Embrapa Gado de Leite completa 50 anos com pesquisas que vão da pastagem à genética do rebanho

Criada em 1976, a unidade de Juiz de Fora ajudou a testar cruzamentos para as condições tropicais e hoje pesquisa desde a recuperação do pasto até a automação da alimentação. A programação do cinquentenário ainda prevê um simpósio sobre capim-elefante em novembro.

A Embrapa Gado de Leite celebrou seus 50 anos em uma solenidade na sexta-feira, 6 de novembro, com transmissão on-line e homenagens a representantes da cadeia leiteira, segundo o MilkPoint. Criada em 26 de outubro de 1976 como Centro Nacional de Pesquisa em Gado de Leite, a unidade tem sede em Juiz de Fora (MG) e mantém campos experimentais em Coronel Pacheco (MG) e Valença (RJ).

Na véspera da solenidade, o Campo Experimental José Henrique Bruschi, em Coronel Pacheco, recebeu um dia de campo do cinquentenário. A programação divulgada pela Embrapa reuniu seis estações técnicas, com temas como recuperação de solos em pastagens degradadas, forrageiras tropicais e uso de sistemas automatizados para alimentar vacas e criar bezerras.

Do gado mestiço ao sumário genômico

Em 1977, a unidade implantou um sistema experimental com gado mestiço Holandês-Zebu criado predominantemente a pasto, segundo o Anuário Leite 2023 da Embrapa. A ideia era testar soluções em condições parecidas com as de parte das fazendas brasileiras, onde o desempenho do rebanho dependia da combinação entre genética, alimentação e manejo.

Uma frente que avançou a partir desses estudos foi a avaliação de animais adaptados à produção tropical. O teste de progênie do Girolando, iniciado em 1997 em parceria com a associação de criadores da raça, usa informações sobre as filhas dos touros para estimar as características que eles tendem a transmitir. A edição de junho de 2026 do sumário da Embrapa reúne resultados de avaliações genéticas e genômicas.

Na prática, os sumários ajudam a orientar a escolha do sêmen conforme o objetivo de cada acasalamento. Segundo a Embrapa, as avaliações dão suporte a decisões sobre características como qualidade do úbere, aprumos, fertilidade e tolerância ao calor, além da produção de leite. O peso de cada característica na escolha depende das condições e das prioridades da fazenda.

Do solo à automação na fazenda

No dia de campo, as estações dedicadas ao solo e à alimentação trataram de práticas de recuperação de áreas degradadas, uso de forrageiras tropicais e efeito do preparo do solo no desenvolvimento do milho. A programação também incluiu uma estação sobre sistemas de produção de caprinos leiteiros.

Já a estação de pecuária de precisão colocou na mesma agenda a automação da alimentação, a edição gênica e a avaliação de gases de efeito estufa na atividade leiteira. São linhas de trabalho que abrangem tanto a rotina do rebanho quanto a medição dos efeitos ambientais dos sistemas de produção.

Capim-elefante volta à agenda em Juiz de Fora

A programação do cinquentenário prevê ainda um simpósio sobre capim-elefante nos dias 24 e 25 de novembro, no Auditório José Aroeira, na sede da unidade, em Juiz de Fora. Segundo a Embrapa, o encontro vai discutir a trajetória da pesquisa com a forrageira e as próximas linhas de investigação no Brasil e no exterior.

Leia também: Embrapa Gado de Leite leva ciência e inovação para a Megaleite 2026.

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