Entenda a polêmica do Futurity ANCR 2026: Maia Reining Horses rompe com a entidade

Erro na soma das notas da final da Aberta N4 gerou empate indevido no lugar mais alto do pódio; ANCR manteve o resultado após consulta à NRHA, e o patrocinador master do Futurity retirou o investimento em provas futuras da entidade

Uma falha na soma das notas da final da categoria Aberta N4 do 37º ANCR Futurity Maia Reining Horses, disputado em Avaré (SP) entre 18 e 28 de junho, transformou-se na maior crise institucional recente da modalidade de rédeas no Brasil. O caso, que já dura semanas, envolve um erro de cálculo na planilha oficial de resultados, uma decisão controversa da Associação Nacional do Cavalo de Rédeas (ANCR) e o rompimento do principal patrocinador da competição com a entidade.

Na apuração da final da Aberta N4, um erro de soma na planilha oficial da prova levou à divulgação de um empate na primeira colocação entre os conjuntos Gunna Be Hollygun QR (Hollywood Gotta Gun x Gunna Be Voodoo), conduzido por Jone Carlos da Silva, e Mahogany Dunnit Mil (Pale Face Dunnit x Mahogany Gotta Gun), apresentado por Fernando Salgado.

Posteriormente, constatou-se que a soma correta das notas dadas pelos juízes não resultava em empate: Mahogany Dunnit Mil teria, na verdade, a maior pontuação da final, e portanto o título isolado.

Diante do erro identificado, a diretoria da ANCR consultou a National Reining Horse Association (NRHA) — entidade americana cujas regras servem de base para as competições da modalidade no Brasil — antes de decidir. O desfecho, no entanto, não foi corrigir o resultado: a ANCR optou por manter o resultado homologado (o empate), amparada no regulamento vigente e no parecer da NRHA. A entidade reconheceu publicamente o erro de cálculo e pediu desculpas pelos transtornos causados.

Em pronunciamento em vídeo, o presidente da ANCR, Chico Moura, afirmou que a diretoria atuou desde que soube do problema, com consultas por videoconferência e mensagens à NRHA, e disse que, apesar de opiniões divergentes, a entidade considera a decisão respaldada pelas regras em vigor — mantendo-se aberta ao diálogo sobre possíveis ajustes futuros no regulamento.

Maia Reining Horses rompe com a ANCR

A decisão não foi bem recebida pelo Maia Reining Horses, patrocinador master do Futurity e detentor do naming rights da competição. Em nota oficial, o grupo declarou reconhecer Mahogany Dunnit Mil como vencedora esportiva da prova, por entender que o conjunto teve a maior pontuação em pista após a correção da soma.

Mais que isso, o Maia Reining Horses anunciou que vai pagar, com recursos próprios, as diferenças de premiação aos competidores que considera prejudicados pela manutenção do resultado — e comunicou a retirada de todo o investimento financeiro em futuras competições promovidas pela ANCR. Na nota, o grupo argumenta que erros materiais como esse deveriam ser corrigidos independentemente do momento em que são identificados, em nome da credibilidade esportiva.

Divisão de opiniões no meio

O caso dividiu opiniões entre treinadores e competidores. O treinador Gilson Diniz Filho se posicionou publicamente defendendo que, em casos de erro matemático, a correção deveria ser feita administrativamente, sem necessidade de expor o conflito publicamente — e que, se a soma correta apontasse outro vencedor, essa alteração deveria ser aceita pelos envolvidos. Ele fez questão de frisar que se tratava de opinião pessoal, não institucional.

De um lado, parte da comunidade sustenta que um erro material deve ser corrigido a qualquer momento em que for descoberto. De outro, há quem defenda que manter o resultado oficial homologado é a aplicação correta do regulamento aceito por todos os competidores no ato da inscrição.

Para além da disputa sobre quem ficou em primeiro lugar, o episódio expôs fragilidades nos processos de conferência de planilhas de julgamento e nos mecanismos de revisão de resultados em competições oficiais de rédeas. A repercussão nas redes sociais, com manifestações de proprietários, criadores, treinadores e competidores, reforça a pressão do setor por protocolos mais rigorosos — um ponto em que, apesar da divergência sobre o mérito da decisão, parece haver consenso.

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