
O usuário pode perguntar:
- Quanto choveu em cada talhão nos últimos 30 dias?
- Quais defensivos estão abaixo do estoque mínimo?
- Qual é o custo por hectare nesta safra?
- Quais máquinas apresentaram os maiores gastos?
- Como as chuvas afetaram o andamento do plantio?
A consulta é realizada no momento da pergunta, utilizando as informações disponíveis no sistema da fazenda.
“O conector é o passo seguinte: a conversa acontece onde a pessoa já está. Tem gestor que passa o dia no ChatGPT, tem consultor que trabalha com o Claude. Não faz sentido obrigar essa pessoa a abrir mais um sistema para saber quanto choveu ou quanto custou o talhão”, explica Rotilli.
Consultas e registros pelo assistente
O conector disponibiliza 17 ferramentas: 12 voltadas à consulta e cinco destinadas ao lançamento de informações.
Pelo assistente, o usuário pode registrar chuva, abastecimento de máquinas, abertura e execução de ordens de serviço e entrada de notas fiscais no estoque.
Antes de qualquer informação ser gravada, o sistema apresenta os dados e aguarda a confirmação do usuário. Segundo a empresa, nenhuma das ferramentas disponíveis realiza a exclusão de informações.
A integração pode ser útil para sócios, consultores, profissionais da controladoria e administradores que precisam acompanhar a fazenda, mas raramente acessam o sistema de gestão.
“Para os gestores e para os sócios, que estão às vezes à distância, é uma baita ferramenta. É uma ferramenta que eu acho fundamental”, afirma Thiago Dourado, de Formosa (GO).
Ewerton Luiz, de Lucas do Rio Verde (MT), também destaca a facilidade de uso: “Todos para quem mostramos se surpreendem”.
Entre os primeiros usuários do conector está Carlos Kochemborges, de Sapezal (MT). Ele passou a criar suas próprias visualizações dentro do assistente, acompanhando contratos, gastos de máquinas e notas fiscais.
“A gente faz muita coisa dentro do sistema, e agora a visualização a gente mesmo cria, do nosso jeito. Quero ver só os contratos? Peço e ele monta”, relata.
Carlos também ressalta que as respostas precisam ser verificadas. “Tem que saber fazer e conferir. Numa análise de abastecimento, peguei alguns erros e pedi para arrumar.”
Segurança segue as permissões da fazenda
A conexão utiliza o MCP — Model Context Protocol —, padrão aberto que permite ligar assistentes de inteligência artificial a sistemas externos.
O usuário autoriza a integração com o mesmo login utilizado na plataforma da upCampo e pode revogar o acesso a qualquer momento. O assistente visualiza apenas as fazendas e os assuntos que já estão liberados para aquela pessoa.
Segundo a empresa, o conector não armazena uma cópia dos dados. Cada informação é consultada no momento da pergunta. O histórico das conversas e dos painéis segue as regras e configurações da conta utilizada no ChatGPT ou no Claude.
Tecnologia construída com dados do campo
A UPí foi desenvolvida com base na experiência acumulada pela upCampo desde 2019. A empresa contabiliza mais de 16 milhões de hectares acumulados em atividades agrícolas, 72 mil atividades de campo, 65,4 mil levantamentos de pragas e mais de 260 mil fardos de algodão acompanhados.
Com o conceito “Converse com sua fazenda”, a companhia aposta que a gestão agrícola ficará cada vez mais próxima de uma troca de mensagens: o produtor pergunta, registra operações e analisa os resultados na mesma conversa.
A UPí está disponível para clientes do up.360. O conector funciona no Claude e, no ChatGPT, nos planos Business, Enterprise e Edu. Produtores interessados podem solicitar uma demonstração ou um período de teste pelos canais oficiais da upCampo.
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