A informação foi confirmada pelo Presidente Tirso Meirelles, ao Estadão Conteúdo. Ainda, segundo ele, o Centro de Inovação Tecnológica, em Ribeirão Preto, está avançado e deve ser o primeiro inaugurado.
Na presidência da Federação da Agricultura e Pecuária do estado de São Paulo (Faesp) desde 2023, Tirso Meirelles tem o pequeno e o médio produtor rural como peças fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio paulista. Filho de produtores rurais, ele cresceu na fazenda da família no interior de SP e ingressou no Sebrae em 2000, onde chegou à presidência em 2019.
“São Paulo é um estado diferenciado, ele tem uma estrutura, uma musculatura muito forte, a sua produtividade é muito forte”, resume em conversa com o Agro Estadão. Tirso Meirelles projeta para 2025 a continuidade de projetos de desenvolvimento do agro e destaca os quatro novos centros de pesquisa. A iniciativa é liderada pelo Sistema FAESP/Senar e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo Meirelles, o primeiro deles será inaugurado em Ribeirão Preto e terá a tecnologia como foco. “Vamos fazer o Centro de Inovação Tecnológica da Cana e vamos mexer com biogás para ajudar o produtor a fomentar o seu próprio combustível”, conta. o ele, os trabalhos já começaram no terreno onde ele será construído.
A Inteligência Artificial também está na mira da Faesp, e um centro de tecnologia voltado a essa ferramenta também está sendo estruturado no município de São Roque. Outro, voltado para irrigação, ainda não tem o município definido, segundo a Faesp.
“Eles [os centros] serão nacionais e nós vamos focar para o pequeno e médio [agricultor]. Principalmente esse de inteligência artificial, big data, o aspecto de você usar agricultura de precisão e também de irrigação – que pode ser em Jaguariúna ou em Avaré. Estamos verificando a análise de mercado para que a gente possa fazer”, explica Meirelles.
O quarto centro de pesquisa projetado pela Faesp para 2025 vai tratar de agricultura urbana. Segundo o presidente da entidade, a ideia é mostrar a importância do cultivo de hortaliças e verduras na cidade.
“Já está praticamente acertada uma parceria com a prefeitura, que irá ceder a área. Então no ano que vem todos eles [os quatro centros de pesquisa] estarão iniciados”, pontua.
Mão de obra no campo
Tirso Meirelles conta que também está nos planos um projeto para desenvolver talentos. Ele cita que o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer a criação de uma escola.
“Ele pediu para a gente desenvolver uma escola para aquelas pessoas vocacionadas que estão na cidade de São Paulo e querem trabalhar na agricultura, da gente dar o conhecimento para essas pessoas, para elas voltarem para o interior, porque está faltando mão de obra no campo. Então vai ser um trabalho a três mãos: CNA, prefeitura de São Paulo e Faesp”, explica Meirelles.
Turismo rural em São Paulo
Desenvolver o turismo rural para implementar a economia criativa. A iniciativa da Faesp que começou em 2024 seguirá no próximo ano, de acordo com o presidente. Os pequenos e médios produtores rurais devem ser reunidos para estimular o turismo na região rural.
“Um vai mexer com gastronomia, outro vai mexer com artesanato, outro vai mexer com cavalgada, pousada e nós vamos aglutinar um arranjo produtivo do turismo rural. Então esse é um ponto importante para que você possa fortalecer a economia local”, reflete Meirelles.
O presidente da Faesp conta que 20 mil propriedades rurais já foram visitadas para tratar do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e os próximos passos para que o agricultor possa fazer o PRA (Programa de Regularização Ambiental) e o PRADA (Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas ou Alteradas).
Segundo ele, esse é o primeiro ponto para o desenvolvimento do turismo rural, depois será identificar as necessidades de cada produtor rural para levar cursos específicos e assistência técnica. “Esse processo vai ser importante porque você vai fazer os arranjos produtivos locais. Juntar os produtores e criar uma pequena agroindústria para agregar valor naquele produto, para esse valor ficar na mão do pequeno e médio produtor. Então isso vai ser uma revolução muito grande”, projeta Meirelles.
Pelos cálculos da Faesp, 72% das propriedades rurais de São Paulo tem até 67 hectares e é preciso ajudar os agricultores a se manterem na atividade. “Agricultura sozinha não vai para frente. Então você tem que ter agricultura, comércio, serviço, indústria, todos juntos fortalecendo as cadeias produtivas para gerar emprego e renda e desenvolvimento do município”, conclui.
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