Greening avança nos pomares e exige reação rápida dos citricultores brasileiros

Sem cura para plantas infectadas pelo Greening, ou HLB, ameaça produtividade e longevidade dos laranjais; controle do psilídeo e manejo integrado estão entre as principais estratégias para reduzir a disseminação da doença

O Brasil ocupa posição estratégica na citricultura mundial e responde por uma parcela decisiva do suco de laranja comercializado internacionalmente. Por trás dessa liderança, porém, cresce uma preocupação dentro dos pomares: o avanço do greening, ou HLB, considerado a doença mais destrutiva dos citros e um dos principais desafios para a manutenção da produção brasileira nos próximos anos.

A doença compromete gradualmente as plantas, provoca amarelecimento das folhas, queda prematura e deformação dos frutos, reduz a produtividade e pode encurtar drasticamente a vida útil dos pomares. O problema se torna ainda mais grave porque não existe atualmente um tratamento capaz de curar uma árvore infectada, tornando prevenção, identificação precoce e controle do inseto vetor fundamentais.

Segundo informações técnicas divulgadas pela UPL Brasil, duas variantes bacterianas estão associadas à ocorrência da doença no país: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas), predominante nas plantas contaminadas, e Candidatus Liberibacter americanus (CLam).

Psilídeo é peça-chave na disseminação

A transmissão ocorre principalmente por meio do psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), pequeno inseto que se alimenta da seiva das plantas e pode transportar as bactérias entre árvores e propriedades.

O risco aumenta especialmente durante períodos de brotação, quando há tecidos jovens altamente atrativos ao inseto. Por isso, monitorar a presença do psilídeo e reduzir sua população são pontos centrais no enfrentamento ao greening.

“Diversos levantamentos mostram que, no Brasil, duas variantes de bactérias são responsáveis pela doença: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas), presente em mais de 99% das árvores contaminadas, e Candidatus Liberibacter americanus (CLam)”, explica Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil.

O especialista destaca que o manejo exige acompanhamento constante do pomar e ações integradas. Uma vez confirmada a contaminação, a eliminação das plantas doentes faz parte das medidas sanitárias utilizadas para reduzir fontes de inóculo e dificultar a disseminação da bactéria.

Combate ao greening exige estratégia integrada

Diante da complexidade do HLB, o manejo não pode depender de uma única ferramenta. Entre as medidas adotadas pela citricultura estão monitoramento frequente, identificação e eliminação de plantas sintomáticas, controle do psilídeo, utilização de mudas sadias e manejo coordenado das áreas produtoras.

A UPL também aposta em tecnologias complementares voltadas às respostas fisiológicas das plantas. Segundo Mariana Yama, gerente de produtos da companhia, uma das linhas de pesquisa envolve peptídeos sinalizadores.

“Essas moléculas funcionam como sinais químicos que são reconhecidos pela própria planta e desencadeiam a ativação coordenada de seus mecanismos naturais de defesa”, afirma.

A empresa lançou recentemente o Strakor, desenvolvido em parceria com a Elemental Enzymes. Segundo a UPL, a tecnologia utiliza peptídeos sinalizadores e foi registrada no Brasil para integrar as estratégias de manejo do greening. A solução não deve ser confundida com uma cura para árvores contaminadas, mas integra o conjunto de ferramentas destinadas ao manejo da doença.

Outra frente continua sendo o combate direto ao vetor. A companhia cita o inseticida Sperto como uma das opções de seu portfólio para controle do psilídeo. A estratégia proposta combina o manejo do inseto transmissor com tecnologias destinadas a favorecer os mecanismos naturais de defesa das plantas.

Proteção do pomar começa antes da infecção

Na prática, o desafio imposto pelo greening reforça uma mudança importante na citricultura: esperar os sintomas aparecerem pode significar chegar tarde ao problema. A proteção econômica do pomar depende cada vez mais de prevenção, monitoramento e ações coordenadas entre produtores de uma mesma região.

Isso ocorre porque o psilídeo não respeita os limites das propriedades. Mesmo áreas bem manejadas podem permanecer expostas quando existem plantas infectadas ou populações elevadas do vetor nas proximidades.

“Quanto mais cedo e assertiva for a intervenção, maiores são as chances de reduzir o avanço da doença e aumentar a longevidade dos pomares”, ressalta Mariana Yama.

Para uma cadeia que sustenta a liderança brasileira no mercado mundial de suco de laranja, conter o greening deixou de ser apenas uma questão fitossanitária e passou a ser também uma questão econômica. Reduzir a disseminação do HLB significa proteger produtividade, investimentos de longo prazo e a própria competitividade da citricultura brasileira.

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