Gigante da carne recebe aval da China para exportar carne bovina do Agreste

Unidade da Masterboi em Canhotinho, com capacidade para abater 800 bovinos por dia, amplia as oportunidades de comercialização para a pecuária nordestina

A Masterboi conquistou autorização para exportar carne bovina à China a partir de sua unidade em Canhotinho, no Agreste de Pernambuco. Confirmada em 29 de setembro de 2026, a habilitação abre uma nova alternativa de comercialização para a planta e amplia a presença da indústria nordestina em um dos mercados mais relevantes para a pecuária brasileira. A aprovação foi concedida pela Administração-Geral das Alfândegas da China, a GACC.

Para os pecuaristas da região, a conquista traz a perspectiva de uma indústria com mais opções de destino para a produção. Esse potencial, porém, encontra um cenário comercial desafiador: desde 1º de outubro, a China passou a cobrar uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira, após o preenchimento da cota anual. A autorização sanitária permite à unidade atender compradores chineses, mas as condições tarifárias influenciam a viabilidade dos negócios.

Unidade pernambucana da gigante da carne amplia alcance internacional

Inaugurado em agosto de 2022, o frigorífico de Canhotinho tem capacidade de abate de aproximadamente 800 bovinos por dia, segundo informações divulgadas pela empresa. Uma parcela significativa da produção abastece o mercado brasileiro, especialmente o Nordeste.

Antes dessa aprovação, a Masterboi já atendia o mercado chinês pela unidade de São Geraldo do Araguaia, no Pará. Com a inclusão de Pernambuco, o grupo passa a contar com plantas autorizadas em duas regiões do país, ampliando suas alternativas de fornecimento.

A unidade do Agreste também vem construindo presença em outros destinos. Em 2025, obteve habilitações ou ampliações de acesso para mercados como Marrocos, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Hong Kong, além de países já atendidos, como Singapura e Israel.

Em nota, Nelson Bezerra, sócio-fundador da Masterboi, relacionou a aprovação ao trabalho desenvolvido pela empresa e ao potencial da produção regional.

“É uma conquista de todos que fazem a Masterboi e que acreditam na força da nossa empresa e do Nordeste.”

O que pode mudar para a pecuária regional

A avaliação é que o acesso a novos compradores pode fortalecer a cadeia pecuária no entorno da indústria, sobretudo se resultar em contratos regulares e maior utilização da estrutura de abate. Além dos fornecedores de bovinos, esse movimento pode alcançar transportadores e prestadores de serviços.

A habilitação, entretanto, não significa aumento automático da procura por animais ou valorização imediata da arroba. O efeito sobre o mercado regional dependerá do ritmo das vendas, da disponibilidade de boiadas e das condições comerciais negociadas pela empresa.

O processo de aprovação envolveu documentação, adequações industriais, controles sanitários e preparação das equipes para auditoria. Segundo a Masterboi, o trabalho reuniu profissionais da área regulatória e da operação da unidade.

Acesso à China exige atenção às tarifas

A abertura ocorre dentro de um regime de cotas que limita o volume de carne brasileira importado sem a cobrança da sobretaxa. Para 2026, o limite destinado ao Brasil foi fixado em 1,106 milhão de toneladas. O mecanismo prevê cotas anuais também para 2027 e 2028; portanto, a barreira comercial não se encerra definitivamente na virada do ano.

Nesse cenário, a conquista da Masterboi tem valor estratégico por permitir que Canhotinho participe das negociações com compradores chineses. A transformação desse acesso em embarques dependerá da combinação entre demanda, preços, custos logísticos e tributação.

A unidade pernambucana foi habilitada no mesmo anúncio que contemplou a Supremo Carnes, em Carlos Chagas (MG), para carne bovina, e a Avivar Alimentos, em São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, em Arroio do Meio (RS), para carne de frango.

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