Consolidando o novo ciclo da atividade, feira reafirmou o protagonismo nacional da pecuária no cenário global e reuniu a cadeia produtiva em Presidente Prudente (SP) pela terceira vez
A Feicorte – Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne encerrou sua 22ª edição — a terceira realizada em Presidente Prudente (SP) — consolidando-se como uma das principais vitrines da pecuária brasileira e referência na integração dos diferentes elos da cadeia produtiva. Entre os dias 23 e 26 de junho, o evento reuniu cerca de 20 mil pessoas e conectou genética, tecnologia, negócios, gastronomia e conteúdo técnico em uma programação voltada ao fortalecimento da competitividade global da carne bovina brasileira.
Para a presidente da Feicorte e CEO da Verum, Carla Tuccilio, a edição cumpriu o objetivo de centralizar as principais discussões do setor. “Foi uma edição com sucesso, muitas ativações novas e conteúdo de excelência comandado por especialistas brasileiros e internacionais. Tivemos a presença de muitos pecuaristas e conseguimos criar novamente o grande ponto de encontro da cadeia produtiva da carne”, destacou. Segundo ela, a feira movimentou cerca de seis toneladas de carne em experiências gastronômicas ao longo dos quatro dias e reuniu 130 expositores.
O diretor-executivo da Feicorte e presidente do Instituto Brasileiro de Inovação, Cultura e Qualidade do Agro e Pecuária (IBIQPEC), Ailton Barbosa, reforçou a importância do evento para o mercado internacional e para a economia regional. “A feira se consolidou como um polo de relacionamento institucional ao receber delegações, empresas e representantes de mais de 20 países, como Uruguai, Paraguai, Bolívia, China, Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Equador, Colômbia, Argentina e Portugal, entre outros. Ao mesmo tempo, o evento gerou impacto direto na região de Presidente Prudente, com a criação de mais de mil empregos diretos e indiretos durante sua preparação e execução”, afirmou.
Com os resultados consolidados, a organização anunciou o planejamento estratégico para os próximos anos. A programação internacional terá continuidade com a segunda edição da Feicorte Paraguai, marcada para março de 2027. Já a próxima Feicorte Brasil está confirmada para junho de 2027, em local que ainda será definido.
Palestras do Fórum Feicorte discutem mercado e eficiência produtiva
O intercâmbio de conhecimento técnico foi um dos pilares do Fórum Feicorte, que neste ano teve como tema “O Boi Brasileiro – Um Mundo de Oportunidades”. O evento contou com quatro palestrantes internacionais, vindos da África do Sul, Canadá, Estados Unidos e Paraguai, que apresentaram tecnologias de ponta e compartilharam experiências capazes de contribuir para a evolução da pecuária nacional. A programação também incluiu o 4º Simpósio ReprodOeste, promovido em parceria com a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).
O curador de conteúdo do Fórum Feicorte, Diede Loureiro, explicou que a programação foi estruturada para atender às necessidades do produtor diante dos desafios climáticos e das oscilações do mercado. “A Feicorte se posiciona estrategicamente no meio do ano, momento em que o produtor faz o balanço do primeiro semestre e precisa se planejar para o segundo, atuando como uma base essencial de dados técnicos para a tomada de decisões na fazenda”, afirmou.
Diversidade genética reúne cerca de 700 animais nos pavilhões
Os pavilhões do Recinto de Exposições Jacob Tosello receberam aproximadamente 700 animais entre bovinos e ovinos, todos submetidos a rigorosos controles zootécnicos e sanitários. Ao todo, 12 raças estiveram representadas: Angus, Bonsmara, Brahman, Brangus, Canchim, Caracu, Nelore, Santa Gertrudis, Sindi, Texas Longhorn, Wagyu e ovinos Suffolk, reforçando o papel da feira como vitrine da genética de excelência produzida no Brasil.
O resultado desse trabalho de melhoramento também foi apresentado ao consumidor durante a tradicional Beef Hour das Raças. Nesta edição, a degustação reuniu 18 estações de proteínas, oferecendo cortes das raças Nelore, Tabapuã, Brahman, Sindi, Gir, Guzerá, Brangus, Senepol, Angus, Bonsmara, Montana, Wagyu, Caracu, Canchim e Texas Longhorn, além de carne de búfalo e cordeiro Suffolk.
Pistas de julgamento definem campeonatos de rústicos e de elite
As avaliações em pista movimentaram criadores de diferentes estados brasileiros. Pela primeira vez em São Paulo, a Feicorte sediou o julgamento de animais rústicos das raças Angus e Ultrablack. No Angus, a Grande Campeã entre as fêmeas foi TAT TEI1655, de Valdomiro Poliselli Júnior (Mococa-SP), enquanto o Grande Campeão entre os machos foi o touro TAT FIV797, de Rodrigo Arnt e Nilo Arnt (Tibagi-PR). Já na raça Ultrablack, Valdomiro Poliselli Júnior conquistou os dois principais títulos com a fêmea TAT FIV253 e o macho TAT FIV220.
