
Potencial, grupo paranaense, cresce em biodiesel e investe R$ 1,7 bilhão para construir a maior fábrica para esmagamento de soja; A transição energética está no foco da estratégia da holding familiar, que faturou R$ 10 bilhões em 2023
A empresa familiar brasileira Grupo Potencial está pronta para aumentar as vendas em 2024 na esteira do aumento da mistura de biodiesel no diesel, e dá passos para a verticalização, com a construção de uma processadora de soja – a maior fábrica de biodiesel do país – para abastecer a usina do biocombustível. Fundado em 1994, no Paraná, com foco na distribuição de combustíveis, o grupo está ampliando investimentos para continuar a crescer no mercado de biodiesel e, de quebra, entrar no segmento de alimentação animal.
Com aportes de R$ 1,7 bilhão, a holding familiar já começou a construir uma fábrica de processamento de soja para produção de óleo e farelo no município da Lapa, a 70 quilômetros de Curitiba, e nos próximos poucos anos a vertente agro, concentrada na Potencial Biodiesel, tende a se transformar em seu carro-chefe. A Potencial já opera a maior usina de biodiesel do Brasil, com uma capacidade de 900 milhões de litros por ano.
O grupo, que faturou cerca de R$ 10 bilhões em 2023, é também formado pelos braços Potencial Petróleo, Jeta Combustíveis, BWI Trading e BWT Transportes. Nenhum deles tem crescido tanto quanto a divisão de biodiesel, criada em 2012 e que já representou uma receita de R$ 4,5 bilhões no ano passado.
Com a nova esmagadora de soja, que deverá entrar em operação no início de 2026, o ritmo de avanço nessa frente tende a ser acelerado. “Vamos aumentar ainda mais nosso protagonismo no processo de transição energética”, afirmou Adriana Hammerschmidt, vice-presidente das áreas de ESG, governança e jurídica do Potencial, filha do fundador Arnoldo Hammerschmidt.

Segundo Robson Rodrigues Antunes, gerente-geral da Divisão Industrial do grupo, a terraplanagem na área que receberá a esmagadora foi concluída. A fábrica vai começar a rodar com capacidade para processar 3,5 mil toneladas de soja por dia, mas já estará preparada para atingir 7 mil.
Quando isso acontecer, o óleo de soja produzido cobrirá 60% da demanda da Potencial Biodiesel, que continuará comprando o restante de suas necessidades de matéria-prima no mercado. Já o farelo será destinado sobretudo à indústria de aves e suínos.
Neste ano, o governo brasileiro aumentou a mistura obrigatória de biocombustível no diesel de 12% para 14% e estabeleceu março de 2025 como o prazo para aumentá-la para 15%. Com o crescimento da demanda por combustíveis mais limpos, o vice-presidente da companhia Carlos Hammerschmidt, prevê que as vendas totais do grupo chegando a 12 bilhões de reais em 2024, acima dos 10 bilhões de reais estimados para 2023.
Atualmente, os óleos vegetais representam 75% das matérias-primas usadas pela divisão para a produção do biocombustível – o grupo está vinculado ao Programa Selo Combustível Social, do Ministério da Agricultura, e suas aquisições beneficiam 25 mil agricultores familiares, 2,3 mil dos quais no Nordeste. Óleo de cozinha usado e gorduras animais respondem por 25%, e um óleo sintético feito a partir de recombinação química com glicerina refinada completa os 100%.

“Esse óleo sintético, obtido por um processo chamado glicerólise, é um dos nossos diferenciais. Começamos a produzi-lo em 2020”, afirmou Antunes. São processadas 100 toneladas por dia de óleo sintético, enquanto a coleta de óleo de cozinha usado alcança 600 mil litros por mês. “Essa ação, que desenvolvemos em parceria com restaurantes, é muito importante. Um litro de óleo de cozinha pode contaminar 25 mil litros de água”, afirmou Adriana, lembrando que o grupo também tem ampliado investimentos em outras práticas sustentáveis como reuso de água.
O biodiesel do Grupo Potencial é produzido em duas usinas localizadas na Lapa. A primeira, que começou a operar em janeiro de 2013, após investimentos iniciais de R$ 110 milhões e três ampliações, que absorveram outros R$ 135 milhões, fabrica atualmente 1 milhão de litros por dia.
A segunda, espelhada à primeira, processa diariamente 1,5 milhão de litros. Além disso, o complexo conta com um refinaria de glicerina com capacidade para 150 toneladas por dia, vendidas para indústrias farmacêuticas, alimentícias e químicas, entre outras. Conforme Antunes, 98% da glicerina é exportada.
A esmagadora de soja será construída no Complexo Industrial do Grupo Potencial, na Lapa, junto à usina de biodiesel da companhia, que é a maior do Brasil e a terceira maior do mundo. Já foi iniciado o processo de terraplanagem do terreno e a expectativa é que a construção da planta inicie nos próximos meses.
Este é o maior investimento dos próximos anos do grupo, que se projeta para se tornar um dos líderes mundiais do setor de esmagamento. A planta terá capacidade de processar cerca de 3,5 mil toneladas de soja por dia, ou 1,15 milhão de toneladas por ano a partir de 2025.
Serão construídos dois silos para armazenamento de soja, com capacidade de 150 mil toneladas cada, e outro silo, com capacidade de 100 mil toneladas, para armazenar o farelo, um dos resíduos da extração do óleo, que pode ser utilizado na produção de ração e outros produtos e será comercializado nos mercados interno e externo.
O projeto prevê, ainda, a construção de um terminal ferroviário para ligar a planta industrial com a linha férrea que vai até o Porto de Paranaguá.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98. A raça Pêga, símbolo da tradição brasileira, ganha o mundo com a excelência genética do Rancho Abate, que transforma sua paixão em referência internacional, se tornando maior exportador de jumentos Pêga do Brasil. Continue Reading Rancho Abate é o maior exportador de jumentos Pêga do Brasil A Anvisa esclareceu que o ora-pro-nóbis, também conhecido como “pereskia” ou “cacto comestível”, não é um ingrediente aprovado para ser utilizado em suplementos alimentares no Brasil Continue Reading Anvisa proíbe a comercialização de suplementos alimentares com ora-pro-nóbis O preço do gás natural que chega às indústrias brasileiras tem sido, em média, de US$ 20 (cerca de R$ 112) por milhão de BTUs (unidade de medida térmica). Continue Reading Gás natural para a indústria é um dos mais caros do mundo, diz CNI Estudo aponta que o país superará os Estados Unidos na produção mundial de carne bovina e consolidará sua posição como potência global na pecuária Continue Reading Brasil deve liderar produção mundial de carne bovina até 2027, projeta Datagro No acumulado dos dois primeiros meses do ano, houve crescimento de 14,2% das vendas de tratores Continue Reading Vendas de tratores sobem 15,9% em fevereiro frente ante um ano, afirma Fenabrave Um dos principais argumentos da Casa Branca para o tarifaço desta semana é que os parceiros comerciais têm adotado tarifas aos produtos estadunidenses superiores aos que os EUA aplicam nas suas importações e cita o caso do Brasil Continue Reading Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para BrasilRancho Abate é o maior exportador de jumentos Pêga do Brasil
Anvisa proíbe a comercialização de suplementos alimentares com ora-pro-nóbis
Gás natural para a indústria é um dos mais caros do mundo, diz CNI
Brasil deve liderar produção mundial de carne bovina até 2027, projeta Datagro
Vendas de tratores sobem 15,9% em fevereiro frente ante um ano, afirma Fenabrave
Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para Brasil