Alta incidência de greening leva governo paulista a atualizar as regras de controle da doença que ameaça a citricultura nacional e mundial.
A alta incidência de greening levou o Governo de São Paulo a adotar uma nova classificação fitossanitária para os municípios do estado. Com a publicação da Portaria Defesa nº 46/2026, aproximadamente 75% das cidades paulistas passam a ser enquadradas como áreas de alta incidência da doença, considerada a mais destrutiva da citricultura mundial. A medida busca tornar as estratégias de combate mais compatíveis com a realidade de cada região produtora.
A nova metodologia utiliza dados consolidados dos relatórios semestrais e levantamentos realizados pela Defesa Agropecuária, considerando informações de, no mínimo, 10% das propriedades cadastradas com cultivo de citros ou levantamentos amostrais. A classificação será revisada anualmente, sempre no mês de maio, com base nos dados do ano anterior.
Regras passam a variar conforme a incidência da doença
A principal mudança está nas exigências para erradicação das plantas contaminadas.
Nos municípios classificados como de alta incidência, produtores que possuem árvores adultas infectadas deixam de ser obrigados a erradicá-las compulsoriamente, desde que mantenham o manejo adequado da doença. A eliminação obrigatória permanece apenas para plantas com até três anos de idade.
Já nas cidades enquadradas como de baixa incidência, a erradicação continua sendo obrigatória para todas as plantas contaminadas, independentemente da idade. A estratégia busca evitar que a doença avance para regiões onde sua presença ainda é considerada mais controlada.
Objetivo é fortalecer o combate ao greening
Segundo o chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Alexandre Paloschi, a nova classificação pretende incentivar os municípios com forte presença da citricultura a intensificarem as ações de controle da doença e a eliminação das plantas doentes.
A atualização também procura equilibrar a proteção fitossanitária com a realidade enfrentada pelos citricultores em regiões onde o greening já está amplamente disseminado, permitindo que o manejo seja mais eficiente sem comprometer a produtividade dos pomares.
Transporte de frutos também terá novas exigências
Além da classificação dos municípios, a portaria atualiza as regras para o transporte interestadual de frutos cítricos.
A partir da nova regulamentação, frutas destinadas a outros estados deverão passar por processamento e escovação antes do transporte, eliminando folhas e ramos que possam servir de abrigo ao psilídeo, inseto responsável pela transmissão da bactéria causadora do greening. A exceção é a tangerina Ponkan, que possui regras específicas.
Doença continua sendo o maior desafio da citricultura
O greening, também conhecido como HLB (Huanglongbing), não possui cura e provoca queda prematura dos frutos, redução da produtividade e, em casos mais severos, a morte das plantas.
Por esse motivo, o controle do inseto vetor, a utilização de mudas sadias e o monitoramento constante dos pomares continuam sendo as principais ferramentas para reduzir os impactos da doença. Com a nova classificação dos municípios paulistas, a expectativa é que as medidas de manejo sejam direcionadas de forma mais eficiente, contribuindo para preservar a competitividade da citricultura brasileira, líder mundial na produção e exportação de suco de laranja.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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