Encontro de Muladeiros impulsiona mercado de muares e asininos em Votuporanga

Evento oficial da ABCJPêga reúne recorde de animais, movimenta a economia regional, atrai novos criadores e reforça a importância das provas para valorizar muares e asininos no Brasil

O 5º Encontro de Muladeiros de Votuporanga confirmou aquilo que o setor já percebe há alguns anos: o futuro da cadeia produtiva dos muares e asininos passa pelo fortalecimento de eventos que unem competição, genética, comércio e tradição. Reunindo mais de 230 animais e estabelecendo recorde de julgamentos da Associação Brasileira dos Criadores de Jumento Pêga (ABCJPêga), o encontro se consolidou como uma das principais vitrines nacionais do segmento, promovendo negócios, atraindo novos investidores e impulsionando um mercado que vive um momento de forte valorização.

Mais do que uma competição, o evento demonstrou que as provas oficiais são fundamentais para o desenvolvimento da atividade. É nas pistas que os melhores exemplares são avaliados, os padrões raciais são preservados, novos campeões surgem e o mercado ganha confiança para investir em genética de qualidade. Ao mesmo tempo, a programação movimenta hotéis, restaurantes, empresas do agronegócio, comerciantes e prestadores de serviço, transformando a exposição em um importante motor da economia regional.

Segundo o presidente da ABCJPêga, Fernando Abate, Votuporanga já ocupa uma posição estratégica dentro do calendário nacional da entidade por sediar a última etapa ranqueada antes da Exposição Nacional. “Hoje é um evento oficial da ABCJPêga e o ranking praticamente se encerra aqui. Por isso vemos esse sucesso, reunindo muladeiros e jumenteiros de todo o Brasil”, afirmou.

Para ele, o maior legado das exposições está no estímulo direto ao mercado. “Sem fomento não existe comércio. Sem provas e sem a associação mostrando seus melhores exemplares, o mercado não anda. É nesses eventos que aparecem novos criadores, novos investidores e ainda realizamos leilões que colocam animais de qualidade nas mãos de quem está entrando na atividade.”

Um dos organizadores do encontro, Rodrigo Cevallos, reforçou que o objetivo sempre foi transformar Votuporanga em uma referência nacional para o setor. Segundo ele, o crescimento do evento comprova que a estratégia está dando resultado. A primeira edição reuniu apenas 49 animais inscritos; depois vieram 54, em seguida 170 e agora mais de 230 exemplares, estabelecendo um novo recorde de participação e também de animais julgados pela ABCJPêga. “Estamos fomentando o mercado, criando novos criadores e realizando um grande evento do agronegócio. Nunca tivemos uma quantidade tão grande de jumentos e muares sendo avaliados em morfologia e andamento, e isso fortalece toda a cadeia produtiva”, destacou.

Outro ponto importante ressaltado por Fernando Abate é que os julgamentos vão muito além da estética. Nos campeonatos, são avaliados tanto a morfologia quanto o andamento dos animais, características que garantem a preservação do padrão racial e da qualidade funcional dos jumentos e muares. Segundo ele, essa seleção criteriosa acaba refletindo diretamente na valorização comercial dos exemplares. Atualmente, uma mula destinada ao trabalho pode custar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, enquanto uma “mula de patrão”, voltada para cavalgadas, reprodução e exposições, pode atingir valores entre R$ 200 mil e R$ 300 mil.

A genética também foi um dos assuntos centrais da exposição. Fernando Abate explicou que hoje a maior parte dos muares registrados é resultado do cruzamento entre o Jumento Pêga e éguas da raça Mangalarga, embora o Mangalarga Marchador venha ampliando sua participação. Segundo ele, a própria associação trabalha na criação de uma categoria específica para muares oriundos de éguas Mangalarga Marchador, acompanhando uma tendência observada nos principais criatórios do país, que passaram a investir fortemente na produção de muares de alto padrão genético.

Essa aposta foi confirmada dentro da pista pelo Haras da Chave, de Jundiaí (SP), vencedor da primeira categoria montada com a mula Alteza do Haras da Chave. O criador Lucas Schiavi explicou que o trabalho desenvolvido no criatório une décadas de seleção da raça Mangalarga com a utilização do Jumento Pêga. Segundo ele, essa combinação produz animais com excelente marcha, temperamento, tamanho, rusticidade e aptidão para o trabalho, características que explicam a crescente valorização desse cruzamento em todo o Brasil.

O aspecto econômico também chamou atenção durante o encontro. Além das provas, o evento contou com um leilão que dobrou de tamanho em relação ao ano anterior, passando de 16 para 32 animais de alta genética entre jumentos, equinos e muares.

Para Rodrigo Cevallos, esse movimento acompanha o aquecimento do mercado, no qual uma mula de cabeceira avaliada em R$ 100 mil já é considerada comum, enquanto exemplares diferenciados ultrapassam esse valor com facilidade. Na avaliação dele, cada novo criador que ingressa na atividade fortalece toda a cadeia e amplia a demanda por genética de qualidade.

Quem também destacou a importância das exposições foi Ricardo Fabrício, do Criatório RF. Segundo ele, o impacto dos encontros vai muito além dos criadores, beneficiando comerciantes, fabricantes de equipamentos, ferradores, empresas do agronegócio, vendedores ambulantes e inúmeros profissionais que encontram nesses eventos uma oportunidade de gerar renda. Além disso, as pistas oferecem aos criadores a chance de apresentar seus melhores animais, valorizar anos de seleção genética e conquistar reconhecimento nacional.

Com recorde de inscrições, crescimento contínuo e um mercado cada vez mais aquecido, o Encontro de Muladeiros de Votuporanga demonstra que investir em eventos oficiais significa fortalecer toda a cadeia dos muares e asininos. Ao unir tradição, melhoramento genético, cultura sertaneja e geração de negócios, a exposição se consolida como um dos principais instrumentos para garantir o desenvolvimento sustentável desse segmento que ganha cada vez mais espaço dentro do agronegócio brasileiro.

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