Levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira aponta empate técnico no segundo turno; às vésperas da votação, crédito rural, dívidas e seguro estão entre os temas pelos quais candidatos são cobrados no campo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 44% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 46%, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 28 de setembro. A diferença de dois pontos percentuais configura empate técnico, considerada a margem de erro do levantamento, também de dois pontos para mais ou para menos.
No cenário de primeiro turno divulgado pela pesquisa, Lula tem 42%, ante 37% de Flávio Bolsonaro. Os números mostram uma eleição competitiva na reta final da campanha, mas não antecipam o resultado das urnas. A Nexus ouviu 2.000 eleitores entre 25 e 27 de setembro, por telefone. O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07557/2026.
A disputa pelo voto do campo
A pesquisa é nacional e não apresenta, nesses resultados, uma intenção de voto específica dos produtores rurais. Ainda assim, sua divulgação recoloca em evidência a disputa política em torno de problemas concretos do agronegócio. Endividamento, acesso ao crédito, seguro rural, infraestrutura e custo de produção aparecem nos planos de governo e nas cobranças feitas ao poder público.
No programa registrado na Justiça Eleitoral, Flávio Bolsonaro aborda a reorganização das dívidas rurais e propõe ações ligadas a seguro, armazenagem, logística, fertilizantes e segurança jurídica. O Compre Rural já comparou essas propostas às dos demais presidenciáveis. Por isso, o dado novo desta segunda-feira é a posição do candidato na pesquisa, e não o anúncio de um plano inédito para o setor.
A distância entre proposta e execução é particularmente sensível no caso das dívidas. O governo federal editou a MP 1.376/2026 para permitir a composição de determinados débitos rurais, mas entidades do agro cobram que as condições cheguem de forma efetiva aos produtores. Essa discussão dá peso às promessas eleitorais: quem assumir a Presidência terá de lidar com o financiamento da produção e com a capacidade de pagamento de propriedades atingidas por perdas e juros elevados.
O que os números permitem concluir
A nova rodada mantém Flávio Bolsonaro próximo de Lula em uma eventual disputa direta. Ela não permite afirmar que o candidato lidera entre produtores rurais, nem que as propostas para o agro expliquem, por si, o resultado nacional. Para o eleitor do campo, o dado político mais relevante agora é que a corrida permanece apertada enquanto os candidatos apresentam caminhos diferentes para enfrentar problemas que já afetam a próxima safra.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.