Funcionário dizia que gado estava “fugindo”, mas polícia apura sumiço de 80 bois e 20 cavalos da fazenda

Produtor desconfiou da explicação dada pelo trabalhador e acionou a Polícia Militar; durante a ocorrência, um caminhão chegou à propriedade para buscar mais animais, segundo a corporação

Um funcionário de 43 anos foi preso após o proprietário de uma fazenda localizada entre Catuti e Pai Pedro, no Norte de Minas Gerais, procurar a Polícia Militar para denunciar o desaparecimento de aproximadamente 80 bovinos e 20 equinos. Segundo as informações atribuídas à PM, o trabalhador era responsável pelo rebanho e passou a ser investigado por suspeita de retirar animais da propriedade onde trabalhava.

O caso ocorreu na segunda-feira, 5 de outubro, e ganhou novos elementos durante as diligências policiais. Conforme o registro divulgado sobre a ocorrência, o funcionário teria dito ao proprietário que os animais poderiam ter seguido para uma propriedade vizinha em busca de água. O produtor verificou o local indicado, não encontrou o rebanho nem rastros que explicassem o desaparecimento e decidiu procurar a polícia. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Desaparecimento de 80 bovinos e 20 equinos levantou suspeita

A quantidade de animais envolvida exige uma ressalva. Os 80 bovinos e 20 equinos correspondem ao desaparecimento relatado pelo proprietário. As informações públicas consultadas não apresentam um balanço individual dos animais recuperados nem permitem afirmar que todos tenham sido comprovadamente furtados.

A suspeita ganhou força depois que o produtor tentou conferir pessoalmente a versão apresentada pelo funcionário. Segundo o relato policial reproduzido por diferentes veículos, os animais não estavam na área indicada.

A Polícia Militar foi então acionada. Quando os policiais chegaram à fazenda, o trabalhador teria tentado fugir, mas acabou alcançado e abordado. Durante a ação, uma espingarda mantida de forma irregular, segundo a corporação, foi encontrada em poder do suspeito.

O caso se soma a outras ocorrências recentes envolvendo furtos de gado em Minas Gerais. Em setembro, por exemplo, 33 bovinos levados de uma propriedade em Baldim foram encontrados pela Polícia Civil em uma fazenda de Sete Lagoas.

Caminhão chegou à fazenda para buscar mais animais

Um dos episódios que mais chamou a atenção ocorreu enquanto os militares ainda atendiam à ocorrência.

Um caminhão destinado ao transporte de animais chegou à propriedade. De acordo com a PM, o motorista informou que havia sido chamado pelo funcionário para buscar um equino e alguns bovinos, que seriam levados a um morador de Pai Pedro.

Os policiais procuraram o homem apontado como destinatário. Conforme a versão apresentada às autoridades, ele receberia os animais como pagamento por um serviço de mecânica feito em uma motocicleta pertencente ao funcionário investigado.

A sequência da ocorrência levou a polícia a verificar também essa motocicleta.

Segundo a PM, o veículo apresentava sinais identificadores adulterados e acabou apreendido e removido.

A presença de um caminhão preparado para movimentar animais durante a própria intervenção policial tornou-se um elemento relevante para a investigação, especialmente porque o proprietário já havia relatado o desaparecimento de dezenas de cabeças.

Casos envolvendo a retirada de grandes quantidades de bovinos podem demandar uma estrutura logística considerável. Uma investigação anterior no Triângulo Mineiro, por exemplo, apurou o desaparecimento de 110 cabeças de gado avaliadas em mais de R$ 600 mil, também com suspeita de participação de pessoa ligada à rotina da propriedade.

Funcionário foi conduzido por três suspeitas

De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Militar, o funcionário foi conduzido por suspeita de furto qualificado de animais, porte ilegal de arma de fogo e adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

O motorista do caminhão e o proprietário da oficina também foram conduzidos sob suspeita de receptação.

A condução policial e a existência de suspeitas, porém, não equivalem a condenação. A eventual responsabilidade de cada envolvido dependerá das provas reunidas na investigação e das etapas posteriores do procedimento criminal.

Também não foi localizada, até esta apuração, informação pública confirmando denúncia oferecida pelo Ministério Público ou decisão judicial definitiva sobre o caso.

Furto de animais exige atenção também dentro das propriedades

O episódio chama atenção para uma característica particularmente delicada dos crimes patrimoniais no campo: nem sempre a retirada irregular de animais ocorre em uma única ação ou é percebida imediatamente.

Em fazendas com rebanhos numerosos, áreas extensas e animais distribuídos por diferentes pastos, pequenas divergências podem passar despercebidas entre uma conferência e outra. Quando alguém conhece a rotina da propriedade, horários, acessos, currais e movimentações de veículos, a identificação de uma irregularidade pode se tornar ainda mais difícil.

Não significa, porém, que essa tenha sido necessariamente a dinâmica completa do caso de Catuti e Pai Pedro. As informações públicas disponíveis não esclarecem durante quanto tempo os animais teriam desaparecido nem quantas retiradas são investigadas.

Investigações de maior porte mostram por que a logística é um ponto relevante nesses crimes. Em setembro, uma operação contra um esquema de furto de gado no Paraná chegou a 21 prisões e apreendeu caminhões, armas e materiais usados na marcação de animais. A investigação estimou que o grupo suspeito teria furtado mais de 2 mil bovinos desde 2019.

Controle do rebanho pode reduzir o tempo até a descoberta

Para o produtor rural, uma das principais lições práticas de ocorrências desse tipo está na frequência e na qualidade do controle patrimonial.

Inventários atualizados do rebanho, registros de nascimento, compra, venda, morte e transferência, identificação individual quando aplicável e conferências periódicas ajudam a detectar divergências antes que elas se acumulem.

O controle de acesso à propriedade também pode ser relevante. Registros de entrada e saída de caminhões, câmeras instaladas em currais, porteiras e embarcadouros e documentação das movimentações de animais podem gerar evidências úteis caso uma ocorrência precise ser investigada.

Essas medidas não impedem todos os crimes, mas podem dificultar retiradas não autorizadas e reduzir o intervalo entre o desaparecimento e sua identificação.

O problema não é exclusivo do Norte de Minas. Em maio, produtores da Zona da Mata Mineira relataram preocupação com ocorrências de abigeato, nome tradicionalmente utilizado para designar o furto de animais de criação.

Investigação ainda precisa esclarecer o destino do rebanho

Apesar dos elementos levantados durante a ocorrência, ainda permanecem perguntas relevantes.

As informações públicas consultadas não esclarecem onde estão os aproximadamente 80 bovinos e 20 equinos relatados como desaparecidos, quantos eventualmente já foram localizados, há quanto tempo as perdas vinham sendo percebidas ou qual teria sido o destino dos animais retirados anteriormente.

Também não há detalhamento público suficiente para determinar se outras pessoas participaram das supostas retiradas anteriores.

Por isso, o número de aproximadamente 100 animais deve permanecer associado ao relato de desaparecimento apresentado pelo proprietário e à estimativa divulgada no caso, sem antecipar como comprovada uma dinâmica que ainda depende da investigação.

O episódio, entretanto, deixa um alerta concreto para propriedades pecuárias: a conferência frequente do rebanho é também uma medida de segurança patrimonial. Quanto menor o intervalo entre as verificações, maior tende a ser a capacidade do produtor de identificar movimentações incompatíveis com seus registros e acionar rapidamente as autoridades.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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