Fim de semana terá temporais no Sul e calor de até 40°C em parte do Brasil; veja a previsão

Enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina enfrentam risco de chuva forte, granizo e elevação de rios, massa de ar quente faz temperaturas dispararem no interior do país neste sábado (29) e domingo (30)

A previsão do tempo para o fim de semana mostra um Brasil dividido entre dois cenários bastante distintos. De um lado, temporais, chuva volumosa e risco de transtornos ganham força na Região Sul. Do outro, uma intensa elevação das temperaturas coloca áreas do Sudeste, Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste novamente diante de calor próximo ou superior aos 40°C e baixa umidade do ar.

O contraste será mais evidente entre sábado (29) e domingo (30 de agosto). Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a última semana de agosto concentra os maiores volumes de chuva sobre o Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Ao mesmo tempo, modelos meteorológicos indicam forte aquecimento no interior brasileiro.

Previsão do tempo para o fim de semana coloca Sul em alerta

A situação mais delicada está na Região Sul, onde uma combinação de sistemas atmosféricos mantém condições favoráveis à formação de nuvens carregadas.

De acordo com a Climatempo, uma corrente de ar quente e úmido proveniente da Amazônia, conhecida como Jato de Baixos Níveis (JBN), atua em conjunto com áreas de baixa pressão e sucessivas frentes frias. Esse cenário aumenta a disponibilidade de umidade e energia para a ocorrência de tempestades.

Entre os riscos estão chuva intensa em curto período, raios, rajadas fortes de vento e queda de granizo. A previsão aponta ainda a organização de uma nova frente fria associada a um ciclone extratropical entre o Sul do Brasil, Paraguai e norte da Argentina na virada para setembro.

O INMET também prevê que, no acumulado entre 24 e 31 de agosto, pontos do norte, nordeste e centro-sul do Rio Grande do Sul e do sul catarinense podem ultrapassar 150 milímetros de precipitação. O dado não significa que todo esse volume cairá exclusivamente no sábado e domingo, mas reforça a condição de solo encharcado e o risco associado às novas chuvas.

Rio Grande do Sul preocupa por chuva e nível dos rios

O Rio Grande do Sul aparece como a área de maior atenção. A Climatempo estima acumulados generalizados entre 100 e quase 200 mm em setores do norte e nordeste gaúcho durante o período de instabilidade que encerra agosto. Pontualmente, os volumes podem superar 200 mm, especialmente nos Vales do Caí e Taquari, Serra e Litoral Norte.

A preocupação não se limita ao volume que ainda pode cair. Alguns rios gaúchos já estavam com níveis acima do normal após episódios recentes de chuva.

O Cemaden, em boletim divulgado nesta sexta-feira (28), apontou atenção para riscos hidrológicos e de movimentos de massa no estado. Para o período seguinte, entre sábado e segunda-feira, a vigilância também se amplia para diferentes regiões de Santa Catarina.

Em Porto Alegre, a previsão mantém instabilidade durante o fim de semana, com possibilidade de chuva e tempestades. Avisos meteorológicos do INMET também alcançam áreas gaúchas, incluindo risco de granizo e rajadas fortes.

Santa Catarina também pode ter chuva volumosa

Em Santa Catarina, a instabilidade se espalha principalmente pelo Oeste, Centro, Sul e áreas próximas da Grande Florianópolis.

Segundo a Climatempo, os acumulados no período de instabilidade podem variar de 80 a cerca de 150 mm em diversas áreas, com possibilidade de valores próximos de 180 mm na Serra catarinense.

O Cemaden destaca, entre sábado (29) e segunda-feira (31), atenção para áreas de Chapecó, Lages, Criciúma, Florianópolis e Blumenau, onde a chuva pode favorecer deslizamentos pontuais e quedas de barreira em trechos rodoviários vulneráveis.

No Paraná, o cenário é diferente em boa parte do estado. O calor segue predominando, embora o retorno das pancadas de chuva possa atingir principalmente o Sul e Sudoeste paranaense, onde algumas tempestades podem apresentar forte intensidade.

