EUA apostam em bois cada vez mais pesados para compensar menor rebanho; carcaças podem atingir 420 kg

Com o menor rebanho bovino em cerca de 70 anos, produtores norte-americanos elevam o peso dos animais terminados em confinamento. Estudo da Universidade do Tennessee projeta novos recordes para o peso das carcaças até o fim de 2026.

Enquanto a pecuária norte-americana enfrenta uma das menores ofertas de bovinos das últimas décadas, uma estratégia vem chamando a atenção do mercado internacional: produzir menos animais, porém muito mais pesados. Em vez de ampliar rapidamente o rebanho — processo que leva anos —, os confinadores dos Estados Unidos estão prolongando o período de engorda para aumentar a produção de carne por cabeça abatida, ou seja, EUA apostam em bois cada vez mais pesados.

A tendência já aparece nas estatísticas oficiais analisadas pelo professor Charley Martinez, diretor do Departamento de Economia Agrícola e de Recursos Naturais da Universidade do Tennessee. Segundo o estudo, o peso médio das carcaças bovinas inspecionadas nos Estados Unidos atingiu 902 libras (aproximadamente 409 kg) em março de 2026, estabelecendo um novo recorde histórico.

“À medida que nos aproximamos do auge do verão, podemos esperar mínimas anuais no peso das carcaças e, em seguida, uma retomada do crescimento durante o restante do ano.” — Charley Martinez, professor assistente e diretor do Departamento de Economia Agrícola e de Recursos Naturais da Universidade do Tennessee.

Carcaças podem ultrapassar 420 kg até dezembro

A avaliação mostra que os animais abatidos em 2026 estão significativamente mais pesados do que nos últimos anos.

Os dados indicam que os pesos médios das carcaças estão atualmente entre 20 e 30 libras acima de 2025 e 65 a 85 libras superiores à média registrada entre 2020 e 2024. Mantido esse ritmo, a projeção é que o peso médio alcance entre 915 e 925 libras, equivalente a aproximadamente 415 a 420 kg de carcaça, até o encerramento deste ano.

O gráfico apresentado no estudo mostra que 2026 iniciou com pesos próximos de 896 libras, atingiu o pico de 902 libras em março e permanece muito acima dos níveis observados nos últimos cinco anos. A comparação evidencia uma mudança consistente no padrão de produção da pecuária norte-americana.

Menor oferta de gado explica a estratégia e EUA apostam em bois cada vez mais pesados

Segundo Charley Martinez, o aumento do peso das carcaças é uma resposta direta ao atual ciclo pecuário dos Estados Unidos.

O país convive com uma oferta historicamente restrita de bovinos para abate, levando confinadores a manterem os animais por mais tempo nas fazendas de terminação. O objetivo é simples: extrair mais carne de cada animal comercializado, compensando parcialmente a redução no número de abates.

Na avaliação do pesquisador, essa estratégia é favorecida por fatores como:

  • margens econômicas mais atrativas para os confinamentos;
  • melhor eficiência alimentar dos bovinos;
  • incentivos para maximizar a produção de carne por cabeça;
  • necessidade de manter o abastecimento mesmo com menor disponibilidade de animais.

Até onde esse crescimento pode chegar?

Apesar dos benefícios econômicos, o estudo alerta que manter carcaças em níveis recordes também impõe desafios à indústria.

Animais excessivamente pesados podem aumentar os custos com alimentação, exigir ajustes no momento ideal de abate e, dependendo do frigorífico e do mercado comprador, até gerar descontos comerciais quando determinados limites de peso são ultrapassados.

Ainda assim, Martinez considera que, neste momento, o ganho adicional de produção por animal continua sendo um dos principais mecanismos utilizados pela pecuária norte-americana para enfrentar o ciclo de baixa oferta de bovinos.

O que esse movimento representa para o mercado global

O aumento do peso das carcaças nos Estados Unidos demonstra uma mudança importante na lógica de produção.

Em vez de depender exclusivamente do crescimento do rebanho, produtores investem em eficiência dentro do confinamento para elevar a produtividade individual dos animais.

Para mercados exportadores, como o Brasil, a estratégia americana reforça uma tendência mundial: cada vez mais, a rentabilidade da pecuária depende da capacidade de produzir mais carne com menos animais, utilizando genética, nutrição, manejo e gestão de desempenho como diferenciais competitivos.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
RESUMIR COM:
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.