Nos ovinos Suffolk, sob julgamento do irlandês Patrick O’Keefe, os títulos de Grande Campeão e Grande Campeã na categoria Puro de Origem (PO) ficaram com DO Contestado IA F427 e DO Contestado F457, ambos da Fazenda Flor do Pago, de Irani (SC).
Na pista do Wagyu, o jurado Willian Koury avaliou 20 exemplares de alto padrão genético. O criatório Party Participações, de Americana (SP), conquistou os principais títulos com a fêmea Morgana 1923 Guidara FIV (Grande Campeã) e o macho Delicado 52 PWI FIV (Grande Campeão). O Reservado Grande Campeão foi Ares 3351 GUIDARA FIV, do Rancho Santa Bárbara (SP).
No julgamento nacional da raça Santa Gertrudis, conduzido por Marcelo Moura, os animais do criatório Santa Gertrudis da Malagueta dominaram a pista, com Vaticano da Malagueta sendo eleito Grande Campeão e Melissa da Monte Sião conquistando o título de Grande Campeã.
Já na raça Sindi, o touro Saudoso da Estiva, de 35 meses e 953 quilos, foi consagrado Grande Campeão da Feicorte 2026 após receber elogios do árbitro José Jacinto pela qualidade da carcaça e pelos aprumos.
Leilões registram pista limpa e movimentam o mercado de genética
A programação de leilões foi marcada por forte liquidez em diferentes segmentos da pecuária. O 3º Leilão Confraria da Carcaça Nelore abriu a agenda com recinto lotado por 120 pecuaristas, registrando médias de R$ 56 mil para fêmeas e R$ 72 mil para machos, com compradores de 14 estados brasileiros.
Na quarta-feira, o Leilão CV Nelore Mocho, liderado pelo pecuarista Carlos Viacava, comercializou 52 touros para 28 compradores de seis estados, alcançando faturamento de R$ 943.220,00 e média de R$ 18.138,84 por animal.
Na quinta-feira, o 3º Leilão Grupo Mazieiro e Grandes Marcas destacou as fêmeas Nelore PO e encerrou a noite com pista limpa e média superior a R$ 21 mil por lote, mesmo diante das baixas temperaturas na região.
A equinocultura também teve espaço com o 3º Leilão Feicorte – Quarto de Milha e Paint Horse, organizado por Celso Cuba e Celso Luís Cuba, que comercializou 21 animais para criadores e competidores de sete estados brasileiros.
O encerramento dos negócios ocorreu na sexta-feira com a terceira edição do Leilão Pecuária Solidária. O remate beneficente, realizado por meio da doação de touros, cavalos, sêmen e insumos agrícolas, movimentou o sistema de redoações e arrecadou, de forma parcial, cerca de R$ 400 mil. Todo o valor será destinado ao Núcleo Ttere, de Presidente Prudente, instituição que atua no desenvolvimento e inclusão de pessoas com deficiência.
Inovações ampliaram o alcance da feira
Entre as novidades da edição esteve o Shopping Seleção Feicorte, lançado em parceria com a Central Leilões como plataforma de comercialização direta de animais de alta performance. A iniciativa disponibilizou 48 machos e sete fêmeas de cinco raças, permitindo que os compradores analisassem informações técnicas e indicadores de conformação frigorífica antes da aquisição dos pacotes genéticos.
O redesenho da planta do Recinto de Exposições Jacob Tosello também abriu espaço para novos formatos de negócios e convivência. Um dos destaques foi o Boulevard Feicorte, área instalada junto ao credenciamento que reuniu expositores institucionais e empresas dos segmentos de vestuário, calçados, veículos aquáticos e gastronomia.
Integrado ao Boulevard, um espaço de dois mil metros quadrados foi dedicado à Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), que, em sua terceira participação na feira, apresentou tecnologias voltadas à recuperação de áreas degradadas e ao aumento da produtividade. A iniciativa reuniu a própria Rede ILPF, a CATI, o ITESP e empresas parceiras para aproximar produtores, técnicos e estudantes das soluções que vêm transformando a produção agropecuária brasileira.
A aproximação entre a cadeia produtiva da carne e a sociedade começou antes mesmo da abertura oficial da feira. No domingo (22), foi realizada a 1ª Feicorte Run Sportime, corrida e caminhada que destacou a importância da carne vermelha na alimentação e na saúde. O evento reuniu cerca de 700 participantes, que foram recepcionados na linha de chegada com uma degustação de churrasco em sistema open food.