
Um cruzamento entre raças se tornou uma virada de chave no mundo pecuário, um em especial destacou-se: “O cruzamento entre as raças Holandesa e Angus é chamado de Holgus”; Esse gado está mudando a pecuária com o beef-on-dairy
A inovação genética no setor pecuário vem sendo impulsionada por cruzamentos que buscam maximizar o potencial de produção de carne de qualidade. Um exemplo notável desse avanço é o cruzamento entre a raça Holandesa, reconhecida pela sua elevada aptidão leiteira, e a raça Angus, famosa pela carne premium e originária da Escócia. Esse cruzamento, chamado Holgus, combina as melhores características de ambas as raças, criando uma nova geração de bovinos que atendem tanto à demanda de carne quanto à eficiência produtiva em sistemas leiteiros.
Cruzamento de Angus com raças leiteiras resulta em cortes de carne premium. Entretanto, é preciso entender algumas diferenças. Um propósito que começou em pequenas propriedades leiteiras, que buscavam otimizar os recursos e maximizar os ganhos, começaram a cruzar algumas de suas vacas com sêmen de touros de corte, buscando produzir animais F1 onde o macho teria maior aptidão para produção de carne. Essa, no entanto, tornou-se uma grande jogada para a pecuária mundial.
O modelo de produção traz para o Brasil uma tendência mundial que faz sucesso nos Estados Unidos. É o chamado Beef on Dairy, expressão usada pelos norte-americanos para descrever a prática de cruzar vacas leiteiras com touros de raças de corte.
O que é o Beef-on-Dairy?
Nos Estados Unidos, o sistema conhecido como Beef-on-Dairy vem ganhando espaço nas fazendas e confinamentos. Esse modelo de produção envolve a utilização de bezerros machos de vacas leiteiras para o mercado de carne, em vez de serem descartados. O cruzamento com a raça Angus é uma estratégia que eleva a qualidade do produto final, resultando em carne premium e de maior valor no mercado.
No Brasil, essa prática tem se expandido rapidamente, com pecuaristas adotando o cruzamento entre vacas Holandesas e touros Angus para aumentar a rentabilidade das propriedades leiteiras, o animal produzido é conhecido mundialmente como Holgus. Um exemplo da produção desse animal foi destaque na Expointer 2024, o cruzamento da raça Angus com matrizes leiteiras britânicas das raças Holandês e Jersey deu origem a cortes de carnes premium dentro do Programa Carne Angus Certificada.
Com isso, muitos confinamentos vêm surgindo, como um exemplo impressionante de uma fazenda que está finalizando a obra de uma unidade de confinamento para 150.000 bezerros Holgus confinados, mostrando a escala e o potencial desse sistema no país americano.
“O resultado é uma carne de qualidade, com ótimo marmoreio, muito utilizada para atender as exportações norte-americanas de carne premium”, explica Ana Doralina, gerente do Programa Carne Angus Certificada.

Vantagens do cruzamento Holgus
O cruzamento Holgus tem gerado animais com características distintas, que são altamente valorizadas no mercado. Entre as vantagens estão:
- Maior ganho de peso: A combinação das características da raça Angus, que possui excelente conversão alimentar, com a robustez da raça Holandesa, resulta em animais com alto rendimento de carcaça.
- Qualidade da carne: A marmorização da carne, marca registrada do Angus, é mantida nos cruzados, oferecendo ao consumidor uma carne macia e suculenta, que tem uma grande demanda no mercado premium.
- Aproveitamento de vacas leiteiras: Em vez de descartar bezerros machos de vacas Holandesas, como é comum em sistemas puramente leiteiros, o Beef-on-Dairy permite que esses animais sejam direcionados para a produção de carne, maximizando o retorno financeiro das propriedades.

Holgus: Crescimento do sistema Beef-on-Dairy
Em países como os EUA, o sistema Beef-on-Dairy já é uma realidade consolidada, sendo adotado por inúmeras fazendas que buscam aumentar a lucratividade. No Brasil, esse modelo está ganhando força, principalmente devido ao aumento da demanda por carne premium e à possibilidade de integrar sistemas de produção de leite e carne em uma mesma propriedade .
Fazendas que adotam esse sistema relatam um aumento significativo na eficiência produtiva, com confinamentos que chegam a abrigar dezenas de milhares de animais em ciclos produtivos rápidos e bem controlados. A integração genética promovida pelo cruzamento Holgus, aliada à utilização de confinamentos e técnicas modernas de manejo, tem mostrado resultados promissores para o futuro da pecuária brasileira.
Destaque para mercado no Brasil
Agora, os primeiros cortes deste cruzamento estão sendo conduzidos pela Cooperativa CooperAliança, em Guarapuava (PR), frigorífico parceiro do Programa Carne Angus Certificada e reconhecido pela excelência na produção de carne premium.
“Este ano começamos a receber este tipo de animal para abate e tivemos uma grata surpresa. Os animais fruto do acasalamento com o touro Angus, manejados intensivamente desde o nascimento, produzem carne de extrema qualidade, com bom formato e rendimento de cortes e muito marmoreio”, conta o Gerente de Fomento CooperAliança, Robson Ueno.
Além de impulsionar o volume de produção de carne premium dentro do programa, a Associação Brasileira de Angus destaca que o modelo traz benefícios significativos aos criadores. Para os produtores de Angus, abre um mercado importante para a venda de sêmen de touros da raça.
Já para os criadores de Holandês e Jersey, oferece uma oportunidade de diversificação do negócio, trazendo novas fontes de renda em um cenário de margens tão estreitas na comercialização do leite.
Em resumo, o cruzamento entre as raças Holandesa e Angus, o Holgus, representa uma tendência crescente no agronegócio, especialmente no contexto do Beef-on-Dairy, e destaca o potencial de maximizar a produtividade tanto em sistemas leiteiros quanto de corte.

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