Embarques de Carne Angus Certificada somaram 5,54 mil toneladas nos sete primeiros meses de 2026, enquanto abates e produção também avançaram no país
As exportações de carne Angus brasileira aceleraram em 2026. Entre janeiro e julho, o Programa Carne Angus Certificada enviou 5.540 toneladas ao mercado externo, crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2025. A produção brasileira chegou a compradores de 29 países, reforçando a participação dos cortes certificados no comércio internacional de carnes de maior valor agregado.
Os resultados foram divulgados pela Associação Brasileira de Angus durante a Expointer 2026, realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul. Além do desempenho das vendas externas, os indicadores mostram que a expansão também ocorreu dentro da cadeia produtiva brasileira.
Exportações de carne Angus brasileira avançam junto com a produção
Nos primeiros sete meses do ano, 344.690 animais enquadrados no programa foram abatidos, número 11% superior ao observado entre janeiro e julho de 2025. Já a produção resultante chegou a 28.910 toneladas, avanço de 12,6%.
O crescimento simultâneo dos três indicadores — abate, produção e exportação — revela uma característica importante do momento atual. Os embarques internacionais aumentaram proporcionalmente mais do que a quantidade produzida, indicando maior direcionamento da Carne Angus Certificada para compradores externos.
Para pecuaristas e frigoríficos participantes, esse movimento amplia a importância de manter regularidade de oferta e animais capazes de atender aos critérios estabelecidos para a certificação.
Certificação diferencia a carne destinada ao mercado premium
A estratégia do programa está baseada na identificação de carcaças que atendam aos padrões definidos para receber o selo Carne Angus Certificada.
A avaliação ocorre dentro das unidades frigoríficas participantes e considera características determinadas pelo protocolo da associação. Dessa forma, apenas a produção enquadrada nos critérios definidos segue adiante como certificada.
Esse processo cria uma diferenciação comercial em relação à carne bovina comercializada sem programas específicos de qualidade. Para compradores internacionais, especialmente aqueles que trabalham com segmentos premium, padronização e rastreabilidade dos critérios utilizados na seleção tornam-se atributos comerciais relevantes.
Atualmente, o Programa Carne Angus Certificada opera com 29 parceiros e 60 unidades produtivas distribuídas por 13 unidades da Federação, mostrando que a estrutura deixou de estar concentrada apenas nas regiões tradicionalmente associadas à criação da raça Angus.
Exportações de carne Angus brasileira mantêm trajetória de expansão
O resultado de 2026 ocorre depois de um ano excepcional para os negócios internacionais do programa.
Em 2025, foram exportadas 11,28 mil toneladas de Carne Angus Certificada, crescimento de 260% sobre 2024 e maior resultado anual já registrado pelo programa. Naquele ano, os produtos chegaram a 35 países, com China, Israel, México e Chile aparecendo entre os principais mercados em volume.
Os números atuais, contudo, representam apenas o período de janeiro a julho. Por isso, não é adequado comparar diretamente os 29 destinos registrados até julho de 2026 com os 35 mercados atendidos ao longo dos 12 meses de 2025.
Outro indicador ajuda a explicar o interesse da cadeia pela expansão desse segmento. Segundo os dados consolidados pela Associação Brasileira de Angus referentes a 2025, cortes certificados destinados ao exterior chegaram a US$ 8.505 por tonelada, valor 53,5% superior ao obtido pela carne considerada padrão exportação no levantamento da entidade.
A diferença mostra como programas de certificação podem funcionar não apenas como instrumento de controle de qualidade, mas também como estratégia para agregar valor à proteína brasileira.
Programa amplia presença dentro da pecuária brasileira
O crescimento internacional também acontece em meio à expansão territorial da produção certificada.
Em 2026, o programa avançou para a Bahia, movimento que ampliou sua presença para todas as regiões brasileiras e abriu uma nova fronteira para produtores interessados em fornecer animais destinados à certificação.
Esse processo é relevante porque o aumento das exportações de carne Angus brasileira depende diretamente da capacidade da cadeia nacional de entregar animais em quantidade suficiente e dentro dos padrões exigidos pelos frigoríficos participantes.
Quanto maior a distribuição geográfica das unidades habilitadas, maior também tende a ser a possibilidade de incorporar produtores de diferentes polos pecuários ao programa.
Carne certificada abre espaço para maior valor agregado
O avanço registrado entre janeiro e julho mostra uma frente diferente da tradicional disputa brasileira por volume no mercado mundial de carne bovina.
No segmento certificado, a estratégia envolve combinar escala produtiva com padronização, qualidade e diferenciação comercial, permitindo que parte da produção nacional seja direcionada a mercados e clientes que procuram características específicas.
Para a cadeia Angus, o próximo passo será sustentar essa expansão sem perder os requisitos que ajudam a diferenciar o produto.
Com crescimento de 32% nos embarques durante os sete primeiros meses do ano, a Carne Angus Certificada começa a transformar sua maior presença internacional em uma oportunidade não apenas para frigoríficos, mas também para pecuaristas capazes de produzir animais enquadrados nos padrões exigidos pelo programa.
VEJA MAIS:
- Quem serão os embaixadores de Barretos 2027? Festa revela os escolhidos
- Após falta de vacinas, Brasil recebe 9,9 milhões de doses contra clostridioses e 73% vêm do exterior
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.