Aviso de Grande Perigo entra em vigor no domingo e alcança 158 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul; Cemaden também aponta risco de enxurradas, alagamentos e nova elevação de rios
O cenário meteorológico para o primeiro fim de semana de outubro sofreu uma mudança importante nesta sexta-feira (2). O INMET emitiu alerta vermelho, nível de Grande Perigo, para tempestades em 158 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, válido durante todo o domingo (4). A previsão associada ao aviso admite chuva superior a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros no dia, rajadas de vento superiores a 100 km/h e queda de granizo.
A combinação coloca parte importante do cinturão agrícola do Centro-Sul sob atenção. O aviso alcança extensas áreas do oeste, sudoeste, centro-sul e noroeste do Paraná, oeste catarinense e extremo sul de Mato Grosso do Sul, incluindo municípios com forte produção de soja, milho, trigo, aves, suínos e leite. O INMET aponta grande risco de danos em edificações, interrupções no fornecimento de energia, estragos em plantações, queda de árvores, alagamentos e transtornos no transporte rodoviário.
O novo aviso representa uma mudança material em relação ao cenário disponível no início desta manhã.
Até então, a maior atenção estava concentrada nas tempestades sobre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e no risco hidrológico elevado previsto para sábado no Sudeste.
Agora, o foco também se desloca para a tempestade severa prevista no Centro-Sul no domingo.
Alerta vermelho vale durante todo o domingo
O aviso entra em vigor às 0h de domingo, 4 de outubro, e permanece válido até 23h59.
A classificação vermelha é o nível mais elevado utilizado pelo INMET.
Os parâmetros associados ao aviso são expressivos:
- chuva superior a 60 mm em uma hora;
- acumulados acima de 100 mm em um dia;
- rajadas superiores a 100 km/h;
- queda de granizo.
Isso não significa que todos os 158 municípios terão simultaneamente 100 mm de chuva, vento superior a 100 km/h e granizo. O alerta delimita uma área onde a atmosfera apresenta condições para ocorrência desses fenômenos.
A intensidade e a distribuição das tempestades deverão variar significativamente de um município para outro.
Paraná concentra a maior parte da área de Grande Perigo
O Paraná é o estado com maior número de municípios incluídos no alerta. O aviso alcança áreas do Centro Ocidental, Noroeste, Sudoeste, Oeste, Sudeste e Centro-Sul paranaense.
Entre os municípios aparecem alguns dos principais polos agropecuários do estado: Cascavel, Toledo, Campo Mourão, Guarapuava, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palotina, Marechal Cândido Rondon, Guaíra, Medianeira, Foz do Iguaçu e Umuarama, além de dezenas de outros.
É justamente essa distribuição que transforma o alerta em uma pauta particularmente relevante para o agronegócio. O oeste e sudoeste paranaense concentram produção expressiva de grãos e algumas das maiores cadeias de proteína animal do Brasil.
Santa Catarina também entra no nível máximo
Em Santa Catarina, o alerta vermelho alcança municípios principalmente do extremo oeste.
Estão na área indicada Anchieta, Campo Erê, Dionísio Cerqueira, Galvão, Guarujá do Sul, Jupiá, Novo Horizonte, Palma Sola, Princesa, São Bernardino, São Domingos, São José do Cedro e São Lourenço do Oeste.
A região possui forte presença de agricultura familiar, produção de milho, leite, aves e suínos.
Tempestades acompanhadas de vento intenso podem representar risco adicional para galpões, aviários, pocilgas, estruturas de armazenagem e redes elétricas rurais.
Mato Grosso do Sul também está no alerta vermelho
No Mato Grosso do Sul, o aviso de Grande Perigo alcança Eldorado e Mundo Novo, no extremo sul do estado. A localização é coerente com o corredor de instabilidade previsto para avançar entre o Paraguai, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Além do alerta meteorológico, o Cemaden já havia colocado a região intermediária de Campo Grande sob risco hidrológico moderado para domingo devido à possibilidade de pancadas de forte intensidade.
Cemaden reforça o risco para Paraná e Santa Catarina
O novo aviso do INMET ganha importância quando confrontado com outra previsão oficial.
