Fazendeiro de 86 anos rejeitou oferta para instalar um data center em suas terras nos EUA e recebeu US$ 1,9 milhão para preservar as fazendas. Ele manteve a propriedade, mas impediu sua conversão para uso industrial.
Uma oferta superior a US$ 15 milhões poderia ter encerrado a trajetória de Mervin Raudabaugh em suas duas fazendas na Pensilvânia, nos Estados Unidos. Aos 86 anos, o agricultor recebeu propostas de interessados em instalar um centro de dados nas terras que cultivou por décadas. Decidiu recusar.
A escolha não significou abrir mão de qualquer compensação financeira. Raudabaugh aderiu a um programa de preservação e recebeu cerca de US$ 1,9 milhão pela venda dos direitos de desenvolvimento das propriedades. Com isso, conservou a posse das fazendas e estabeleceu uma restrição permanente à construção de empreendimentos como o data center.
Uma oferta difícil de ignorar
As duas propriedades ficam em Silver Spring Township, no condado de Cumberland, e somam aproximadamente 261 acres, ou 105 hectares. Segundo os relatos sobre a negociação, desenvolvedores chegaram a oferecer cerca de US$ 60 mil por acre, valor que colocaria a operação acima de US$ 15 milhões.
A área despertou interesse em meio à procura por terrenos para centros de dados, instalações que precisam de espaço e infraestrutura de energia para operar. Para Raudabaugh, porém, a proposta exigia mais do que uma decisão sobre preço: aceitá-la significaria permitir que as fazendas deixassem de cumprir a função agrícola que marcou sua vida e a de sua família.
O produtor conhece o efeito dessa transformação na região. Ao explicar sua decisão, recordou que a fazenda onde nasceu deu lugar a galpões e que a antiga casa e o celeiro foram demolidos.
Fazendeiro de 86 anos recusa US$ 15 milhões de data center, mas como as terras foram preservadas?
Raudabaugh escolheu vender os direitos de desenvolvimento, e não as fazendas. O acordo foi concluído em 30 de dezembro de 2025, por meio do programa de preservação de Silver Spring Township em parceria com o Lancaster Farmland Trust, entidade responsável por manter e fiscalizar as restrições registradas para as propriedades.
Na prática, o agricultor recebeu uma quantia muito inferior à oferecida pelos desenvolvedores, mas alcançou seu objetivo principal: proteger o uso rural da área no longo prazo. As restrições acompanham os imóveis mesmo se eles mudarem de proprietário. Isso permite que continuem sendo negociados, sem liberar sua transformação em um complexo industrial.
O que a decisão revela sobre o valor da terra
A diferença entre as propostas, superior a US$ 13 milhões, ajuda a explicar por que a história ganhou repercussão. De um lado estava o valor que um novo empreendimento se dispunha a pagar pela localização e pelo espaço. Do outro, o valor atribuído à continuidade das fazendas como terras agrícolas.
Para o produtor, a conta não se encerrava no preço de venda. A permanência da atividade rural e o destino das propriedades depois de sua geração pesaram na escolha. O acordo de preservação lhe deu uma forma de receber recursos sem transferir as terras aos desenvolvedores.
O caso chama atenção também fora dos Estados Unidos. À medida que áreas produtivas passam a interessar a outros setores, famílias rurais podem se ver diante de ofertas que mudam seu patrimônio, mas também o futuro da propriedade. Raudabaugh fez sua escolha: manteve as fazendas e vinculou sua proteção a um instrumento permanente.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.