Gado furtado de fazenda era anunciado em grupo de WhatsApp; polícia rastreia compradores

Cerca rompida, rebanho desaparecido e animais divididos entre diferentes compradores: investigação em São Fidélis chegou a uma oferta publicada em grupo de WhatsApp

O sumiço de 18 cabeças de gado de uma propriedade rural terminou em uma investigação que chegou a compradores da região e a um anúncio publicado em um grupo de WhatsApp. O caso aconteceu em Angelim, zona rural de São Fidélis, no Norte Fluminense, depois que o gerente da fazenda percebeu a ausência dos animais e encontrou uma cerca rompida.

A apuração policial passou então a apontar para um funcionário de uma propriedade vizinha, suspeito de comercializar os bovinos com produtores da região. Durante as diligências, os policiais encontraram inclusive uma oferta dos animais feita pelo WhatsApp. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Gado teria sido dividido entre quatro compradores

Segundo as informações policiais divulgadas pelo SF Notícias, os 18 bovinos não teriam sido negociados em um único lote.

A distribuição relatada foi a seguinte: 10 animais para uma pessoa, quatro para outra, três para uma terceira e um bovino para uma quarta.

A soma fecha exatamente o número de animais que o gerente da fazenda havia dado como desaparecidos.

O anúncio encontrado em um grupo de WhatsApp tornou-se mais um elemento da investigação e ajudou a revelar como o rebanho teria sido colocado novamente em circulação depois de deixar a propriedade.

As informações disponíveis até agora, no entanto, não esclarecem se todos os 18 bovinos já foram recuperados.

Funcionário de propriedade vizinha entrou na investigação

A suspeita chegou a um funcionário que trabalhava em uma fazenda vizinha. De acordo com o relato divulgado com base nas informações da polícia, ele estaria oferecendo animais a produtores da própria região.

O caso mobilizou equipes da Patrulha Rural e da guarnição de Pureza.

Os envolvidos localizados durante as diligências foram encaminhados à 141ª Delegacia de Polícia de São Fidélis, e a Polícia Civil instaurou inquérito para aprofundar a investigação.

Como o procedimento ainda está em andamento, a participação individual de cada pessoa deverá ser definida a partir das provas reunidas pela Polícia Civil.

WhatsApp aparece como peça importante para reconstruir destino do rebanho

O detalhe do anúncio publicado em um grupo de WhatsApp chama atenção porque acrescenta uma possível rota comercial à investigação.

Depois da retirada dos animais de uma propriedade, descobrir para onde cada bovino foi levado pode ser determinante para recuperar o rebanho e identificar outras pessoas envolvidas.

Neste caso, a polícia passou a trabalhar com uma divisão bastante específica dos animais entre compradores.

Casos recentes mostram como a dispersão do rebanho pode ampliar o trabalho dos investigadores. Em Minas Gerais, por exemplo, 33 cabeças de gado furtadas foram encontradas em outra propriedade aproximadamente uma semana depois do desaparecimento.

Em Mato Grosso do Sul, outra ocorrência terminou com 20 bovinos recuperados dentro de um caminhão boiadeiro. Um segundo veículo também foi apreendido durante aquela ação.

Retirar gado de uma fazenda exige logística

O furto de bovinos possui uma característica que costuma deixar rastros: movimentar animais de grande porte exige estrutura.

É preciso retirar o gado do local, conduzir ou embarcar os animais, transportá-los e definir um destino. Quando o lote é rapidamente dividido entre diferentes propriedades ou compradores, a reconstrução desse caminho pode se tornar mais complexa.

Uma investigação recente no Norte de Minas também chamou atenção para esse tipo de movimentação. O desaparecimento de aproximadamente 80 bovinos e 20 cavalos colocou um funcionário sob investigação depois que o proprietário desconfiou das explicações apresentadas para a ausência dos animais.

Em outro caso, envolvendo 110 cabeças avaliadas em mais de R$ 600 mil, a investigação apurou inclusive possíveis destinos diferentes para os animais e suspeitas relacionadas à adulteração de marcas do rebanho.

Esses episódios são independentes e não indicam ligação com o caso de São Fidélis, mas ajudam a mostrar por que descobrir rapidamente o destino do gado é uma das etapas centrais em investigações desse tipo.

Lei endureceu pena para furto de bovinos em 2026

O caso acontece poucos meses depois de uma mudança importante no Código Penal.

A Lei nº 15.397, de 30 de abril de 2026, alterou as penas de diferentes crimes patrimoniais, incluindo furto e receptação de animais.

Pela legislação atualmente em vigor, o furto de semovente domesticável de produção, categoria que inclui bovinos, pode ser punido com quatro a dez anos de reclusão e multa.

A mesma legislação prevê pena de três a oito anos de reclusão e multa para a receptação de animal quando alguém adquire, recebe, transporta, conduz, oculta, mantém em depósito ou vende, para produção ou comercialização, um animal que sabe ou deve saber ser produto de crime.

Isso não significa que essas penas serão automaticamente aplicadas às pessoas investigadas em São Fidélis. O enquadramento dependerá das provas, da conduta atribuída individualmente a cada envolvido e dos próximos passos do inquérito.

Investigação ainda precisa responder onde estão os 18 bovinos

A Polícia Civil deverá agora reconstruir toda a movimentação dos animais e esclarecer a participação de cada pessoa citada durante a investigação.

Entre as principais questões ainda sem resposta pública está o destino atual dos 18 bovinos.

Também deverá ser esclarecido quantos animais foram efetivamente recuperados, se houve outras negociações além das inicialmente identificadas e qual era o conhecimento de cada comprador sobre a procedência do gado.

Até o momento, o que está confirmado pela publicação local é que o caso começou com 18 animais desaparecidos e uma cerca rompida, avançou até um funcionário de propriedade vizinha e chegou a negociações divididas entre diferentes compradores, além de um anúncio localizado em grupo de WhatsApp.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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