Gasolina, etanol e diesel ficam mais baratos pelo terceiro mês seguido; veja onde os preços mais caíram

Etanol liderou as quedas em agosto, com recuo médio de 2,06% no país; gasolina caiu em 19 estados e biocombustível ficou dentro da faixa de maior competitividade em 17 unidades da Federação

O motorista brasileiro chegou ao fim de agosto com uma combinação pouco comum nos postos: gasolina, etanol e diesel S-10 ficaram mais baratos pelo terceiro mês consecutivo. O movimento foi identificado em levantamento da ValeCard, realizado a partir de transações entre os dias 1º e 26 de agosto em mais de 25 mil estabelecimentos credenciados no país.

Entre os três combustíveis analisados, o etanol apresentou a redução mais expressiva, de 2,06% em relação a julho. A gasolina comum recuou 0,68%, enquanto o diesel S-10 registrou queda de 0,51%.

O resultado ganha importância especialmente para o agronegócio, setor altamente dependente de transporte rodoviário e máquinas. Embora o levantamento trate do preço médio ao consumidor, uma trajetória prolongada de redução dos combustíveis ajuda a aliviar custos de deslocamento, logística e abastecimento, ainda que os valores variem significativamente entre estados e regiões.

Quanto custam gasolina, etanol e diesel em agosto?

Na média nacional, a gasolina passou de R$ 6,821 por litro em julho para R$ 6,774 em agosto, redução de R$ 0,047.

O etanol caiu de R$ 4,365 para R$ 4,275 por litro, diferença de R$ 0,090. Já o diesel S-10 recuou de R$ 7,196 para R$ 7,159, queda de R$ 0,037.

Quando o período analisado é ampliado para os últimos meses, a vantagem do biocombustível fica ainda mais evidente. Segundo a ValeCard, desde maio o etanol acumula queda de 7,45%, enquanto a gasolina recuou 1,21% e o diesel S-10, 1,97%.

CombustívelJulho/26Agosto/26Variação
GasolinaR$ 6,821R$ 6,774-0,68%
EtanolR$ 4,365R$ 4,275-2,06%
Diesel S-10R$ 7,196R$ 7,159-0,51%

Gasolina cai em 19 estados

A redução da gasolina não ficou concentrada em poucas regiões. O levantamento identificou queda em 19 estados durante agosto, consolidando o terceiro mês consecutivo de recuo da média nacional.

A Bahia apresentou a maior redução percentual do mês: 1,83%, levando o litro de R$ 7,170 para R$ 7,039. Logo depois aparecem Rio Grande do Norte (-1,75%), Rio Grande do Sul (-1,29%), Goiás (-1,26%) e Pernambuco (-1,24%).

Na direção oposta, o Distrito Federal registrou a maior alta, de 4,04%, seguido por Amapá (+1,94%) e Amazonas (+1,64%).

Entre os grandes mercados consumidores, São Paulo registrou redução de 0,88%, com a gasolina passando de R$ 6,616 para R$ 6,558. Minas Gerais teve queda de 0,71%, para R$ 6,599, enquanto Mato Grosso do Sul recuou 0,96%, para R$ 6,782.

O levantamento mostra ainda uma diferença considerável entre os extremos do país. O Rio Grande do Sul apresentou a menor média, de R$ 6,337 por litro, enquanto Roraima chegou a R$ 8,168 — distância de R$ 1,831 por litro.

Etanol cai mais e ganha competitividade

É no etanol, entretanto, que aparece um dos movimentos mais relevantes de agosto.

O biocombustível ficou mais barato em 25 estados, com redução nacional de 2,06%. A maior queda ocorreu no Rio Grande do Sul, onde o preço recuou 5,55%.

Também foram registradas reduções importantes em Roraima (-4,90%), Bahia (-4,40%), Rondônia (-4,17%), Acre (-3,68%) e Amazonas (-3,52%).

São Paulo permaneceu com o menor preço médio de etanol do país, a R$ 3,865 por litro. No outro extremo, Sergipe apresentou média de R$ 5,537.

A redução também ampliou a competitividade do etanol frente à gasolina. Considerando como referência a relação de 70% entre o preço do etanol e o da gasolina para veículos flex, 17 estados ficaram dentro dessa faixa em agosto, contra 13 em julho e apenas 10 em junho.

Entre os melhores índices estavam Roraima, com relação de 54%; Mato Grosso, 56%; e Amapá e São Paulo, ambos com 59%.

Na prática, isso significa que em uma parcela maior do país o consumidor passou a encontrar uma relação de preços mais favorável ao abastecimento com etanol.

Queda dos combustíveis interessa diretamente ao campo

Para o agronegócio, a trajetória dos combustíveis merece atenção especial. O diesel está diretamente ligado ao funcionamento de tratores, colheitadeiras, caminhões e ao transporte da produção entre propriedades, armazéns, frigoríficos, indústrias e portos.

Já a redução do etanol tem outra dimensão importante: reforça a competitividade de uma cadeia diretamente conectada ao setor sucroenergético brasileiro, justamente em um período de maior disponibilidade do produto.

Marcelo Braga, diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, destaca que a queda superior a 2% no etanol amplia sua competitividade e demonstra como a dinâmica da oferta do biocombustível continua sendo relevante para aliviar os custos de abastecimento, sobretudo em regiões próximas aos principais polos sucroenergéticos.

Preços ainda podem mudar em setembro

Apesar da sequência de três meses de queda, o comportamento dos combustíveis continuará dependendo de diferentes componentes, entre eles distribuição e revenda, tributação, custos das refinarias, mistura de biocombustíveis e condições regionais de abastecimento.

Há ainda um fator adicional no horizonte. Conforme o material da ValeCard, o governo anunciou em 26 de agosto a prorrogação temporária da subvenção à gasolina até 9 de setembro, medida apresentada como mecanismo para conter repasses e ajudar a manter os preços em níveis mais baixos.

Assim, setembro começa com uma referência favorável ao consumidor: os três principais combustíveis analisados acumulam três meses consecutivos de redução, enquanto o etanol desponta como protagonista da queda e amplia sua competitividade frente à gasolina em diferentes regiões brasileiras.

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