Setor registrou 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, com queda nas emissões da pecuária e aumento na agricultura, segundo levantamento do Imaflora.
As emissões de gases de efeito estufa da agropecuária brasileira permaneceram praticamente estáveis em 2025, mesmo diante do avanço da produção no campo. O setor emitiu 626,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) no ano passado, ante 626,7 milhões de toneladas registradas em 2024. A redução foi de apenas 0,07%, a menor variação anual da série histórica iniciada em 1970, de acordo com levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), elaborado pelo Observatório do Clima.
Os números indicam movimentos diferentes entre as atividades agropecuárias. Enquanto a pecuária apresentou redução nas emissões, a agricultura registrou crescimento, acompanhando a expansão das lavouras e da produção agrícola. O resultado evidencia o desafio de conciliar o aumento da oferta de alimentos e matérias-primas com a diminuição dos impactos ambientais do setor.
Pecuária reduz emissões com diminuição do rebanho
A pecuária brasileira registrou queda de 1,68% nas emissões de gases de efeito estufa em 2025. Um dos fatores associados a esse movimento foi o abate recorde de bovinos, acompanhado pela redução do rebanho nacional.
A atividade pecuária é uma importante fonte de metano, gás produzido principalmente durante o processo digestivo dos ruminantes. O manejo dos animais, a alimentação, a produtividade e o tempo necessário para atingir o peso de abate estão entre os fatores que influenciam a intensidade das emissões da produção de carne bovina.
Nesse contexto, estratégias voltadas ao aumento da produtividade por animal, à recuperação de pastagens degradadas e à melhoria do manejo podem contribuir para reduzir as emissões por quilo de carne produzido. A adoção dessas práticas, entretanto, depende das condições de cada propriedade, dos investimentos disponíveis e da eficiência dos sistemas produtivos.
Expansão das lavouras eleva emissões da agricultura
Na direção oposta à pecuária, as emissões relacionadas à agricultura cresceram 6,45% em 2025. O avanço acompanhou a expansão da produção de grãos e da área cultivada no país, segundo os dados divulgados.
As emissões agrícolas estão associadas a diferentes etapas da produção, incluindo o uso de fertilizantes nitrogenados, as emissões de óxido nitroso provenientes dos solos e o consumo de combustíveis nas operações mecanizadas. O manejo dos resíduos agrícolas e as características dos sistemas de cultivo também influenciam os resultados.
A expansão da atividade agrícola reforça a importância de práticas que aumentem a eficiência no uso de insumos e favoreçam a conservação do solo. Entre as alternativas estão o plantio direto, a rotação de culturas, o manejo adequado da fertilidade e o uso mais eficiente de fertilizantes, conforme as necessidades de cada lavoura.
Essas medidas podem contribuir para melhorar a produtividade e reduzir a intensidade das emissões, embora seus resultados dependam das condições climáticas, do solo e das práticas adotadas em cada região.
Emissões do agro contrastam com queda nacional
Enquanto as emissões da agropecuária permaneceram estáveis, o Brasil registrou uma redução mais expressiva no total de gases de efeito estufa liberados na atmosfera em 2025. Segundo dados do Observatório do Clima, as emissões brutas nacionais caíram aproximadamente 6%, passando de cerca de 2,19 bilhões para 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente.
A principal contribuição para essa redução veio da diminuição das emissões associadas às mudanças de uso da terra e às florestas, especialmente em razão da queda do desmatamento. Esse resultado mostra que o comportamento das emissões nacionais depende não apenas das atividades produtivas, mas também da conservação dos ecossistemas e da dinâmica de ocupação do território.
Para a agropecuária, a manutenção dos níveis de emissão representa um sinal de que o crescimento da produção não foi acompanhado por um aumento significativo das emissões totais em 2025. Ao mesmo tempo, a diferença entre os resultados da agricultura e da pecuária demonstra que as estratégias de redução precisam considerar as particularidades de cada atividade.
O desafio para os próximos anos será ampliar a produção com maior eficiência ambiental, combinando ganhos de produtividade, manejo adequado dos recursos naturais e tecnologias de baixo carbono. A evolução desses indicadores será importante para acompanhar a contribuição do setor agropecuário às metas climáticas brasileiras e à sustentabilidade da produção nacional.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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