Ilha paradisíaca na Califórnia planeja abater 2 mil cervos para reduzir risco de incêndios florestais

Primeira fase prevê a retirada de aproximadamente 200 animais em Catalina, enquanto entidades contrárias à medida mantêm disputa judicial

A Catalina Island Conservancy começará a remover cervos-mula da Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, após a Justiça negar um pedido para suspender a primeira etapa do projeto. A operação deve alcançar aproximadamente 200 animais entre setembro e outubro de 2026.

A entidade administra 88% da ilha e afirma que a espécie, introduzida no local no fim da década de 1920, impede a recuperação de plantas nativas e favorece gramíneas invasoras que queimam com maior facilidade. O plano completo prevê retirar quase toda a população estimada entre 1,8 mil e 2 mil cervos ao longo de quatro a cinco anos. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

A Catalina Island Conservancy começará a remover cervos-mula da Ilha de Santa Catalina, na Califórnia, após a Justiça negar um pedido para suspender a primeira etapa do projeto. A operação deve alcançar aproximadamente 200 animais entre setembro e outubro de 2026.

A entidade administra 88% da ilha e afirma que a espécie, introduzida no local no fim da década de 1920, impede a recuperação de plantas nativas e favorece gramíneas invasoras que queimam com maior facilidade. O plano completo prevê retirar quase toda a população estimada entre 1,8 mil e 2 mil cervos ao longo de quatro a cinco anos. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Abate de cervos na Ilha Catalina divide a comunidade

A retirada dos animais integra a Operation Protect Catalina Island, iniciativa de longo prazo que reúne controle de espécies invasoras, restauração da vegetação, proteção de recursos hídricos e prevenção de incêndios.

O Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia autorizou o projeto no início de 2026. A primeira fase servirá para avaliar métodos e equipamentos antes da ampliação da operação, prevista para 2027.

Profissionais contratados deverão atrair os cervos para pontos determinados e realizar disparos em solo. Nas etapas seguintes, poderão ser empregados equipamentos térmicos, drones e cães farejadores. A carne aproveitável deverá ser destinada a comunidades indígenas parceiras ou ao programa de conservação do condor-da-Califórnia.

A última temporada de caça para moradores da ilha está marcada para ocorrer entre 24 de outubro e 18 de dezembro de 2026. Um número limitado de cervos que circulam próximo à cidade de Avalon poderá ser esterilizado em vez de abatido.

Pesquisas apontam danos à vegetação nativa

Estudos realizados em Santa Catalina sustentam parte da justificativa ambiental. Uma pesquisa publicada em 2012 constatou que a herbivoria dos cervos reduziu o crescimento e aumentou a mortalidade de arbustos nativos durante a recuperação de áreas atingidas pelo fogo.

Outro estudo, publicado em 2016 na revista científica PeerJ, verificou que a exclusão dos cervos favoreceu o desenvolvimento e a produção de sementes da planta ameaçada Dudleya virens subsp. hassei, encontrada apenas naquela região.

Segundo os pesquisadores, a redução dos arbustos abre espaço para gramíneas anuais invasoras. Quando secas, essas plantas formam material combustível contínuo e podem acelerar a propagação das chamas.

Isso explica por que a presença de herbívoros não reduz automaticamente o risco de incêndio. O resultado depende das espécies consumidas, da quantidade de animais e das condições do ambiente. Em Fresno, por exemplo, um rebanho de cabras e ovelhas é utilizado de forma controlada para reduzir vegetação inflamável.

Oposição mantém questionamentos judiciais

A operação enfrenta resistência de moradores, defensores dos animais e organizações de caça. O Safari Club International e outras entidades entraram com uma ação contra o órgão ambiental da Califórnia, alegando falhas no processo de autorização e na avaliação de alternativas.

Em 3 de setembro, o juiz Curtis A. Kin negou o pedido de liminar que tentava impedir o começo dos trabalhos. A decisão permite a execução da etapa inicial, mas não representa o encerramento da ação principal.

Os opositores defendem medidas como esterilização, transferência dos animais e ampliação da caça recreativa. A Conservancy argumenta que capturar e acompanhar milhares de cervos em uma ilha montanhosa seria demorado, caro e arriscado para os próprios animais.

O caso evidencia um dilema também presente no meio rural brasileiro: espécies introduzidas podem provocar perdas ambientais e produtivas, mas seu controle exige critérios técnicos, autorização legal e acompanhamento contínuo. No Brasil, problema semelhante ocorre com o avanço de javalis e javaporcos em propriedades rurais.

O resultado da operação em Catalina deverá ser medido não apenas pelo número de cervos removidos, mas pela recuperação dos arbustos nativos, controle das gramíneas invasoras e evolução do risco de incêndios.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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