Exportações de carne bovina reagem em outubro, mas China ainda trava recuperação dos embarques

Com média diária de 9,80 mil toneladas, vendas externas avançam 5,5% sobre setembro, mas seguem entre os menores patamares de 2026; segundo a Safras & Mercado, Estados Unidos ganham protagonismo enquanto cotas chinesas limitam os negócios.

As exportações brasileiras de carne bovina in natura começaram a demonstrar sinais de recuperação em outubro, após a forte desaceleração observada nos meses anteriores. Entretanto, o movimento ainda está distante dos melhores resultados registrados em 2026. Segundo levantamento da Safras & Mercado, elaborado com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o ritmo médio diário dos embarques alcançou 9,80 mil toneladas nos primeiros 11 dias úteis do mês, um avanço de aproximadamente 5,5% em relação a setembro.

Apesar da reação, o cenário continua desafiador para a indústria frigorífica brasileira. O principal entrave permanece na redução das compras chinesas, provocada pelo esgotamento da cota de importação estabelecida para 2026. Em contrapartida, os Estados Unidos ampliam sua participação como destino da proteína nacional, ajudando a compensar parte da demanda perdida no mercado asiático e reforçando a importância da diversificação comercial.

Exportações reagem, mas ainda estão 26% abaixo do pico do ano

O levantamento da Safras & Mercado revela uma mudança importante no comportamento das exportações ao longo de 2026. Depois de um primeiro semestre de embarques elevados, o Brasil enfrentou uma desaceleração expressiva a partir de agosto.

Em julho, o país registrou o maior ritmo diário do ano, com 13,32 mil toneladas exportadas. Já em setembro, a média havia recuado para 9,29 mil toneladas, o menor resultado mensal da série apresentada.

Agora, outubro registra uma recuperação discreta.

A média de outubro permanece aproximadamente 26% inferior ao pico de 13,32 mil toneladas diárias, registrado no levantamento. Isso demonstra que, embora haja recuperação na comparação mensal, o país ainda opera com menor intensidade de embarques.

O desempenho também reforça que a reação depende não apenas da capacidade de produção brasileira, mas principalmente da disponibilidade de mercados compradores.

China reduz compras e muda a dinâmica das exportações

De acordo com a análise apresentada pela Safras & Mercado, o esgotamento das cotas chinesas é o principal fator por trás da desaceleração das exportações brasileiras.

A China estabeleceu para 2026 uma cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira dentro das condições tarifárias previstas no mecanismo de salvaguarda. Com o limite atingido, os volumes excedentes passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 55%, o que reduziu a competitividade dos embarques.

“O esgotamento das cotas chinesas limita os embarques brasileiros, mantendo a China com participação reduzida nas exportações”, destaca a consultoria.

Na avaliação, uma retomada mais significativa das vendas ao país asiático deverá ocorrer apenas no último bimestre, especialmente com a perspectiva de renovação das cotas para 2027. Essa possibilidade, entretanto, depende das condições comerciais e da demanda dos importadores chineses.

Estados Unidos se consolidam como alternativa para a carne brasileira

Enquanto a China reduz sua participação, o mercado norte-americano ganha relevância nas estratégias comerciais dos frigoríficos.

Segundo a Safras & Mercado, a nova cota de 300 mil toneladas destinada ao mercado dos Estados Unidos continua impulsionando a demanda pela carne brasileira. Em setembro, os Estados Unidos receberam aproximadamente 44,4 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil, enquanto a China importou cerca de 10,9 mil toneladas, conforme os dados comerciais do período.

A consultoria aponta que o avanço das compras norte-americanas vem sustentando parte do fluxo exportador e ajudando a reduzir os efeitos da retração chinesa.

Entretanto, o aumento das vendas aos Estados Unidos não elimina a necessidade de ampliar outros destinos. Oriente Médio, Sudeste Asiático e América Latina permanecem entre as regiões estratégicas para a diversificação das exportações brasileiras.

O que esse cenário significa para o preço do boi gordo?

A desaceleração das exportações representa um ponto de atenção para frigoríficos e pecuaristas, principalmente porque a demanda internacional é um dos componentes que influenciam a capacidade de compra da indústria.

Entretanto, a redução dos embarques não significa necessariamente queda imediata na arroba.

O mercado brasileiro vive um período de oferta mais restrita de animais terminados, com escalas de abate relativamente curtas e maior resistência dos produtores em negociar abaixo das referências de mercado.

Em análise recente, a Safras & Mercado destacou que a menor disponibilidade de bovinos continua sustentando as cotações em diferentes regiões, mesmo diante das dificuldades no comércio exterior.

Isso cria uma situação particular para a pecuária brasileira: de um lado, a indústria enfrenta limitações para ampliar as exportações; de outro, a menor oferta de animais impede uma pressão mais intensa sobre os preços pagos ao produtor.

A continuidade desse equilíbrio dependerá do comportamento da demanda doméstica, do ritmo de abates e da capacidade de redirecionar a carne brasileira para outros mercados.

Último trimestre será decisivo para o setor

Para os próximos meses, a Safras & Mercado aponta que a recuperação mais consistente dos embarques dependerá da combinação entre a demanda norte-americana, o desempenho dos mercados alternativos e uma eventual retomada das compras chinesas.

O levantamento evidencia que o Brasil continua competitivo na produção e comercialização internacional de carne bovina, mas enfrenta um cenário em que restrições comerciais assumem papel determinante sobre o ritmo dos embarques.

A diversificação de destinos, portanto, deixa de ser apenas uma estratégia de crescimento e passa a representar uma necessidade para manter a estabilidade comercial da cadeia produtiva.

O principal sinal de outubro é positivo, mas ainda insuficiente para caracterizar uma retomada consistente das exportações. A reação de 5,5% interrompe a sequência de desaceleração observada no levantamento, enquanto a dependência das decisões comerciais chinesas permanece como um dos maiores desafios para o setor brasileiro.

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