Para domingo, o Cemaden considera MODERADA a possibilidade de eventos hidrológicos em todas as regiões intermediárias do Paraná e de Santa Catarina.
A instituição cita possibilidade de pancadas de forte intensidade capazes de provocar:
- extravasamentos pontuais de córregos;
- enxurradas;
- alagamentos urbanos.
O risco hidrológico moderado também alcança Passo Fundo e Ijuí, no Rio Grande do Sul. Portanto, são dois tipos diferentes de classificação. O alerta vermelho do INMET é meteorológico, relacionado à severidade potencial das tempestades. O risco moderado do Cemaden é hidrológico, relacionado às consequências possíveis da chuva sobre rios, córregos, drenagem e áreas vulneráveis.
Não há contradição entre eles.
Granizo pode atingir lavouras em fase sensível
Para o campo, o granizo é um dos componentes mais difíceis de antecipar.
Sua ocorrência normalmente é bastante localizada.
Uma tempestade pode provocar danos severos em uma propriedade e praticamente nenhum impacto poucos quilômetros adiante.
No Paraná, o período coincide com diferentes estágios de implantação das culturas de verão e com lavouras de inverno ainda presentes em determinadas regiões.
O principal risco agrícola de uma tempestade severa envolve desfolha, quebra de plantas, acamamento e danos físicos aos tecidos vegetais.
Em frutas e hortaliças, pedras de gelo podem provocar perdas mesmo quando o episódio dura poucos minutos.
Não é possível, entretanto, antecipar perdas antes da ocorrência.
Ventos acima de 100 km/h elevam risco para estruturas rurais
O componente de vento também merece atenção especial. O aviso admite rajadas superiores a 100 km/h dentro da área de Grande Perigo.
No meio rural, velocidades dessa magnitude podem representar risco para coberturas, galpões, aviários, estufas, silos leves, árvores e redes elétricas. Nas cadeias de aves, suínos e leite, uma interrupção prolongada de energia também pode produzir consequências indiretas. Ventilação, climatização, bombeamento de água, ordenha e refrigeração dependem de eletricidade em muitas propriedades tecnificadas. Por isso, a preparação não deve se limitar à lavoura.
Mais de 100 mm em um dia podem interromper operações agrícolas
Volumes superiores a 100 mm em 24 horas representam outro risco importante.
Quando grande quantidade de água cai em pouco tempo, parte dela pode não infiltrar no solo.
Aumenta o escoamento superficial e, consequentemente, o risco de erosão, enxurradas e danos em estradas rurais.
Áreas recém-plantadas ou com pouca cobertura do solo podem ser particularmente vulneráveis.
Também pode ocorrer interrupção temporária de operações mecanizadas.
Solo saturado reduz a capacidade de entrada de máquinas e aumenta o risco de compactação quando operações são realizadas antes que a umidade retorne a níveis adequados.
O Rio Grande do Sul ainda não terminou o episódio anterior
Enquanto uma nova rodada de instabilidade se aproxima, parte do Rio Grande do Sul continua lidando com a água acumulada anteriormente.
Na manhã desta sexta-feira, Ibicuí e Jacuí ainda permaneciam acima da cota de inundação em pontos monitorados, enquanto o Guaíba havia avançado sobre áreas baixas das ilhas de Porto Alegre.
O rio dos Sinos, por outro lado, apresentava estabilidade em São Leopoldo: às 9h15 estava em 4,08 metros, 42 centímetros abaixo da cota de inundação de 4,50 metros.
Esses são dados observados, não previsão.
E ajudam a entender por que a próxima chuva preocupa.
Bacia do Uruguai pode voltar a subir
O Cemaden prevê risco hidrológico moderado para partes do Rio Grande do Sul já no sábado.
A instituição inclui Santa Maria, Ijuí, Uruguaiana e Pelotas e alerta para possibilidade de nova elevação dos rios na bacia do Uruguai, com potencial para inundações.
No domingo, o risco se desloca e amplia.
Passo Fundo e Ijuí permanecem no radar, enquanto Paraná e Santa Catarina passam a ter todas as suas regiões intermediárias incluídas na classificação de risco moderado.
