Glifosato volta ao centro de disputa bilionária após nova jogada da Bayer

Bayer transferiu para a Ruveon as principais operações ligadas ao Roundup nos Estados Unidos, em movimento visto pelo mercado como tentativa de reorganizar riscos jurídicos e estratégicos envolvendo o glifosato

A decisão da Bayer de criar uma empresa dedicada às operações com glifosato nos Estados Unidos voltou a colocar o herbicida no centro de uma disputa bilionária. A medida concentra em uma nova estrutura os negócios ligados ao Roundup e reacende discussões sobre os passivos jurídicos acumulados pela companhia, além de abrir espaço para interpretações sobre uma possível reorganização mais ampla dentro da divisão agrícola.

A companhia transferiu para a Ruveon as atividades de produção, precificação, comercialização e gestão legal relacionadas ao Roundup no mercado norte-americano. Oficialmente, a Bayer afirma que a mudança já fazia parte do planejamento estratégico da área agrícola. No entanto, parte dos investidores interpretou o movimento como uma forma de separar riscos e proteger outras operações da empresa. Após o anúncio, as ações da Bayer registraram alta superior a 5% na Bolsa de Frankfurt.

O ponto mais sensível continua sendo a disputa judicial envolvendo o glifosato. Há mais de uma década, a empresa enfrenta ações nos Estados Unidos que relacionam o uso do herbicida a casos de câncer. Segundo a própria Bayer, os valores desembolsados no caso já ultrapassam US$ 10 bilhões desde a aquisição da Monsanto, operação que trouxe o Roundup para dentro do portfólio da companhia.

A reorganização veio poucos dias depois de uma decisão favorável da Suprema Corte dos Estados Unidos. O tribunal entendeu que a Bayer não poderia ser responsabilizada por deixar de incluir no rótulo um alerta sobre risco de câncer que não era exigido pela agência ambiental norte-americana. A decisão fortaleceu a defesa jurídica da empresa, mas não encerrou a pressão sobre o tema.

Além da frente judicial, a Ruveon também pediu investigações contra importações chinesas de glifosato, alegando que fabricantes da China estariam sendo favorecidos por subsídios estatais. Para analistas, a nova estrutura pode facilitar uma venda futura, reduzir a exposição a processos ou preparar uma reorganização mais profunda. A Bayer nega, por enquanto, qualquer cisão no curto prazo, mas a possibilidade voltou ao radar do mercado.

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