Congresso em Botucatu abordará inteligência artificial, controle biológico, mudanças climáticas, enfezamento do milho, greening dos citros e novas tecnologias para uma produção agrícola mais sustentável.
Como produzir mais alimentos diante das mudanças climáticas, da emergência de novas doenças de plantas, da necessidade de reduzir impactos ambientais e da crescente demanda por sistemas produtivos mais sustentáveis? Essas questões estarão no centro dos debates do 44º Congresso Paulista de Fitopatologia (44º CPF), que será realizado entre os dias 22 e 24 de julho, em Botucatu (SP).
Promovido pela Associação Paulista de Fitopatologia (APF) e organizado nesta edição pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o evento reunirá pesquisadores, professores, estudantes, consultores, empresas, produtores rurais e profissionais da assistência técnica para discutir os avanços científicos e tecnológicos voltados ao manejo de doenças de plantas.
Considerada uma das principais áreas da ciência agrícola, a Fitopatologia tem papel estratégico na segurança alimentar, ao desenvolver soluções para reduzir perdas causadas por doenças, aumentar a produtividade das lavouras e tornar os sistemas agrícolas mais resilientes frente aos desafios ambientais.
Segundo o professor da UFSCar Waldir Cintra, presidente do congresso e um dos organizadores do evento, o encontro foi planejado para promover uma ampla discussão sobre o futuro da agricultura.
“A agricultura vive um momento de profundas transformações. As mudanças climáticas, a evolução dos patógenos, as exigências por sistemas mais sustentáveis e o avanço das novas tecnologias impõem desafios cada vez maiores. O congresso foi organizado justamente para reunir especialistas de diferentes áreas e promover um ambiente de troca de conhecimento capaz de acelerar soluções que possam chegar ao campo e beneficiar toda a sociedade”, afirma Cintra.
A programação científica contempla temas considerados estratégicos para a agricultura brasileira, como inteligência artificial aplicada ao manejo de doenças, resistência de fungos aos fungicidas, agricultura regenerativa, controle biológico, sistemas orgânicos de produção, empreendedorismo, saúde única (One Health) e tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos sistemas produtivos com menor impacto ambiental.
A abertura oficial do congresso contará com uma Palestra Magna a ser proferida pelo professor Chukichi Kurozawa (Unesp), referência na formação de fitopatologistas. Sua participação reforça o nível científico do evento e simboliza a trajetória da Fitopatologia nacional.
Entre os assuntos de maior interesse estão duas das principais ameaças fitossanitárias enfrentadas atualmente pelo agronegócio brasileiro: o enfezamento do milho e o greening (HLB) dos citros.
O enfezamento tem provocado perdas expressivas na produção de milho em diversas regiões do País, enquanto o greening é considerado hoje a doença mais severa da citricultura mundial. Especialistas que atuam diretamente na pesquisa dessas enfermidades apresentarão os avanços científicos mais recentes e discutirão estratégias para reduzir seus impactos sobre a produção agrícola.
Outro destaque da programação será a mesa-redonda dedicada ao controle biológico, tecnologia que vem ganhando espaço como uma das principais ferramentas do manejo integrado de doenças e pragas. O debate contará com a participação dos pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente Wagner Bettiol e Gabriel Moura Mascarin, reconhecidos pelas pesquisas sobre bioinsumos e pelo desenvolvimento de tecnologias voltadas ao controle biológico.
Nos últimos anos, o setor passou por uma rápida evolução impulsionada pelos avanços da microbiologia, da biotecnologia e dos processos de produção de microrganismos. Atualmente, o controle biológico é utilizado de forma integrada com outras estratégias, como controle químico, melhoramento genético, agricultura digital e monitoramento das lavouras, ampliando as possibilidades de manejo sustentável. De acordo com Bettiol, a taxa de crescimento mundial do uso do controle biológico na agricultura está acima de 15% ao ano e manterá este ritmo na próxima década.
Ainda de acordo com o pesquisador, durante o evento serão discutidas as etapas principais para, a partir de um isolado microbiano, chegar-se a um produto biológico comercial. Portanto, oportunidade de todos compreenderem como é realizado o desenvolvimento de um produto biológico. Também será discutida a produção em larga escala dos bioagentes e o controle biológico de nematoides.
Para Waldir Cintra, essa integração representa um dos principais caminhos para enfrentar os desafios da agricultura contemporânea.
“Nenhuma tecnologia, isoladamente, resolve os problemas da agricultura. Precisamos integrar conhecimento científico, inovação, ferramentas digitais, controle biológico, melhoramento genético e manejo integrado para construir sistemas agrícolas mais resilientes, produtivos e sustentáveis. Esse é o espírito do Congresso Paulista de Fitopatologia”, destaca.
Além da programação científica, o congresso busca fortalecer a interação entre universidades, instituições de pesquisa, empresas, cooperativas e produtores rurais, criando oportunidades para a formação de parcerias e a transferência de tecnologias que possam contribuir para a competitividade da agricultura brasileira.
As inscrições e a programação completa estão disponíveis na plataforma FEPAF Eventos e também podem ser acompanhadas pelo perfil oficial do Congresso Paulista de Fitopatologia no Instagram.
Fonte: Embrapa
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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