Avanço do ar polar muda o tempo no Centro-Sul nesta sexta-feira (21) e ganha força no sábado (22), com mínimas próximas de 0°C no Sul e de 4°C em áreas do Sudeste. Enquanto isso, o tempo seco preocupa áreas agrícolas, com umidade podendo cair para apenas 12%.
O avanço de uma massa de ar frio sobre o Brasil provoca uma mudança expressiva no tempo nesta sexta-feira (21) e deve deixar seus efeitos ainda mais evidentes durante a madrugada e a manhã de sábado (22). Depois da passagem da frente fria, as temperaturas despencam principalmente no Sul, mas o ar polar também alcança Mato Grosso do Sul, parte do Centro-Oeste e áreas do Sudeste.
A combinação chama atenção não apenas pelo frio. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê possibilidade de geada, ventos intensos, baixa umidade e grandes diferenças de temperatura entre as regiões brasileiras. No litoral do Sudeste, as rajadas podem superar 80 km/h, enquanto a Climatempo indica pontos onde o vento pode chegar aos 90 km/h.
Para o produtor rural, o cenário merece atenção especial. Além do risco localizado de geada para lavouras e pastagens, a umidade relativa pode atingir níveis próximos de 12% em importantes regiões agropecuárias, elevando o risco de incêndios e exigindo cuidados adicionais nas operações de campo.
Frio se intensifica e termômetros podem chegar a 0°C
O principal destaque está na Região Sul. Depois da passagem do sistema frontal, uma massa de ar seco e frio avança pelo território brasileiro e favorece uma queda acentuada das temperaturas.
No sábado, há possibilidade de geada em grande parte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-sul do Paraná. As áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina podem registrar mínimas próximas de 0°C, enquanto o sul paranaense deve ficar em torno de 3°C.
Porto Alegre pode amanhecer com 7°C, com máxima de apenas 13°C no sábado. Florianópolis também sentirá a mudança, com máxima prevista de 16°C.
O frio não ficará restrito ao Sul.
Geada também pode alcançar áreas de São Paulo e Minas Gerais
No Sudeste, a mudança ocorre depois de um período marcado por calor e tempo seco em várias localidades.
O Inmet prevê que o sábado comece com possibilidade de geada no sul de Minas Gerais e nas regiões serranas de São Paulo. Nessas áreas mais elevadas, as mínimas podem ficar próximas dos 4°C, enquanto a capital paulista deve registrar mínima de aproximadamente 11°C.
Antes da entrada mais intensa do frio, entretanto, a sexta-feira ainda será marcada por instabilidade. São Paulo, sul de Minas e Rio de Janeiro amanhecem com muita nebulosidade, com previsão de chuva em pontos do território paulista e avanço das instabilidades em direção ao Rio de Janeiro.
A Climatempo aponta ainda possibilidade de pancadas moderadas a fortes em partes do interior paulista, Litoral Norte, Baixada Santista e leste de São Paulo. No Rio de Janeiro, a chuva tende a ganhar força entre o final da tarde e a noite.
Rajadas podem passar dos 80 km/h no litoral
Outro ponto importante desta mudança de tempo será o vento.
O mapa de velocidade máxima apresentado pelo Inmet mostra que as rajadas podem superar pontualmente os 80 km/h na faixa litorânea do Sudeste entre sexta e sábado. O instituto mantém aviso laranja de perigo para vendaval no litoral norte paulista e em todo o litoral do Rio de Janeiro.
A Climatempo trabalha com possibilidade de valores ainda maiores em determinados pontos: rajadas entre 50 e 70 km/h em diversas áreas e picos próximos de 90 km/h, tanto no Sul quanto em setores do Sudeste.
No campo, ventos dessa intensidade podem causar queda de galhos e estruturas frágeis, além de aumentar o risco em atividades realizadas em áreas abertas. Em regiões onde o solo está extremamente seco, há ainda possibilidade de levantamento de poeira e redução localizada da visibilidade.
Mato Grosso do Sul pode ter mínima de apenas 7°C
A massa de ar polar também avança pelo Centro-Oeste.
No sábado, a região de Ponta Porã (MS) pode registrar cerca de 7°C, enquanto Corumbá deve chegar a aproximadamente 10°C. Entre as capitais, Campo Grande pode ter mínima de 13°C, enquanto Goiânia e Brasília ficam próximas de 14°C.
Em Mato Grosso, a queda será menos intensa, mas ainda perceptível no sul do estado, onde as mínimas podem ficar ao redor de 15°C.
O contraste dentro do próprio Centro-Oeste será grande. Enquanto o sul sente o avanço do frio, o nordeste de Mato Grosso e o noroeste de Goiás podem registrar máximas entre 39°C e 40°C.
Umidade pode despencar para 12%
Enquanto frio e vento ganham destaque no Centro-Sul, outra condição preocupa boa parte do interior brasileiro: o ar extremamente seco.
Segundo o Inmet, a umidade relativa mínima pode ficar em torno de 12% no sul de Minas Gerais, nordeste de Mato Grosso, oeste da Bahia e Mato Grosso do Sul durante as tardes.
Há avisos de baixa umidade abrangendo também áreas de Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Pará, Bahia, Piauí e outras partes do interior.
Para a agropecuária, esse cenário amplia a atenção com incêndios em pastagens e áreas de vegetação, disponibilidade de água aos animais, poeira nas instalações e operações agrícolas realizadas nas horas mais quentes e secas do dia.
Enquanto o Sul congela, termômetros encostam nos 40°C
A passagem da frente fria produzirá um Brasil meteorologicamente dividido.
Enquanto serras do Sul podem chegar perto de 0°C, áreas do norte de Goiás, nordeste de Mato Grosso e sul da Região Norte continuam sob calor intenso, com máximas previstas entre 39°C e 40°C. No interior nordestino, os termômetros podem alcançar 38°C em áreas do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
No Norte, a chuva também aparece com maior intensidade. O Inmet estima que pontos isolados do noroeste do Amazonas possam acumular mais de 80 milímetros entre sexta e sábado.
Assim, o fim de semana começa com extremos importantes: geada e temperaturas próximas de zero no Sul, avanço do frio pelo Centro-Oeste e Sudeste, vendaval no litoral, umidade próxima de 12% no interior e calor de até 40°C em outras áreas do país.
Para quem está no campo, acompanhar os avisos meteorológicos locais será especialmente importante nas próximas horas, sobretudo em propriedades localizadas nas áreas sujeitas a geada, ventos fortes e umidade crítica.
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