Google fecha seu maior acordo de remoção de carbono e aposta em lavouras de arroz do RS

Projeto com a Terradot pretende atuar em mais de 200 mil hectares e combina mudanças na irrigação do arroz com aplicação de rocha triturada para reduzir gases de efeito estufa

O Google anunciou nesta quarta-feira (16) seu maior acordo de remoção de carbono até hoje, com um projeto voltado para áreas agrícolas do Rio Grande do Sul. Desenvolvida pela Terradot, a iniciativa deverá abranger mais de 200 mil hectares e reúne duas estratégias diferentes: reduzir as emissões de metano nas lavouras de arroz e retirar dióxido de carbono da atmosfera por meio do intemperismo acelerado de rochas.

A expectativa anunciada pelas empresas é gerar créditos correspondentes a 1 milhão de toneladas de redução de metano até 2030 e mais 1 milhão de toneladas de remoção de carbono até 2040. Os resultados das duas frentes serão contabilizados separadamente.

Como o projeto vai funcionar nas lavouras de arroz

Uma das frentes envolve mudanças no manejo da água dos arrozais. O projeto pretende utilizar a técnica conhecida como molhamento e secagem alternados, na qual a área não permanece continuamente inundada durante todo o ciclo.

A alternância reduz os períodos em que o solo permanece sem oxigênio, condição que favorece a ação de microrganismos responsáveis pela formação de metano. O gás tem forte efeito sobre o aquecimento global, e as lavouras de arroz são uma das fontes agrícolas relevantes dessas emissões.

A discussão sobre sistemas produtivos com menor emissão já faz parte da agenda da rizicultura gaúcha. Em fevereiro, estratégias de manejo para diminuir gases de efeito estufa estiveram entre os temas da Abertura Oficial da Colheita do Arroz.

Rocha triturada entra na segunda etapa

Além do manejo da água, a Terradot pretende aplicar rochas vulcânicas trituradas sobre os solos agrícolas. A tecnologia é conhecida como intemperismo acelerado de rochas e busca intensificar uma reação que já ocorre naturalmente no ambiente.

Quando determinados minerais entram em contato com água e dióxido de carbono, ocorrem reações químicas que consomem CO₂. Ao triturar a rocha, aumenta-se a superfície disponível para essas reações, acelerando o processo natural.

O desafio está em comprovar quanto carbono foi efetivamente removido. Por isso, medições e protocolos de verificação terão papel central na geração dos créditos previstos pelo projeto.

O tema se conecta à expansão de mecanismos de mensuração e rastreabilidade no campo, que também vêm aumentando a procura por inventários de emissões e projetos de carbono em propriedades rurais.

Por que o Rio Grande do Sul foi escolhido

O Rio Grande do Sul concentra grande parte da produção brasileira de arroz irrigado e reúne áreas extensas onde o manejo da água já faz parte da rotina produtiva. Essa escala torna o estado estratégico para testar tecnologias climáticas em condições comerciais.

A própria dimensão do projeto mostra isso: os mais de 200 mil hectares previstos representam uma área expressiva dentro da rizicultura gaúcha. A colheita estadual de 2025/26 ocorreu em aproximadamente 892 mil hectares, segundo levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz citado em abril.

Para o produtor, entretanto, ainda existem questões em aberto. As empresas não divulgaram quanto será pago aos participantes, como os ganhos com os créditos serão distribuídos nem quais custos ficarão sob responsabilidade das propriedades.

Google amplia aposta em remoção de carbono

A parceria entre Google e Terradot não começou agora. A empresa de tecnologia já havia investido na startup e firmado contratos anteriores relacionados ao intemperismo acelerado.

O novo negócio amplia significativamente essa aposta ao combinar, em uma mesma região agrícola, redução de emissões e remoção de carbono. Segundo a Reuters, o custo total do acordo não foi revelado.

O projeto também poderá servir de referência para outros países produtores de arroz. Índia e Vietnã estão entre os mercados citados como possíveis destinos de iniciativas semelhantes caso o modelo consiga demonstrar resultados em escala.

Nas lavouras gaúchas, os próximos anos deverão mostrar se a combinação entre manejo da irrigação e aplicação de rochas consegue entregar as reduções previstas sem comprometer produtividade e rentabilidade. Para o setor agrícola, esse será um dos principais pontos a acompanhar à medida que os primeiros resultados forem medidos.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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