Mesmo com a atual picape vivendo uma fase de expansão na América do Sul, cerca de 1.500 engenheiros já estariam envolvidos no desenvolvimento da futura Ranger; eletrificação deve ganhar ainda mais espaço no projeto
A atual Ford Ranger ainda está ampliando sua presença no mercado brasileiro, mas a fabricante já começou a trabalhar na picape que deverá sucedê-la. A próxima geração da Ranger está em desenvolvimento na Austrália e tem chegada prevista para o fim da década, por volta de 2030, segundo informações divulgadas nesta semana pela imprensa especializada internacional.
O movimento chama atenção porque ocorre enquanto a atual geração ainda recebe novos investimentos, versões e motorizações na América do Sul. No Brasil, a Ranger entrou em uma fase particularmente importante de expansão, com novas configurações, uma versão Tremor flex e uma híbrida plug-in já confirmadas para a região.
Isso significa que, nos próximos anos, a estratégia da Ford deverá ocorrer em duas frentes: continuar fortalecendo a Ranger atual e, paralelamente, desenvolver a arquitetura que sustentará a picape na década de 2030.
Cerca de 1.500 engenheiros trabalham no projeto
O desenvolvimento da futura Ranger está concentrado inicialmente na Austrália, país que historicamente desempenha papel central no desenvolvimento global da picape.
Segundo informações repercutidas pelo Ford Authority e pela revista Quatro Rodas, aproximadamente 1.500 engenheiros estariam envolvidos no projeto da próxima geração.
Fadi Mawal, presidente e CEO da Ford Austrália, confirmou que os trabalhos já começaram.
“Estamos trabalhando nisso agora”, afirmou o executivo ao comentar o desenvolvimento da futura geração.
Embora o projeto tenha começado na Austrália, ainda existem discussões sobre onde todas as etapas de engenharia serão concluídas. Custos elevados no país levaram a Ford a avaliar a competitividade da operação diante de centros de desenvolvimento localizados em mercados asiáticos.
Eletrificação deve ganhar espaço
A Ford ainda não divulgou motores, dimensões, desenho ou especificações da nova Ranger. Entretanto, o avanço das normas globais de emissões e a própria estratégia atual da montadora colocam a eletrificação como um dos principais caminhos possíveis para a próxima geração.
A transformação já começou.
A Ford confirmou oficialmente que a Ranger híbrida plug-in será produzida na Argentina a partir de 2027, tornando-se a primeira versão eletrificada da picape fabricada na América do Sul. Para viabilizar o projeto, a companhia anunciou mais US$ 170 milhões em investimentos na fábrica de General Pacheco, elevando para US$ 870 milhões o total aplicado no programa Ranger.
A empresa também prepara para a América do Sul a Ranger Tremor com motor 2.3 GTDi EcoBoost flex, desenvolvido pela engenharia brasileira. A produção está prevista para começar na Argentina no final de 2026.
Ou seja: muito antes da chegada da próxima geração, a Ranger deverá atravessar uma importante mudança de motorização na região.
Atual Ranger ainda tem muito caminho pela frente
O fato de uma sucessora já estar em desenvolvimento não significa uma aposentadoria próxima do modelo atual.
Pelo contrário.
A fábrica de Pacheco, responsável pelas unidades destinadas ao Brasil e a outros países sul-americanos, recebeu sucessivos investimentos para aumentar a produção. A capacidade foi ampliada para mais de 80 mil unidades anuais, cerca de 30% acima do volume de 2024. Aproximadamente metade da produção da unidade tem o Brasil como destino.
Além disso, a linha está sendo ampliada com versões de cabine simples, chassi, Tremor e híbrida plug-in.
A estratégia indica que a arquitetura atual deverá permanecer relevante durante vários anos enquanto a Ford prepara sua sucessora.
Próxima Ranger nasce em uma disputa ainda mais tecnológica
A próxima geração também terá de enfrentar um mercado de picapes bastante diferente daquele encontrado pela Ranger atual.
Além da tradicional rivalidade com a Toyota Hilux e Chevrolet S10, as picapes médias começam a incorporar sistemas híbridos, maior conectividade, recursos semiautônomos de condução e novas soluções de motorização.
A própria Ranger atual já sinaliza essa transição. Protótipos da linha 2027 observados nos Estados Unidos indicam, por exemplo, que a Ford trabalha em atualizações de conectividade para o modelo.
Na prática, o desenvolvimento iniciado agora deverá determinar como a Ranger enfrentará essa transformação na próxima década.
Brasil continuará no centro da estratégia
Para o consumidor brasileiro — especialmente produtores rurais e usuários que utilizam picapes tanto no trabalho quanto no uso cotidiano — a notícia mais imediata não está em 2030, mas no caminho até lá.
A Ford está preparando uma das maiores expansões recentes da família Ranger na América do Sul. A fábrica argentina ganhará novas configurações e uma inédita opção eletrificada, enquanto a engenharia brasileira participa diretamente do desenvolvimento de motores adaptados ao combustível nacional.
A futura Ranger ainda está distante das concessionárias e muitos detalhes certamente mudarão até sua apresentação.
Mas uma coisa já ficou clara: a Ford começou a desenhar a picape que pretende levar a Ranger para a próxima década justamente quando a geração atual vive uma de suas fases mais importantes na América do Sul.
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