É exatamente nesse domingo que passa a valer o novo alerta vermelho do INMET.
Sudeste continua exigindo atenção no sábado
A mudança do foco para o Sul não significa que o risco anterior tenha desaparecido.
No sábado, o Cemaden mantém ALTA a possibilidade de eventos hidrológicos nas regiões intermediárias de Juiz de Fora, em Minas Gerais; Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo; e Petrópolis e Rio de Janeiro, no RJ.
A classificação considera a combinação entre chuva prevista e acumulados anteriores.
Outras áreas de Minas, Rio e Espírito Santo permanecem sob risco moderado.
Portanto, o fim de semana deverá apresentar dois núcleos distintos de atenção: o Sudeste no sábado e uma faixa do Centro-Sul com potencial de tempestades mais severas no domingo.
O calor extremo continua no interior do país
Existe ainda outro Brasil meteorológico acontecendo simultaneamente.
Enquanto tempestades avançam pelo Centro-Sul, áreas do interior continuam registrando calor extremo.
Na quinta-feira (1º), São João do Piauí atingiu 41,8 °C, maior temperatura registrada entre as estações citadas na atualização consultada.
Correntina, na Bahia, chegou a 41,6 °C; Peixe, no Tocantins, a 41,4 °C; Oeiras, no Piauí, a 41,2 °C; e Januária, no norte mineiro, a 41 °C.
Aqui estamos falando de temperaturas efetivamente observadas, e não de projeções.
Para a agricultura e pecuária, calor associado à baixa umidade aumenta evapotranspiração, demanda hídrica das culturas e risco de estresse térmico animal.
Fato, alerta, previsão e tendência
O cenário precisa ser separado com precisão.
- Fato observado: rios ainda permanecem acima da cota de inundação em pontos do Rio Grande do Sul e temperaturas ultrapassaram 41 °C no interior do Brasil.
- Alerta: o INMET colocou 158 municípios de PR, SC e MS em alerta vermelho de Grande Perigo para domingo, com possibilidade de chuva superior a 100 mm/dia, vento acima de 100 km/h e granizo.
- Previsão: o Cemaden projeta risco hidrológico moderado em todo Paraná e Santa Catarina no domingo e em partes de RS, SP, MG e MS.
- Tendência: a atmosfera continuará muito instável no Centro-Sul durante o fim de semana, e ajustes na localização e intensidade das tempestades ainda são possíveis.
Essa distinção evita transformar risco meteorológico em dano confirmado antes de o evento ocorrer.
Recomendações oficiais
Diante do alerta vermelho, o INMET orienta que, em situação de grande perigo confirmada, a população procure abrigo e evite permanecer ao ar livre.
Durante rajadas de vento, a recomendação é não buscar abrigo debaixo de árvores e evitar estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas.
Em caso de enxurrada, documentos e objetos de valor devem ser protegidos.
O instituto também recomenda desligar aparelhos elétricos e o quadro geral de energia quando houver condição segura para isso e buscar informações junto à Defesa Civil pelo 199 e Corpo de Bombeiros pelo 193.
No campo, produtores podem aproveitar a antecedência para verificar estruturas, retirar máquinas de áreas baixas, proteger insumos vulneráveis à água e revisar geradores em sistemas de produção animal que dependem de energia.
O domingo passa a ser o ponto crítico do fim de semana
O cenário mudou entre a madrugada e o fim desta manhã.
A previsão de chuva forte já existia.
O que surgiu agora foi um alerta meteorológico de nível máximo, abrangendo 158 municípios de três estados e uma região de enorme importância agropecuária.
O oeste paranaense aparece no centro dessa área.
O oeste catarinense também entra na faixa de Grande Perigo.
E o extremo sul de Mato Grosso do Sul completa o corredor.
A combinação de chuva acima de 100 mm em 24 horas, rajadas superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo não significa que todos esses fenômenos ocorrerão em todos os municípios.
Mas indica que a atmosfera poderá sustentar tempestades suficientemente severas para justificar o nível máximo de atenção oficial.
Para o agronegócio, domingo passa a ser o período mais importante para acompanhamento meteorológico no Centro-Sul do país.
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