Fazenda Esperança, no Rio Grande do Sul, genotipa os touros do leilão com a Embrapa e mostra que o seu Braford tem mais zebu do se imagina!
Desde que o Braford se firmou no Rio Grande do Sul, a raça convive com uma discussão que nunca se resolveu: Brahman ou Nelore? A pergunta existe há tempos entre os criadores, dividiu opiniões em rodas de pista e virou questão de disputa. De um lado, quem defende a base Brahman. De outro, quem defende o Nelore. A conversa é antiga, é apaixonada — e quase sempre foi feita no olho. A Fazenda Esperança, do Alegrete, decidiu fazer uma pergunta diferente. Não qual zebu, mas: QUANTO DE ZEBU?
E, em vez de responder pelo que achava, mandou medir.
Os touros que a Esperança leva ao seu sétimo remate, no dia 22 de agosto, passaram pela predição genômica da Embrapa Pecuária Sul. O resultado mostrou o que mais de 10 anos de acasalamentos dirigidos construíram: os animais carregam, em média, 44% de sangue zebuíno — cerca de 17% acima dos 37,5% que definem o três oitavos clássico do Braford.

O QUE 44% DE SANGUE ZEBUÍNO SIGNIFICA NA PRÁTICA?
Braford é, por definição, um animal composto: cinco oitavos de Hereford, três oitavos de zebu. O registro genealógico segue essa referência. Mas a composição que cada animal de fato herda varia — e só a leitura de marcadores revela quanto.
No caso da Esperança, a leitura foi feita em escala. Além dos touros do remate, a cabanha genotipou mais de 300 animais do rebanho, cruzando composição racial com oito características genômicas.
O retrato que saiu dali é de um rebanho deliberadamente mais zebuíno que o padrão nominal — e estável. Ao longo dos anos de nascimento, a composição se mantém na faixa de 43% a 44%, sem deriva.
No Braford, mais zebu tem significado prático conhecido — RUSTICIDADE, TOLERÂNCIA AO CALOR, PELO CURTO, RESISTÊNCIA AO CARRAPATO.
O que raramente se tem é a confirmação disso dentro do próprio rebanho.

A ESPERANÇA TEM!
Cruzando composição racial com a predição genômica de resistência ao carrapato nos animais avaliados, por exemplo, os 20% mais resistentes têm em média 45,7% de sangue zebuíno, contra 43,2% do restante — diferença consistente e estatisticamente significativa. O mesmo padrão aparece no pelame: quanto mais zebuíno o animal, melhor sua classificação de pelame ao sobreano.
Em outras palavras: a rusticidade que o criador procura no Braford não é retórica de catálogo. No rebanho da Esperança, ela acompanha a composição — e dá para mostrar.

E O ACABAMENTO?
Aqui mora a objeção clássica: muita gente associa a perda de qualidade de carcaça ao maior grau de sangue zebu — menos área de olho de lombo, menos gordura e acabamento mais lento. É o argumento que sempre encerrou a discussão a favor do gado mais europeu.
A Esperança mediu isso também e o resultado é: MAIS ZEBU e ÓTIMA CARCAÇA.
Os 43 touros do remate passaram por ultrassonografia de carcaça, com resultado que desmonta a objeção:
- Área de olho de lombo média do lote: 108,7 cm²
- 73% dos touros acima de 100 cm²
- Destaques individuais passando de 125 cm²
- Espessura de gordura subcutânea média de 6,6 mm e gordura na picanha de 12,4 mm
- Circunferência escrotal média de 43 cm
O ponto não é destacar um animal excepcional. É mostrar as informações do CONJUNTO:
UM GRUPO DE 43 TOUROS COM 44% DE SANGUE ZEBUÍNO ENTREGANDO QUASE 110 CM² DE ÁREA DE OLHO DE LOMBO EM MÉDIA.
E a ponta mais zebuína não desmente o conjunto. Os oito touros com 48% ou mais de zebu mantêm média de 104,5 cm² — patamar que segue alto. Animais como o OMEGA (48,6% de zebu, possui 113,7 cm² AOL) e o CHUMBO (48,5% de zebu e 113,2 cm² AOL) mostram que as duas coisas convivem no mesmo indivíduo.

E AS LINHAGENS, O QUE EXPLICAM?
Com o dado na mão, a cabanha foi atrás do que produziu esse perfil — e encontrou assinatura de família.
O touro EXPERTO, com 15 filhos na oferta, entrega média de 46,8% de zebu, contra 42,0% dos demais reprodutores. Pelo lado materno o efeito é ainda mais nítido: filhos de mães XBULL e BIG BEN também ficam em 46,8%.
“Isso deixa de ser uma curiosidade e vira ferramenta de acasalamento”, resume o proprietário Raphael Houayek. “Eu sei qual cruzamento me dá o animal com maior rusticidade e qual me dá o animal com maior crescimento.”

UMA CAIXA DE FERRAMENTAS, NÃO UMA PRATELEIRA!
É essa a leitura que a Esperança quer levar ao mercado — e que será tema de palestra dia 31 de agosto, na Expointer, no evento ESPERANÇA, GENÉTICA & AMIGOS, onde o Chefe Geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, juntamente com Raphael, irá tratar o tema.
“O comprador costuma olhar o catálogo procurando o touro gordo, bom de bola, mocho ou mais em conta“, diz Raphael. “O que a gente quer mostrar é que ali tem 43 ferramentas diferentes, prontas para enfrentarem problemas diferentes. Quem tem pressão de carrapato e calor precisa de um animal. Quem quer crescimento e carcaça precisa de outro. O dado é o que permite escolher com critério em vez de escolher no olho.”
O criador reforça: “Genotipagem não é segredo de ninguém, está disponível há anos. Se eu mostro meus números com transparência de verdade, o assunto anda. E se mais gente medir, a raça inteira ganha.”
A Embrapa, aliás, caminha para dar o passo seguinte: separar, dentro do componente zebuíno, quanto é Nelore e quanto é Brahman. Quando isso chegar, a velha discussão terá finalmente um número.
Até lá, fica a pergunta que a Esperança devolve pra o mercado: quanto zebu tem o touro Braford que tu compras? Tu sabes ou tu achas?
Confira os destaques da Remate Fazenda Esperança, acesse o catálogo.
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