Nova unidade da CHS, em Wisconsin, ampliará fortemente a capacidade de esmagamento da cooperativa e terá produção voltada aos mercados de alimentos, rações e combustíveis renováveis
A CHS, maior cooperativa agrícola pertencente a produtores dos Estados Unidos, está avançando com um projeto de aproximadamente US$ 700 milhões para construir uma nova planta de processamento de soja nas proximidades de Evansville, em Wisconsin. Quando entrar em operação, a fábrica terá capacidade para esmagar 80 milhões de bushels de soja por ano, equivalentes a cerca de 234 mil bushels por dia.
O empreendimento deverá transformar esse volume em aproximadamente 1 bilhão de libras de óleo de soja e 2 milhões de toneladas de farelo por ano, atendendo mercados de alimentação humana, nutrição animal e combustíveis renováveis. A expansão ocorre em um momento no qual os Estados Unidos aumentam o processamento doméstico da oleaginosa e reduzem proporcionalmente a parcela da produção direcionada diretamente à exportação. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Nova fábrica de soja elevará capacidade da CHS em cerca de dois terços
A unidade de Evansville será incorporada à estrutura de processamento que a CHS já mantém em Fairmont e Mankato, ambas em Minnesota. Juntas, essas duas plantas processam aproximadamente 119 milhões de bushels de soja por ano.
Com os 80 milhões de bushels previstos para Wisconsin, a capacidade de processamento de soja da cooperativa deverá aumentar em aproximadamente dois terços, segundo os cálculos divulgados pela própria companhia.
A escala do empreendimento também aparece na logística prevista. A planta foi projetada para descarregar soja a uma velocidade de até 40 caminhões por hora, com capacidade para receber até 1.000 caminhões por dia. O projeto contará ainda com ligação ferroviária e acesso aos principais corredores rodoviários e fluviais da região.
Esse tipo de estrutura permite que a indústria compre matéria-prima de uma área mais ampla e, ao mesmo tempo, distribua óleo e farelo por diferentes rotas, reduzindo a dependência de apenas um modal de transporte.
Wisconsin oferece produção de soja e demanda por farelo
A escolha do sul de Wisconsin foi baseada em uma combinação de oferta de grãos, consumo regional de farelo e infraestrutura logística.
Dados do USDA mostram que Wisconsin produziu 113,12 milhões de bushels de soja em 2025, com produtividade média de 56 bushels por acre. Para 2026, a estimativa disponível em 8 de outubro aponta 122,1 milhões de bushels, obtidos em aproximadamente 2,22 milhões de acres colhidos.
A capacidade anual da futura fábrica, portanto, corresponderá a uma parcela relevante da produção estadual, embora a CHS deixe claro que a unidade também poderá receber soja de regiões próximas.
Outro fator decisivo é a presença de uma forte cadeia pecuária. O farelo resultante do esmagamento será comercializado principalmente para alimentação animal, inclusive dentro do próprio mercado regional.
Para os produtores, uma nova indústria próxima às áreas agrícolas pode representar mais um destino para a colheita e aumentar a concorrência pela compra do grão, especialmente em regiões que hoje enviam parte da soja para unidades mais distantes.
Processamento de soja cresce nos Estados Unidos
A fábrica de Evansville não é um movimento isolado.
O Serviço de Pesquisa Econômica do USDA já vinha apontando uma mudança estrutural no destino da soja americana. Para a temporada 2025/26, o órgão projetou um recorde de 2,49 bilhões de bushels destinados ao esmagamento, volume equivalente a cerca de 57% da produção dos Estados Unidos.
Esse percentual aumentou mais de dez pontos em relação a 2017/18, segundo o USDA.
A mudança tem sido acompanhada por investimentos em novas fábricas em estados como Wisconsin, Iowa, Nebraska, Kansas, Ohio e Dakota do Norte. O objetivo é atender simultaneamente à demanda por farelo e ao crescimento do uso do óleo de soja como matéria-prima energética.
No Brasil, o mesmo avanço do processamento também vem ganhando força. A Abiove elevou para 63,5 milhões de toneladas sua projeção de esmagamento de soja em 2026, o que, se confirmado, representará um novo recorde nacional. O movimento já foi detalhado pelo Compre Rural ao tratar do avanço do processamento de soja no Brasil.