Calor de 40°C ganha espaço no Sudeste

Enquanto o Sul enfrenta excesso de umidade, São Paulo entra no fim de semana sob forte aquecimento.

A Defesa Civil paulista alerta que a massa de ar quente pode fazer os termômetros ultrapassarem 40°C em regiões como Ribeirão Preto, Franca, Barretos, São José do Rio Preto e Araçatuba. Além das altas temperaturas, a umidade relativa do ar pode alcançar níveis críticos no interior.

A própria capital paulista deve registrar um fim de semana excepcionalmente quente para agosto. A previsão divulgada pela Climatempo aponta máximas em torno de 35°C no sábado e no domingo, patamar suficiente para colocar em risco o recorde histórico de temperatura para agosto na estação do Mirante de Santana.

No interior de São Paulo, a elevação é ainda mais acentuada. Em Campinas, por exemplo, o Cepagri/Unicamp prevê 34°C no sábado e 35°C no domingo, com predomínio de céu aberto.

Centro-Oeste volta a enfrentar calor e ar seco

A previsão do tempo para o fim de semana também exige atenção dos produtores rurais do Centro-Oeste.

A Climatempo indica um rápido aquecimento sobre a região no fechamento de agosto. A tendência é de temperaturas muito elevadas, com possibilidade de marcas próximas dos 40°C em diferentes estados do interior brasileiro.

Além do desconforto térmico, a combinação de temperatura elevada, vegetação seca e baixa umidade aumenta a necessidade de atenção com incêndios em áreas rurais, disponibilidade de água para os animais e estresse térmico dos rebanhos.

No campo, horários de manejo e transporte de animais merecem planejamento especial durante as horas mais quentes do dia.

Norte terá chuva concentrada no oeste da região

Na Região Norte, a chuva continua distribuída de maneira irregular.

Segundo o INMET, os maiores acumulados desta última semana de agosto ficam concentrados principalmente no oeste da Região Norte, com destaque para o noroeste do Amazonas, onde os volumes acumulados podem ultrapassar 60 mm.

Em outras áreas, especialmente mais ao sul da Amazônia e em setores de transição com o Centro-Oeste, o calor continua sendo uma característica importante do período.

A Climatempo já vinha indicando que o aquecimento do fim de agosto poderia fazer as temperaturas novamente alcançarem 40°C em vários estados do interior do Brasil.

Nordeste terá pouca chuva no interior

No Nordeste, a tendência predominante é de pouca chuva longe do litoral.

O INMET projeta precipitações mais concentradas na faixa litorânea, com acumulados de até aproximadamente 20 mm no período semanal. Nas áreas mais interiores, o cenário continua marcado por tempo seco e temperaturas elevadas.

Essa diferença entre o litoral mais úmido e o interior quente e seco mantém a atenção principalmente sobre disponibilidade hídrica, umidade do solo e risco de propagação de queimadas.

Temporais e calor exigem atenção do produtor rural

Os dois extremos previstos para o último fim de semana de agosto trazem desafios diferentes ao agronegócio.

No Sul, o excesso de chuva pode dificultar operações de campo, trânsito de máquinas, manejo dos animais e atividades em áreas de solo saturado. Granizo e rajadas fortes também podem provocar danos pontuais em estruturas e lavouras.

Já nas áreas sob calor intenso e baixa umidade, especialmente no interior paulista e no Centro-Oeste, a preocupação se volta para estresse térmico, maior demanda por água, conforto animal e risco de incêndios.

A situação atmosférica ainda pode sofrer ajustes ao longo do sábado e do domingo. Por isso, produtores em áreas sob risco devem acompanhar os avisos atualizados do INMET, das Defesas Civis estaduais e do Cemaden, especialmente onde houver previsão de tempestades severas ou elevação de rios.

O último fim de semana de agosto, portanto, será marcado por um forte contraste: enquanto o Sul enfrenta temporais e volumes elevados de chuva, áreas do interior brasileiro encaram temperaturas que podem passar dos 40°C.

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), Climatempo, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Defesa Civil do Estado de São Paulo e Cepagri/Unicamp.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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