Levantamento da Agrifatto mostra avanço de 36,65% nas vendas externas de gado na exportação de gado vivo; Pará lidera os embarques e demanda segue concentrada em Turquia, Marrocos, Iraque e Egito
As exportações brasileiras de bovinos vivos ganharam força no primeiro semestre de 2026 e alcançaram o melhor desempenho já registrado para o período. Segundo levantamento da Agrifatto, o país embarcou 660,70 mil cabeças entre janeiro e junho, volume 36,65% superior ao observado no mesmo intervalo de 2025.
O resultado reforça o crescimento do mercado de gado em pé como uma frente importante da pecuária brasileira, especialmente em regiões exportadoras. Embora ainda represente uma fatia pequena quando comparada ao abate nacional, a atividade tem peso relevante nos estados de origem, movimentando logística, portos, compradores internacionais e sistemas de produção voltados ao atendimento de mercados específicos.
Junho teve forte aceleração nos embarques na exportação de gado vivo
Somente em junho, o Brasil exportou 133,99 mil bovinos vivos, volume 28,63% maior que o registrado em maio e 86,76% acima do resultado de junho de 2025, de acordo com a Agrifatto.
A receita gerada no mês chegou a US$ 183,61 milhões, correspondente a 56,62 mil toneladas. O valor médio informado pela consultoria foi de US$ 97,3 por arroba por animal comercializado.
O desempenho mensal ajuda a explicar o recorde acumulado no semestre, em um cenário de demanda externa aquecida e forte participação de compradores do Oriente Médio e do Norte da África.
Pará lidera exportações de gado vivo
Entre os estados exportadores, o Pará segue na liderança nacional, concentrando 55,06% dos embarques brasileiros de bovinos vivos. Em seguida aparece o Rio Grande do Sul, com 28,18% de participação.
A concentração mostra a importância das estruturas portuárias, da logística regional e da proximidade com os principais canais de escoamento para esse tipo de operação. No caso do Pará, a atividade já se consolidou como uma das principais frentes de exportação pecuária do estado.
Quatro países concentram quase toda a demanda
Pelo lado dos compradores, o fluxo internacional permanece altamente concentrado. Segundo a Agrifatto, Turquia, Marrocos, Iraque e Egito responderam juntos por 98,41% do volume embarcado em junho.
Essa dependência de poucos destinos exige atenção do setor, já que mudanças sanitárias, comerciais, logísticas ou políticas nesses mercados podem afetar diretamente o ritmo dos embarques brasileiros.
Ao mesmo tempo, a forte demanda desses países mostra a competitividade do Brasil no fornecimento de animais vivos, especialmente para mercados que priorizam abate local por questões culturais, religiosas, econômicas ou operacionais.
Participação ainda é pequena no abate nacional
Apesar do avanço expressivo, a exportação de bovinos vivos ainda representa uma parcela limitada da oferta total de animais no Brasil. A Agrifatto destaca que, tomando como referência o primeiro trimestre de 2026, as 294,96 mil cabeças embarcadas no período equivaleram a 2,87% do abate nacional inspecionado, acima dos 2,36% registrados no mesmo período de 2025.
Na prática, isso significa que o gado vivo não altera de forma ampla o equilíbrio nacional da pecuária, mas pode ter impacto mais perceptível em praças específicas, principalmente nos polos exportadores.
Mercado ganha relevância, mas exige atenção
O avanço da exportação de gado vivo ocorre em um momento de forte disputa por mercados internacionais e de valorização da eficiência logística no agronegócio brasileiro. Para o produtor, a venda de animais em pé pode representar uma alternativa comercial, especialmente quando há compradores ativos e preços competitivos.
Por outro lado, o setor exige controle sanitário rigoroso, planejamento logístico e atenção às exigências dos países importadores. Como os embarques envolvem animais vivos, qualquer falha operacional pode gerar impactos econômicos, comerciais e reputacionais.
Com mais de 660 mil cabeças exportadas em seis meses, o Brasil entra na segunda metade de 2026 com o mercado de bovinos vivos aquecido e com um novo patamar histórico para o período. O desempenho confirma que, mesmo sendo uma fatia menor da pecuária nacional, essa modalidade segue ganhando espaço na pauta exportadora do país.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.