Óleo de soja ganha importância com combustíveis renováveis
Uma das principais explicações para os investimentos americanos em esmagamento está no mercado de energia.
O USDA aponta que a expansão da capacidade industrial está ligada ao aumento da procura por óleo vegetal para a produção de diesel à base de biomassa, além do consumo tradicional nos setores de alimentos e rações.
A CHS afirma que o óleo produzido em Evansville poderá ser destinado aos mercados de combustíveis renováveis e também à sua refinaria de Mankato. Já o farelo deverá abastecer produtores de proteína animal em Wisconsin e em outros mercados.
Essa valorização dos derivados altera diretamente a economia do processamento. No Brasil e nos Estados Unidos, a relação entre os preços do grão, do óleo e do farelo determina a chamada margem de esmagamento da indústria.
O assunto também aparece no comportamento recente do mercado. Dados do Cepea publicados pelo Compre Rural mostram aumento da participação do farelo de soja na margem de processamento tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Em outro levantamento, a valorização dos derivados também apareceu como fator de melhora da margem da indústria de soja.
Projeto deverá criar 80 empregos permanentes
Além da demanda agrícola, a CHS prevê impacto sobre o mercado de trabalho na região de Evansville.
A unidade deverá gerar aproximadamente 80 empregos permanentes quando estiver operando. Durante o período de construção, estimado em 24 a 30 meses, a companhia calcula uma média de cerca de 250 trabalhadores e prestadores de serviços, com pico de até 400 pessoas.
No evento de lançamento realizado em 7 de outubro participaram representantes da CHS e autoridades americanas, entre eles o presidente e CEO da cooperativa, Jay Debertin, o governador de Wisconsin, Tony Evers, e o vice-secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden.
A companhia anunciou ainda US$ 50 mil em investimentos comunitários em Evansville, destinados a programas locais e à área de educação agrícola.
Construção ainda depende de licenças
Apesar da realização da cerimônia de lançamento, a fábrica ainda está em fase de desenvolvimento do projeto.
Em setembro, quando anunciou oficialmente o investimento, a CHS afirmou que esperava iniciar as obras nas semanas seguintes. Na atualização publicada em 7 de outubro, porém, a companhia esclareceu que a construção começará após a conclusão dos processos de licenciamento exigidos.
A meta continua sendo concluir a unidade no outono de 2028 nos Estados Unidos.
Até lá, o cronograma dependerá do avanço das autorizações, da execução das obras e das condições econômicas que sustentam a expansão do esmagamento de soja no país.
Investimento amplia disputa pelo valor agregado da soja
O projeto da CHS chama atenção não apenas pelo tamanho, mas pelo que representa dentro da cadeia mundial da oleaginosa.
Brasil e Estados Unidos são protagonistas na produção e no comércio global de soja, mas ampliar a industrialização doméstica permite capturar uma parcela maior do valor gerado depois da colheita.
Em vez de comercializar somente o grão, o esmagamento gera dois mercados adicionais, óleo e farelo, cujos preços respondem a fatores diferentes da soja em estado natural.
No Brasil, o processamento também vem avançando, reforçando a importância dos derivados dentro da cadeia. A relação entre produção, comércio exterior, Chicago, câmbio e indústria ajuda a explicar por que o preço da soja brasileira continua ligado ao mercado dos Estados Unidos, mesmo com o Brasil ocupando posição central na oferta mundial.
Para o produtor americano próximo à futura fábrica, o efeito mais direto poderá ser o surgimento de mais uma alternativa de venda. Para a indústria global, o empreendimento reforça uma tendência de expansão do esmagamento e maior competição pelos mercados de óleo e farelo.
Com capacidade projetada para 80 milhões de bushels por ano, a unidade de Evansville será uma das peças dessa reorganização. O impacto efetivo, entretanto, dependerá da conclusão da obra, prevista para 2028, e da manutenção da demanda que hoje sustenta os investimentos no processamento doméstico de soja.
VEJA MAIS:
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.