Fazenda no Pantanal projeta ganho de até R$ 900 por bezerro com “Sequestro Pantaneiro”

Experimento de sequestro de bezerros na Fazenda Aparecida, em Mato Grosso do Sul, combina alimentação controlada e instalações simples para atravessar a seca e buscar maior valorização na venda.

Vender o bezerro na desmama ou investir na alimentação para negociá-lo mais pesado? Na Fazenda Aparecida, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, essa decisão está no centro de um experimento com 200 animais recém-desmamados. Batizada de “Sequestro Pantaneiro”, a iniciativa prevê manter a bezerrada por aproximadamente 100 dias em piquetes adaptados, reduzindo a dependência das pastagens durante a estiagem.

Conforme as informações divulgadas pelos envolvidos, o projeto reúne Pecus, Grupo Real e Embrapa e trabalha com uma expectativa de ganho líquido de R$ 800 a R$ 900 por cabeça, diante de um custo estimado de R$ 500 por animal. O retorno ainda é uma projeção, condicionada ao desempenho do lote, às despesas efetivas e ao preço obtido na comercialização.

Como funciona o sequestro de bezerros no Pantanal

A proposta é retirar temporariamente os animais das áreas com restrição de forragem e fornecer alimentação em uma estrutura com cochos, água e sombra. Dessa forma, o produtor busca manter o crescimento dos bezerros enquanto aguarda uma oportunidade mais favorável de venda.

O princípio é semelhante ao de outras estratégias de sequestro de bezerros durante a seca já abordadas pelo Compre Rural. O diferencial da experiência está na adaptação às condições de produção e logística do Pantanal.

Na Fazenda Aparecida, a dieta divulgada utiliza feno associado à suplementação proteica. As instalações também buscam conter o investimento: os cochos são feitos com lona reaproveitada de big bags, a um custo informado de aproximadamente R$ 50 por metro.

O manejo exige atenção à adaptação alimentar e à observação dos animais, especialmente na transição após a desmama. A escolha de como suplementar bezerros desmamados precisa considerar a qualidade do volumoso e as necessidades do lote.

Meta é chegar a 260 quilos em novembro

Segundo Rodrygo Sanchik, coordenador técnico da Pecus, o planejamento prevê alcançar aproximadamente 260 kg por animal em novembro.

“O custo estimado para manter essa estrutura é de cerca de R$ 500 por animal.”

A expectativa apresentada por Sanchik é combinar o peso adicional com a valorização comercial do bezerro. O cronograma também busca vender os animais antes dos 12 meses, preservando, conforme a avaliação dos responsáveis, as condições comerciais associadas à categoria.

Se a margem projetada se confirmar, os 200 bezerros poderiam gerar entre R$ 160 mil e R$ 180 mil. Esses valores, porém, ainda não representam dinheiro realizado com a venda do lote.

A conta depende de mais do que ganhar peso

Para avaliar a viabilidade, o produtor precisa comparar o valor que receberia na venda imediata com a receita futura, descontando os gastos da retenção. Alimentação, frete de insumos, mão de obra, sanidade, instalações e capital imobilizado podem alterar o resultado.

No material divulgado, não foram apresentados o peso inicial do lote, o ganho médio diário medido e a composição completa dos custos. Também falta o fechamento econômico que permita verificar a margem anunciada.

A experiência reforça a importância do planejamento da suplementação na seca. Para o pecuarista, o resultado dependerá de transformar o investimento no cocho em peso adicional com valor suficiente para pagar a operação e remunerar a permanência dos animais na fazenda.

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