Brasil embarcou 154,5 mil toneladas nos primeiros 16 dias úteis do mês; retração ocorre após cota chinesa ser atingida, enquanto preço médio supera US$ 6,2 mil
As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em outubro de 2026. Nos primeiros 16 dias úteis do mês, o país embarcou 154,5 mil toneladas de carne fresca, refrigerada ou congelada, volume equivalente a uma média de aproximadamente 9,66 mil toneladas por dia.
O resultado diário ficou 33,7% abaixo das 14,57 mil toneladas registradas, em média, durante outubro de 2025. Os dados constam na parcial da balança comercial divulgada pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao MDIC, atualizada em 26 de outubro.
A comparação considera médias diárias porque os períodos possuem quantidades diferentes de dias úteis. Outubro de 2025 terminou com 320,5 mil toneladas exportadas, distribuídas ao longo de 22 dias úteis, enquanto a parcial de 2026 abrange somente 16 dias.
Preço maior reduz impacto sobre o faturamento
Apesar da queda dos embarques, a carne brasileira chegou ao exterior mais valorizada. O preço médio alcançou cerca de US$ 6.284 por tonelada, avanço de 13,5% diante dos US$ 5.539 registrados em outubro do ano passado.
Com isso, o faturamento acumulado chegou a aproximadamente US$ 970,95 milhões. A receita média diária ficou em US$ 60,68 milhões, retração de 24,8% na comparação anual.
A valorização da tonelada, portanto, diminuiu o impacto financeiro da redução dos embarques, mas não foi suficiente para compensar integralmente a perda de volume. Os números indicam que o Brasil está vendendo menos carne por dia, porém recebendo mais por cada tonelada comercializada.
Cota chinesa influencia o ritmo dos negócios
Um dos fatores que ajudam a explicar a desaceleração é a mudança nas condições de acesso ao mercado chinês. A China estabeleceu para o Brasil uma cota anual de 1,106 milhão de toneladas, sujeita à tarifa regular de 12%. Os volumes que excederem esse limite passam a enfrentar uma cobrança adicional de 55%.
A cota brasileira foi oficialmente atingida em 29 de setembro. A partir de 2 de outubro, as cargas que ultrapassassem o limite passaram a ficar sujeitas à sobretaxa, reduzindo a competitividade da carne nacional no principal destino do produto.
A Secretaria de Agricultura de São Paulo apontou a limitação chinesa como um dos fatores relevantes para a redução dos embarques, embora formação de estoques e preços elevados também possam influenciar as decisões dos importadores.
A salvaguarda entrou em vigor no começo de 2026 e deverá permanecer por três anos. Segundo posicionamento conjunto da ABIEC e da CNA, o mecanismo exige uma reorganização dos fluxos comerciais e maior diversificação dos destinos da proteína brasileira.
Resultado final ainda pode mudar
Caso a média observada até a quarta semana seja mantida nos cinco dias úteis restantes, outubro poderá terminar com aproximadamente 202,8 mil toneladas exportadas. Nesse cenário, o volume mensal ficaria cerca de 36,7% abaixo do resultado de outubro de 2025.
A estimativa, contudo, não representa um dado consolidado. Embarques concentrados nos últimos dias, alterações logísticas e novos negócios podem modificar o fechamento mensal, que será divulgado posteriormente pelo MDIC.
Mesmo com a retração anual, o ritmo de outubro apresenta uma pequena recuperação em relação a setembro de 2026. A média diária atual está aproximadamente 4% acima da observada no mês anterior, quando o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina.
O cenário combina, portanto, menor volume em relação ao recorde do ano passado, preço internacional mais elevado e necessidade de ampliar mercados alternativos à China. O desempenho dos últimos dias do mês será decisivo para medir o tamanho efetivo da desaceleração.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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