Primeiro leilão da Conab para formação de estoques públicos começa às 9h e poderá adquirir produção do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; operação ocorre após forte queda da área plantada e busca ampliar a segurança do abastecimento diante dos possíveis efeitos do El Niño
O mercado brasileiro de arroz começa esta quarta-feira (16) com um comprador de peso entrando em cena. A Conab realiza, a partir das 9h, o primeiro leilão para aquisição de até 127,33 mil toneladas de arroz destinadas à formação de estoques públicos.
A operação integra um conjunto de medidas preventivas diante dos possíveis efeitos do El Niño. O governo autorizou até R$ 500 milhões para a compra do cereal, justamente após uma safra marcada por forte redução da área plantada e da produção brasileira.
Na temporada 2025/26, a área destinada ao arroz caiu 14%, para cerca de 1,52 milhão de hectares, enquanto a produção recuou 13,2%, chegando a aproximadamente 11,08 milhões de toneladas.
Quanto arroz a Conab pretende comprar?
O Aviso nº 63 estabelece a aquisição máxima de 127,33 mil toneladas de arroz em casca, Tipo 1, classe longo-fino, da safra 2025/26.
Do volume previsto, 102,08 mil toneladas terão entrega no Rio Grande do Sul e outras 25,25 mil toneladas em Santa Catarina.
O pregão será eletrônico, pelo Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab (Siscoe). Produtores e cooperativas poderão participar desde que atendam às exigências cadastrais previstas no aviso.
Por que o governo está comprando arroz?
O principal objetivo é recompor os estoques públicos e criar uma reserva diante de eventuais problemas futuros de oferta.
A operação foi autorizada pela Portaria Interministerial nº 20, de 2 de setembro, dentro das medidas de mitigação dos possíveis impactos do El Niño.
Isso não significa que exista atualmente falta de arroz no país. A estratégia é preventiva, especialmente porque a redução dos preços nos últimos ciclos afetou a rentabilidade dos produtores e estimulou a migração de áreas para culturas como soja e milho.
Mesmo com a produtividade média aumentando 1%, para 7.303 kg por hectare, a redução da área derrubou a produção nacional na última safra.
Próxima safra ainda inspira atenção
A recuperação da área deverá ser pequena em 2026/27. A primeira projeção da Conab aponta 1,53 milhão de hectares, avanço de apenas 0,9%.
A produção poderá cair novamente, para 10,76 milhões de toneladas, redução de 2,9%. A produtividade inicial projetada é de 7.032 kg por hectare, 3,7% abaixo da temporada anterior.
As estimativas ainda são preliminares e poderão mudar conforme o plantio avance e as condições climáticas se confirmem.
Compra pode criar demanda adicional no mercado
Depois de meses de pressão, os preços do arroz começaram a apresentar recuperação desde o fim de julho. Ainda assim, segundo a Conab, a melhora não foi suficiente para recompor integralmente as margens dos produtores.
Nesse cenário, a entrada do governo como comprador adiciona demanda ao mercado, embora as 127,33 mil toneladas representem pouco mais de 1% da produção brasileira da safra 2025/26.
O impacto dependerá principalmente do volume efetivamente negociado e dos preços fechados no leilão.
A atenção estará especialmente voltada para o Rio Grande do Sul, destino de cerca de 80% do volume previsto nesta primeira operação.
Governo tem até R$ 500 milhões para as compras
O leilão desta quarta-feira é apenas a primeira etapa da estratégia. A Portaria Interministerial nº 20 autorizou até R$ 500 milhões para aquisição de arroz destinado aos estoques públicos, o que abre espaço para novas operações.
Com a área plantada 14% menor na última safra, produção em queda e incertezas climáticas para o próximo ciclo, o governo tenta formar estoques antes que eventuais problemas de oferta apareçam.
Agora, o mercado acompanhará o resultado do pregão para saber quanto das 127,33 mil toneladas previstas efetivamente será adquirido pela Conab e a quais preços.
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