Pesquisador da Embrapa Pecuária Sul apresenta na Farm Show tecnologia que identifica touros mais resistentes ao parasita.
O combate ao carrapato pode começar antes mesmo de o parasita chegar ao rebanho. Essa é uma das propostas que o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, médico veterinário e zootecnista Fernando Cardoso, levará à Farm Show 2026, em Dom Pedrito (RS). No dia 13 de outubro, ele apresentará a palestra “Genética, a solução duradoura contra o carrapato – gado resistente, menos custo e mais resultado”, na pista de remates do Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura. A feira ocorrerá de 10 a 18 de outubro.
Com 17 anos de pesquisas dedicadas à identificação de animais geneticamente mais resistentes ao carrapato, Cardoso vai mostrar como a genômica pode ser incorporada às decisões de melhoramento do rebanho e, principalmente, à escolha de reprodutores. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa em parceria com organizações dos produtores e universidades, já está disponível para criadores das raças Angus, Hereford, Braford e Brangus.
O tema ganha relevância diante do avanço da resistência do carrapato aos produtos utilizados no controle do parasita. Além dos prejuízos provocados diretamente pela infestação, o problema pode elevar os custos da pecuária e reduzir a eficiência dos tratamentos. “A gente vai fazer uma contextualização do problema do carrapato em termos de impactos econômicos, tanto aqui no Brasil como no mundo, na questão da multirresistência do carrapato aos ectoparasitas”, afirma.
A partir desse cenário, a palestra apresentará a seleção genética aprimorada pela genômica como uma alternativa de longo prazo. Em vez de depender exclusivamente de medidas de controle químico depois que o problema aparece, o produtor pode utilizar informações genéticas para selecionar animais que apresentem maior resistência ao parasita e incorporar essa característica ao rebanho ao longo das gerações.
Segundo Cardoso, a pesquisa não se limita à identificação da característica. O trabalho desenvolvido pela Embrapa também passou por etapas de validação para demonstrar sua aplicação prática na pecuária. “Vamos apresentar como foi desenvolvido o trabalho, como foi validado e qual o impacto prático disso, como os produtores que usarem a melhoria genética podem atingir uma solução duradoura”, explica.
A tecnologia também pode ganhar espaço em uma etapa decisiva para os criadores: a aquisição de touros. Durante a palestra, Cardoso vai explicar onde o produtor pode encontrar informações sobre resistência ao carrapato e como utilizá-las na escolha de reprodutores.
Os dados podem ser consultados em catálogos de remates e sumários de touros, permitindo que a resistência ao parasita seja considerada junto com outras características de interesse econômico na formação dos plantéis. “Mostraremos onde eles encontram as informações para acessar touros mais resistentes ao carrapato, seja nos catálogos de remates ou nos sumários de touros”, destaca.
A proposta é aproximar uma tecnologia desenvolvida a partir de pesquisa científica da realidade das propriedades. Para isso, o conteúdo será apresentado em linguagem voltada ao produtor, mas com base nas evidências acumuladas ao longo dos estudos. “Faremos isso no contexto focado em uma linguagem de produtor, mas trazendo as evidências científicas que foram geradas no decorrer desse período em que a gente vem se dedicando a essa pesquisa de encontrar os animais mais resistentes ao carrapato por meio do uso da genômica”, ressalta.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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