EUA recolhem 1,6 milhão de dúzias de ovos após casos de salmonela

Autoridades sanitárias investigam contaminação ligada a granjas do Texas; surto já deixou 98 pessoas doentes e provocou 26 hospitalizações

Os EUA recolhem 1,6 milhão de dúzias de ovos durante a investigação de um surto de salmonela que atingiu 98 pessoas em 17 estados americanos. De acordo com as autoridades sanitárias, 26 pacientes precisaram ser hospitalizados, mas nenhuma morte foi registrada.

O recolhimento envolve produtos fabricados pela Midwest Poultry Services em unidades localizadas no Texas. A medida foi iniciada voluntariamente depois que análises laboratoriais encontraram a bactéria em amostras coletadas nas granjas da companhia.

Ovos são apontados como possível origem do surto

A investigação é conduzida pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, em conjunto com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, os CDC.

Os registros indicam que os pacientes começaram a apresentar sintomas entre 21 de novembro de 2025 e 30 de junho de 2026. Entre as 44 pessoas entrevistadas sobre os alimentos consumidos antes do início da doença, 40 afirmaram ter ingerido ovos. O grupo representa 91% dos entrevistados.

As evidências epidemiológicas, laboratoriais e de rastreamento relacionam parte das infecções aos produtos da Midwest Poultry Services. Entretanto, a FDA informou que os ovos da empresa não explicam todos os casos, mantendo aberta a possibilidade de outras fontes de contaminação.

Testes encontraram bactéria em granjas do Texas

Durante a apuração, foram recolhidas amostras ambientais nas instalações responsáveis pela produção. Parte dos testes apresentou resultado positivo para salmonela.

O sequenciamento genético demonstrou que algumas das amostras continham a mesma cepa de Salmonella Enteritidis identificada nos pacientes. Os resultados foram encaminhados à FDA em 21 de julho de 2026, levando a empresa a anunciar o recall no dia seguinte.

O recolhimento inclui ovos brancos e marrons provenientes de sistemas de produção sem gaiolas, conhecidos como cage-free.

Produtos foram distribuídos em diferentes estados

Os lotes foram enviados para supermercados, restaurantes e outros serviços de alimentação no Texas, Oklahoma e Louisiana. A comercialização também foi confirmada no Arkansas, Mississippi e Novo México.

Segundo a FDA, os produtos podem ter alcançado outras regiões por meio de distribuidores e revendedores. Por esse motivo, a recomendação é que consumidores verifiquem as marcas, os códigos dos lotes e as datas impressas nas embalagens.

A agência orienta que os ovos incluídos no recall não sejam consumidos, comercializados ou utilizados no preparo de alimentos.

Orientação para consumidores e estabelecimentos

Quem tiver comprado algum dos lotes afetados deve descartar o produto ou devolvê-lo ao estabelecimento comercial para solicitar o reembolso.

Utensílios, recipientes, bancadas, geladeiras e outras superfícies que tiveram contato com os ovos também devem ser lavados e higienizados. O cuidado é importante porque a bactéria pode permanecer em embalagens ou áreas utilizadas durante o preparo dos alimentos.

Restaurantes e comerciantes precisam interromper imediatamente a venda ou utilização dos produtos identificados no recolhimento.

Salmonela pode causar complicações graves

Os sintomas da infecção geralmente aparecem entre 12 e 72 horas após o consumo do alimento contaminado. Os sinais mais frequentes são diarreia, febre, cólicas abdominais, náuseas e vômitos.

Na maioria dos casos, o quadro dura de quatro a sete dias. Entretanto, crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com baixa imunidade possuem maior risco de apresentar complicações.

Casos mais severos podem exigir hospitalização, especialmente quando a bactéria alcança a corrente sanguínea ou outros órgãos.

A investigação continua para identificar a extensão do surto, confirmar todos os pontos de distribuição e verificar se outros alimentos ou fornecedores estão relacionados às infecções.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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