Grupo LocPay estreia a ArrendaPay e permite que donos de terra antecipem até 36 meses de recebíveis de arrendamento rural ou de projetos de energia, sem hipotecar a propriedade
O grupo cearense LocPay lançou nesta sexta-feira (24) a ArrendaPay, marca voltada à antecipação de recebíveis de contratos de arrendamento de terras — uma modalidade de crédito ainda pouco explorada no mercado financeiro brasileiro. A proposta é simples e, segundo a empresa, resolve um problema antigo do setor: o dono de uma terra arrendada tem um fluxo de renda previsível pela frente, mas nenhum banco tradicional sabe como precificar esse contrato para adiantar o dinheiro.
A novidade está em quem a fintech decidiu atender. Historicamente, o crédito rural garantido por terra sempre exigiu do proprietário hipotecar o próprio imóvel ou recorrer a linhas caras. A ArrendaPay inverte a lógica: em vez de emprestar contra a terra, a empresa compra os direitos de recebimento futuros do contrato de arrendamento já firmado — seja ele agrícola, pecuário, de silvicultura ou de projetos de geração de energia solar (distribuída ou centralizada), com duração de 20 a 30 anos. Na prática, o proprietário recebe agora o que só receberia ao longo de meses ou anos de aluguel da terra, sem abrir mão da titularidade do imóvel e sem alterar as condições do contrato com quem o explora.
“É o mesmo problema que encontramos no aluguel, só que em outro setor. O sistema financeiro tradicional não lê o contrato de arrendamento — não sabe avaliar a contraparte, não sabe precificar o ciclo, então simplesmente não olha. O dono da terra é a base silenciosa do agro e da expansão energética do país e continua com o capital preso”, afirma Joaquim Neto, cofundador do grupo LocPay.
A operação permite antecipar até 36 meses de recebíveis, com taxa a partir de 1,99% ao mês, isenção de IOF e todo o processo digital: da simulação — feita por site ou WhatsApp, sem necessidade de enviar documentos — até a liberação do dinheiro na conta, o prazo é de cerca de um dia útil após a aprovação. A formalização se dá por cessão de direitos creditórios, com notificação ao arrendatário (a parte que explora a terra) e registro em contrato, e não por empréstimo com garantia real.
Podem recorrer ao serviço desde produtores rurais com um único contrato de arrendamento até tradings, integradoras, geradoras de energia, cooperativas e family offices com carteiras de múltiplos contratos.
A ArrendaPay nasce como uma extensão da tese que já sustenta a LocPay, fintech de crédito imobiliário fundada em 2024 em Fortaleza que antecipa recebíveis de aluguel para proprietários urbanos. A empresa afirma já ter antecipado mais de R$ 20 milhões em aluguéis por meio de uma rede de mais de 100 imobiliárias parceiras, atendendo mais de mil clientes.
Do lado do financiamento, o grupo capta recursos no mercado de capitais via emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) em parceria com a Suno Asset — a mais recente, de R$ 15 milhões em cinco anos, elevou o total captado a R$ 20 milhões. Com o novo aporte, a companhia projeta originar R$ 50 milhões em operações em 2027.
Segundo a empresa, toda a esteira de originação, análise e cobrança é operada por agentes de inteligência artificial desde a fundação do grupo, o que explica a velocidade de resposta — algo raro em operações de crédito estruturado, normalmente medidas em semanas.
Interessados podem simular uma operação pelo site da ArrendaPay.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.