Jorge Alves Lopes, de 68 anos, visitava familiares em São João da Paraúna; segundo a família, ele tinha alergia ao inseto e foi levado ao hospital, mas não resistiu
Uma pescaria durante uma visita à família terminou com a morte de Jorge Alves Lopes, de 68 anos, em São João da Paraúna, no oeste de Goiás. Morador de Goiânia, ele foi picado por uma formiga no sábado, 10 de outubro, e levado ao hospital do município, onde houve tentativa de socorro, mas não resistiu. Segundo familiares, Jorge já tinha alergia ao inseto.
O episódio chama a atenção para um risco que também faz parte da realidade de quem trabalha ou passa momentos de lazer no campo: picadas de determinados insetos podem desencadear reações alérgicas graves em pessoas sensíveis. Embora muitos acidentes provoquem apenas dor e inchaço no local, uma reação generalizada pode comprometer a respiração e a circulação, exigindo atendimento imediato.
Visita ao irmão terminou em perda para a família
Jorge morava no bairro Jardim Nova Esperança, na capital goiana, e havia viajado para visitar o irmão. A pescaria fazia parte dos momentos de convivência com os familiares.
Segundo o sobrinho Daniel Lopes, um parente estava com Jorge quando ocorreu o incidente. Após a picada, ele foi transportado rapidamente para o hospital de São João da Paraúna. A família não soube identificar a espécie da formiga.
Ao recordar o tio, Daniel destacou sua dedicação ao trabalho, o bom humor e as histórias que compartilhava. O sobrinho também contou que Jorge frequentemente demonstrava vontade de voltar à cidade para pescar com o irmão.
Picada de formiga pode provocar reação grave
A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) explica que o veneno de alguns tipos de formigas, assim como o de abelhas e vespas, pode causar anafilaxia, uma reação alérgica rápida e potencialmente fatal.
Em pessoas alérgicas, uma única ferroada pode ser suficiente para desencadear um quadro grave. Essa condição é diferente da reação tóxica provocada pela grande quantidade de veneno recebida em um ataque com múltiplas ferroadas.
O Ministério da Saúde também reconhece que acidentes com formigas podem apresentar complicações alérgicas capazes de levar à morte. No caso de Jorge, o histórico de alergia foi relatado pelos familiares; a espécie envolvida não foi identificada nas informações disponíveis.
Sinais que exigem atendimento imediato
Uma reação que ultrapassa o local da picada precisa de atenção. De acordo com orientações da ASBAI, os sinais de anafilaxia podem incluir:
- Dificuldade para respirar ou sensação de fechamento da garganta;
- Coceira e placas avermelhadas espalhadas pelo corpo;
- Mal-estar, dor abdominal, náusea ou diarreia;
- Queda da pressão, tontura ou desmaio;
- Perda de consciência.
Diante de sinais de reação grave, o atendimento de emergência deve ser acionado imediatamente pelo Samu, no telefone 192. Não se deve aguardar a piora do quadro para buscar ajuda.
A ASBAI ressalta que a adrenalina é o tratamento de primeira escolha para a anafilaxia. Antialérgicos e corticoides não substituem esse medicamento nem devem atrasar sua administração. Pessoas que possuem um autoinjetor prescrito precisam seguir o plano de emergência e o treinamento recebidos do profissional de saúde.
Histórico de alergia merece atenção na rotina do campo
Para trabalhadores de lavouras, moradores de áreas próximas a florestas e pessoas expostas a insetos, conhecer uma alergia anterior é uma informação importante para organizar a prevenção e a resposta a emergências. Segundo a ASBAI, quem já apresentou reação sistêmica a uma ferroada pode voltar a desenvolver esse tipo de reação em um novo acidente.
Após uma reação grave, a recomendação é procurar um especialista em Alergia e Imunologia para investigar o agente desencadeante e definir medidas de proteção. Esse acompanhamento pode incluir a prescrição de adrenalina autoinjetável e orientações para que familiares reconheçam os sintomas e saibam agir.
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